CAPÍTULO 14

689 Words
 Damian Eu nunca gostei de perder o controle. Mas desde que Helena entrou na minha vida, ou melhor, desde que invadiu o espaço que eu cuidadosamente mantinha impenetrável, algo dentro de mim se moveu com uma força que não reconheço. Algo antigo, perigoso, que eu passei a vida inteira tentando domar. E quando a ouvi chorando atrás da porta do banheiro feminino, a voz trêmula, o som abafado da respiração dela. Meu limite se partiu. Beatriz. Aquela mulher ousou tocá-la. Ousou humilhá-la. Ousou até insinuar que eu a usava. Eu juro que a escuridão que carrego dentro de mim sorriu ao ouvir isso. Agora, enquanto desço o corredor em direção à sala de Beatriz, sinto a adrenalina pulsar como se meu corpo estivesse sendo preparado para um combate inevitável. E talvez esteja. Helena está sentada em minha sala, com os olhos ainda vermelhos, tentando fingir que não está abalada. Mas ela está. Eu vi. Eu senti. E cada parte minha está gritando para protegê-la , mesmo dela mesma, se for preciso. Bato na porta de Beatriz apenas porque seria sociável entrar sem arrombar. Não espero resposta, Entro. Ela se vira, e sua expressão muda imediatamente quando vê meu rosto. Pálida. Tensa. — Damian o que houve? — Você atacou alguém importante para mim — digo, cada palavra gelada e precisa como uma lâmina recém-afiada. Ela abre a boca para se explicar, mas eu não quero explicações. Não dela. — Não admito que alguém mexa com as minhas coisas — continuo, deixando claro o pronome. Minhas. Helena pode achar que não pertence a mim, mas o meu corpo, a minha mente e cada impulso que tenho discordam. Beatriz engole em seco. — Eu, não sabia que ela... — Não sabia porque não é problema seu. — Me aproximo tanto que ela tem de se afastar para não colidir comigo. — E se você olhar torto para Helena de novo, se levantar a voz contra ela, se disser algo que a faça chorar nem por um segundo, eu juro que você não pisa mais nem no estacionamento desta empresa. Ela treme. Literalmente treme. E isso não me dá satisfação. Me dá uma calma fria, perigosa, que me faz querer voltar para Helena imediatamente. Eu me afasto, sem dar a Beatriz a chance de responder, e fecho a porta com força suficiente para fazê-la pular. Quando volto para minha sala, Helena se levanta rápido demais, como se estivesse pronta para pedir desculpas. — Damian, você não precisava fazer isso — ela diz, nervosa, mordendo o lábio inferior. Aquele gesto quase me destrói. — Eu não quero criar problemas. Eu chego perto, Devagar. Como se aproximar rápido demais fosse quebrá-la. — Você não criou problema nenhum. — Minha voz sai rouca. — Beatriz que criou. Ela baixa os olhos. E eu não resisto , toco de leve o queixo dela para que ela me olhe novamente. — Eu não vou deixar ninguém te machucar — digo. Não é promessa. É sentença. Ela abre a boca como se fosse argumentar, mas não sai nenhuma palavra. Apenas respira, descompassada, confusa e afetada. Afetada por mim. E isso me atinge num ponto que preferia manter enterrado. — Damian por quê? — ela pergunta, em um sussurro quase culpado. — Eu sou só sua funcionária. Só minha funcionária. Como se ela tivesse ideia do que está despertando. Eu a encaro, deixando que ela veja a parte de mim que tento esconder. A obsessão crua, a necessidade silenciosa, o impulso possessivo que cresce cada dia mais. — Você não é só nada para mim, Helena. Ela engole em seco. E por um momento, acho que ela sente o peso disso tanto quanto eu. Eu desvio o olhar antes que faça algo e******o como puxá-la para mim, sentir a pele dela, provar o que venho tentando negar. Um músculo da minha mandíbula trava. — Vá para casa — digo. — Eu resolvo o resto. Ela hesita. E então eu adiciono, baixinho, rouco demais para esconder qualquer coisa, — E Helena não fuja de mim. Porque se ela fugir, eu sei exatamente o que vou fazer. Vou atrás dela novamente.
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