Damian
Eu nunca gostei de perder o controle.
Mas desde que Helena entrou na minha vida, ou melhor, desde que invadiu o espaço que eu cuidadosamente mantinha impenetrável, algo dentro de mim se moveu com uma força que não reconheço.
Algo antigo, perigoso, que eu passei a vida inteira tentando domar.
E quando a ouvi chorando atrás da porta do banheiro feminino, a voz trêmula, o som abafado da respiração dela.
Meu limite se partiu.
Beatriz.
Aquela mulher ousou tocá-la.
Ousou humilhá-la.
Ousou até insinuar que eu a usava.
Eu juro que a escuridão que carrego dentro de mim sorriu ao ouvir isso.
Agora, enquanto desço o corredor em direção à sala de Beatriz, sinto a adrenalina pulsar como se meu corpo estivesse sendo preparado para um combate inevitável. E talvez esteja.
Helena está sentada em minha sala, com os olhos ainda vermelhos, tentando fingir que não está abalada.
Mas ela está. Eu vi. Eu senti. E cada parte minha está gritando para protegê-la , mesmo dela mesma, se for preciso.
Bato na porta de Beatriz apenas porque seria sociável entrar sem arrombar.
Não espero resposta, Entro.
Ela se vira, e sua expressão muda imediatamente quando vê meu rosto. Pálida. Tensa.
— Damian o que houve?
— Você atacou alguém importante para mim — digo, cada palavra gelada e precisa como uma lâmina recém-afiada.
Ela abre a boca para se explicar, mas eu não quero explicações. Não dela.
— Não admito que alguém mexa com as minhas coisas — continuo, deixando claro o pronome.
Minhas. Helena pode achar que não pertence a mim, mas o meu corpo, a minha mente e cada impulso que tenho discordam.
Beatriz engole em seco.
— Eu, não sabia que ela...
— Não sabia porque não é problema seu.
— Me aproximo tanto que ela tem de se afastar para não colidir comigo.
— E se você olhar torto para Helena de novo, se levantar a voz contra ela, se disser algo que a faça chorar nem por um segundo, eu juro que você não pisa mais nem no estacionamento desta empresa.
Ela treme. Literalmente treme.
E isso não me dá satisfação.
Me dá uma calma fria, perigosa, que me faz querer voltar para Helena imediatamente.
Eu me afasto, sem dar a Beatriz a chance de responder, e fecho a porta com força suficiente para fazê-la pular.
Quando volto para minha sala, Helena se levanta rápido demais, como se estivesse pronta para pedir desculpas.
— Damian, você não precisava fazer isso — ela diz, nervosa, mordendo o lábio inferior.
Aquele gesto quase me destrói.
— Eu não quero criar problemas.
Eu chego perto, Devagar. Como se aproximar rápido demais fosse quebrá-la.
— Você não criou problema nenhum. — Minha voz sai rouca. — Beatriz que criou.
Ela baixa os olhos.
E eu não resisto , toco de leve o queixo dela para que ela me olhe novamente.
— Eu não vou deixar ninguém te machucar — digo. Não é promessa. É sentença.
Ela abre a boca como se fosse argumentar, mas não sai nenhuma palavra.
Apenas respira, descompassada, confusa e afetada.
Afetada por mim.
E isso me atinge num ponto que preferia manter enterrado.
— Damian por quê? — ela pergunta, em um sussurro quase culpado.
— Eu sou só sua funcionária.
Só minha funcionária.
Como se ela tivesse ideia do que está despertando.
Eu a encaro, deixando que ela veja a parte de mim que tento esconder.
A obsessão crua, a necessidade silenciosa, o impulso possessivo que cresce cada dia mais.
— Você não é só nada para mim, Helena.
Ela engole em seco.
E por um momento, acho que ela sente o peso disso tanto quanto eu.
Eu desvio o olhar antes que faça algo e******o como puxá-la para mim, sentir a pele dela, provar o que venho tentando negar.
Um músculo da minha mandíbula trava.
— Vá para casa — digo.
— Eu resolvo o resto.
Ela hesita.
E então eu adiciono, baixinho, rouco demais para esconder qualquer coisa,
— E Helena não fuja de mim.
Porque se ela fugir, eu sei exatamente o que vou fazer.
Vou atrás dela novamente.