Lobo narrando Saímos do posto… e, pela primeira vez naquela noite inteira, eu senti que podia respirar de verdade. Não era só porque a invasão tinha acabado. Não era só porque eu tava vivo. Era porque… agora eu tinha certeza. Certeza de tudo. Do meu filho. Da minha mulher. Da minha família. Entrei no carro com a Bárbara, e antes mesmo de ligar, eu olhei pra ela. Ela ainda tava com os olhos marejados. Segurando as lágrimas como se, a qualquer momento, fosse desabar de novo. E eu entendi. Aquilo ali não era só um resultado. Era um peso que saiu. Uma resposta que ela precisava. — Eu falei — murmurei, ligando o carro. Ela virou o rosto pra mim, com aquele olhar cheio de emoção. — Eu sabia. Saímos devagar, descendo o caminho. E, durante todo o trajeto… eu não parei de falar.

