Quando voltamos pro morro, já era por volta das hora do almoço. O movimento começando a crescer, o som de moto subindo, gente circulando. Eu pedi pra chamarem o Lobo. Ele não tava na boca, então fiquei esperando por ele lá. Ele chegou alguns minutos depois, boné pra trás, olhar fechado, mas com aquele respeito silencioso que sempre teve comigo. — Fala, pai. Eu encostei na mureta, cruzando os braços. — E aí, como tá as coisas? Ele deu de ombros. — Tudo no controle. Mas eu vi que tinha algo diferente. Um peso no olhar. Um incômodo. — Tá com cara de quem quer falar e não sabe se fala — eu provoquei. Ele soltou um riso curto, sem humor. — Mulher é complicada demais, pai. Eu quase sorri. — Ih, começou. Ele passou a mão no rosto, respirando fundo. — Às vezes você se entrega demais

