Vira e mexe meu olhar se cruzava com o da Bárbara. Ela tava atrás do caixa, dura, fingindo que não me via. Mas via. E tava bolada. Eu também tava. Só que não era só raiva. Era outra coisa que eu não queria nomear. Comemos em silêncio. Juninho tentando puxar assunto comigo, eu respondendo só o básico. Quando terminou, ele levantou pra ir pagar no caixa — justamente com ela. Eu preferi sair e esperar do lado de fora. Encostei na minha moto, acendi um cigarro e fiquei olhando o movimento da rua. Eu via ela pelo vidro, recebendo o dinheiro do Juninho sem nem olhar pra cara dele direito. Orgulhosa pra carälho. Juninho saiu alguns minutos depois. — Ela quase arrancou minha cabeça só com o olhar — ele comentou. Eu ignorei. Demos um giro pelo morro, conferimos se tava tudo na paz.

