Damian
Eu deveria estar trabalhando.
Deveria estar no meu escritório, analisando contratos, assinando propostas, tomando decisões que sustentam um império inteiro.
Mas não consigo.
Não depois do que aconteceu na sala 34.
O gosto dela ainda está na minha boca.
A respiração dela ainda está presa no meu peito.
As mãos dela apertando meus ombros, Deus, aquilo deveria ser proibido.
Eu perco o controle.
E eu nunca perco o controle.
O problema é que, por mais que eu tente racionalizar, justificar, apagar o incêndio que ela acende em mim, meu corpo não obedece.
Minha mente não obedece.
Helena tomou cada espaço dentro de mim e o pior é que eu deixei.
Ou pior ainda: eu quis.
Jogo a caneta sobre a mesa com força e levanto.
Minha cabeça está um caos, meu corpo queimando, meu autocontrole por um fio.
Caminho até a janela do meu escritório e fecho as cortinas com um movimento brusco.
Eu não quero que ninguém veja meu estado.
Não quero que ninguém perceba o quanto ela mexeu comigo.
Minha respiração está pesada quando encosto as mãos na mesa, tentando recuperar o domínio.
Eu sei o que fiz. Eu sei o peso disso.
Eu a beijei.
Eu a toquei.
Eu quebrei todas as linhas que eu mesmo tracei.
E faria de novo.
A porta bateu, me arrancando do transe.
— Damian? — A voz dela. Doce. Insegura.
Inferno.
Só de ouvi-la, meu corpo reage. Eu deveria mandá-la sair. Deveria protegê-la de mim.
Mas quando olho em direção à porta e a vejo ali, tímida, mordendo o lábio do jeito que me destrói por dentro não consigo.
— Entre — digo, mesmo sabendo que estou cometendo outro erro.
Ela entra devagar, como se tivesse medo de cruzar uma linha invisível.
Se soubesse o que meu corpo está implorando para fazer, ela correria para longe.
— Você saiu tão rápido — ela diz, sem saber onde colocar as mãos.
— Eu fiquei preocupada.
Eu rio.
Um riso baixo, amargo, perigoso.
— Preocupada? — Aproximo-me dela, cada passo calculado, mesmo que eu esteja longe de qualquer controle.
— Helena, se soubesse a metade do que passa pela minha cabeça agora não estaria preocupada. Estaria correndo.
Ela engole seco.
— Então me diz — sussurra.
Droga.
Ela não faz ideia.
Ou faz, e mesmo assim está aqui.
Eu paro diante dela. Perto demais, como sempre faço. A respiração dela embala a minha.
— Você sabe o que está fazendo comigo? — pergunto, prendendo uma mecha de cabelo atrás da orelha dela.
— Não deveria nem estar perto de mim depois de hoje. Eu te avisei.
— Você disse que não conseguiria parar — ela lembra baixinho.
— Mas eu também não quero que você pare.
Essas palavras…
Explodem dentro de mim como gasolina em fogo.
Antes que eu perceba, minha mão está na cintura dela, puxando-a contra mim com força.
Meu corpo encosta no dela, e ela solta um suspiro que me rasga por dentro.
— Helena… — Eu aperto os olhos, tentando buscar qualquer resto de razão.
— Isso é errado.
— Então por que parece tão certo? — ela pergunta, levantando o rosto para mim.
Eu perco.
Perco tudo.
Seguro o rosto dela entre minhas mãos e encosto minha testa na dela.
Meus dedos deslizam para sua nuca, puxando levemente seu cabelo.
Ela arfa. Eu quero mais. Eu quero tudo.
— Você está me deixando louco — digo, a voz rouca, quebrada.
— Eu nunca desejei ninguém assim, Nunca perdi o controle dessa forma.
— Então não tenta se controlar — ela responde, e essas palavras me destroem de vez.
Eu a beijo.
Não como antes.
Não com medo.
Com fome.
Com necessidade.
Com o tipo de desejo que um homem como eu não deveria sentir.
Ela corresponde com a mesma urgência, as mãos agarrando minha camisa, puxando, exigindo.
É como se estivéssemos presos um no outro, como se nada além disso importasse.
Eu a pressiono contra a parede atrás dela, sem pensar.
Meu corpo inteiro responde ao toque dela, ao sabor dela, ao jeito como ela se entrega, mesmo sabendo quem eu sou ou achando que sabe.
A boca dela é quente.
O beijo é uma explosão.
E eu estou perdido.
Minhas mãos descem para sua cintura, depois para suas coxas, puxando-a para mais perto, como se precisasse marcá-la de alguma forma.
Ela suspira meu nome, e esse som faz algo dentro de mim ruir.
Eu quebro o beijo, mas não me afasto.
Minhas mãos continuam no corpo dela.
Minha respiração ainda invade a dela.
— Helena — digo, quase implorando.
— Diga que eu posso continuar.
Ela toca meu rosto, suave, vulnerável.
— Damian você já continuou faz tempo.
E é verdade.
Eu já passei da linha.
Do ponto sem retorno.
Da barreira que me protegia dela e que a protegia de mim.
Minha mão aperta sua cintura com mais força que deveria.
— Você vai ser minha ruína — sussurro, encostando os lábios no pescoço dela.
— E eu nem consigo me arrepender disso.
Ela treme.
Eu também.
O desejo explode, cru, faminto, incontrolável.
E eu sei, com absoluta certeza:
A partir deste momento, não existe mais volta.
Nem para mim.
Nem para ela.
Nem para nós.