Dedo por dedo. Os gritos dela enchiam o ambiente, misturados com os soluços, os pedidos, os “por favores” que já não significavam nada. — PELO AMOR DE DEUS, LOBO, PARA! Eu não parei. Quando terminei com as unhas… Peguei o alicate de novo. E fui pros dedos. Ela tentou se soltar. Tentou se mexer. Mas eu segurei firme. E cortei. Um por um. O sangue escorrendo. Ela já não gritava mais igual antes. Era um choro rouco, desesperado, quase sem voz. Larguei o alicate. Peguei o martelo. Ela viu. Os olhos dela se arregalaram de um jeito que eu nunca vou esquecer. — NÃO… NÃO… PELO AMOR… Não ouvi. Comecei pelas pernas. Bati. Uma vez. Duas. Três. O som do osso quebrando era seco. Estalava igual galho seco. Ela tentava gritar, mas já não saía mais direito. Só um choro agudo.

