CAPÍTULO 12

567 Words
Helena Eu não sei dizer exatamente quando começou. Só sei que, nos últimos dias, a sensação ficou impossível de ignorar. No começo, achei que fosse só paranoia, consequência do jeito controlador de Damian, de suas aparições repentinas, de seu olhar que parece sempre saber mais do que deveria. Mas hoje, hoje não dá mais para fingir. Tem alguém me seguindo. Percebo isso logo de manhã, no caminho para o trabalho. Estou atravessando a rua quando noto um carro preto parado do outro lado, vidros escurecidos, motor ligado. Ele não se move, Não buzina, Apenas fica ali. Observando. Ou esperando. Tento ignorar, respiro fundo, sigo meu caminho. Mas, ao virar a esquina, ouço o motor acelerar. Olho discretamente pelo reflexo da vitrine de uma loja. O carro vira exatamente atrás de mim. Meu coração dispara. Uma onda de calor sobe pelas minhas costas. Tento agir normalmente, como se nada estivesse acontecendo, mas meus passos ficam mais rápidos. E quanto mais ando, mais certa fico. Alguém está me seguindo. Alguém está de olho em mim. Quando finalmente chego na empresa, minhas mãos tremem ao passar o crachá. Julia percebe. — Helena, você está bem? — Estou só cansada. É mentira. Eu sei que ela percebe, mas não insiste. E então, como se o universo quisesse piorar tudo, Damian aparece no corredor. O olhar dele pousa em mim imediatamente. Rápido demais, Intenso demais, Avaliador demais. — Você está pálida — ele diz, se aproximando como se tivesse todo direito sobre meu espaço. — Aconteceu alguma coisa? Tento manter a compostura. — Não, Só acordei cedo demais. Mentira de novo. E ele sabe. O maxilar dele se contrai. Aquela pequena tensão que aparece sempre que algo não sai como ele quer. — Tem certeza? — ele insiste, a voz mais baixa, quase um sussurro. — Tenho. Ele me observa por longos segundos. Longos demais. Como se tentasse arrancar a verdade diretamente da minha mente. — Se algo acontecer — ele fala lentamente — você me avisa. Não é um pedido. É uma ordem. Engulo seco. Ele se afasta, mas não sem antes lançar um último olhar. Um olhar que me faz engolir perguntas que eu não tenho coragem de fazer. Na hora do almoço, tento sair para respirar um pouco. Só dez minutos. Só para arejar a cabeça. Mas assim que piso na calçada, meu corpo endurece. O mesmo carro preto está lá. Parado. Na mesma posição. Como se esperasse por mim. Meu sangue gela. Eu vi esse carro duas quadras antes. Vi ontem, saindo do metrô. Vi outro dia, na padaria. Isso não é coincidência. De repente, um arrepio percorre minha coluna, tão forte que me dá náusea. Sinto o peso de um olhar. Não sei de onde. Não sei de quem. Apenas sei que está ali. Me observando. Contando meus passos. Estudando meus movimentos. Sem pensar duas vezes, volto para dentro do prédio, respirando rápido demais. Julia me olha confusa quando eu retorno tão depressa. Eu tento agir naturalmente, mas sinto o coração batendo na garganta. Algo está acontecendo. Algo que eu não entendo. Algo que me assusta mais do que estou pronta para admitir. E o pior? Mesmo sem provas, uma parte de mim sabe. Sabe que isso tem a ver com ele. Com Damian. Com aquilo que ele não diz. Com aquilo que ele esconde. Ou com aquilo que ele faria, para “me proteger”.
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