O garçom acabava de sair da mesa deles com os pedidos anotados. Júlio e Eduarda tomam um gole da bebida deles e enquanto ela, olha pela janela vendo as pessoas indo e vindo na calçada, o seu amigo a observa e suspira.
Ele sente um nó formando na sua garganta. O medo de falar e acabar perdendo a sua amizade é tamanho, mas Júlio prefere arriscar. Precisa tirar esse sentimento do seu coração e revelar-lhe o que sente desde a época da faculdade em que a viu pela primeira vez na sala no primeiro dia de aula.
- Duda...
Júlio a chama atraindo a sua atenção para ele. Ela vira-se com um sorriso e o mesmo, sente o seu coração se aquecer. Sentindo-se assim, ele sorri sem graça e toma mais um gole do seu suco. Seria ótimo, se fosse algo forte para lhe dar a coragem necessária, mas era agora ou nunca.
- É que...
Antes que ele pudesse falar, o garçom chega com os pedidos interrompendo qualquer forma de comunicação naquele momento.
- Aqui está o pedido de vocês. Bife à parmegiana com arroz, batatas saltiê, para a senhora e macarrão à carbonara com cogumelos e brócolis para o senhor. Com licença e boa apetite.
Os dois respondem em uníssono.
- Obrigado.
Olhando para a sua amiga, ele a incentiva a comer.
- Bem, vamos comer. Depois conversamos.
Ela apenas balança a cabeça em afirmação. Os dois começam a degustar da sua refeição em meio a um silêncio agradável. Após terminarem o almoço, eles estavam no café e uma pequena fatia de torta de maçã como sobremesa.
Júlio, finalmente toma coragem. A coragem que precisava apara se declarar.
- Duda, bem, eu queria conversar com você...
- Sim, Júlio. Pela sua cara parece ser algo sério. Aconteceu alguma coisa?
- Primeiro queira te pedir que me ouça. Depois que eu te falar o que preciso, se você nem quiser a minha amizade, eu entenderei.
Colocando a mão sobre a dele que repousa na mesa, ela o acaricia e sorri transmitindo-lhe conforto.
- Pode falar Júlio. Saiba que a nossa amizade não irá mudar independente de qualquer coisa.
Ele sorri e coloca a sua outra mão sobre a dela e ao arranhar a sua garganta, ele dispara.
- Obrigado minha linda. Bom, o que tenho para te falar é que eu te amo Duda.
- Eu também te amo meu amigo.
- Duda, eu te amo, mas não como amigo, eu te amo como homem.
Perplexa, Eduarda retira a sua mão delicadamente dele, se recosta na cadeira em choque. Ela está incrédula com essa revelação. Ela nunca imaginara que o seu amigo desde a faculdade, pudesse ter esse sentimento guardado no seu peito por muito tempo.
- Como assim Júlio?
- Duda, você não tem culpa dos meus sentimentos. Eu já não suportava mais esconder isso por muito tempo. Precisava confessar a você. Não espero que me retribua, mas não queria mesmo revelar esse sentimento que tenho por você e a nossa amizade acabasse.
Eduarda compreende a angustia do seu amigo. Ela sorri e ao colocar uma mecha dos seus cabelos encaracolados atrás da orelha, ela murmura.
- Júlio, eu sei que você não espera que eu retribua. De verdade, eu nunca suspeitei que você me amasse assim. Mas, eu quero mesmo que saiba que a nossa amizade é importante para mim. Você é e sempre foi uma pessoa especial. A nossa amizade não vai mudar por isso.
Suspirando aliviado, Júlio passa a mão pelo seu rosto e dá um leve aperto no seu queixo. Ele sorri.
- Realmente, eu esperava mesmo que ao revelar os meus sentimentos para você, a nossa amizade acabasse. Obrigado de verdade, minha querida Duda.
- Não se preocupe que não vai. Agora, vamos voltar. Tenho ainda alguns processos para revisar e tramitar algumas petições para o juiz Veloso.
- Vamos sim.
Ao levantarem-se para seguirem ao balcão para pagamento do almoço, Eduarda coloca a mão no ombro do seu amigo e o para no meio do caminho.
- O que foi Duda?
- Queria te falar uma coisa.
Júlio, sentiu um aperto no seu peito. Ele imaginou que ela iria voltar atrás do que ele revelou. Aquele brilho e sensação de alívio começou a se tornar preocupação e apreensão.
- Como eu disse a nossa amizade nunca irá mudar, espero de verdade que você encontre uma pessoa bacana na sua vida e que você seja muito feliz.
- Ah, era isso...
Júlio leva uma mão ao seu peito, bem em direção ao coração e sorri fazendo um pequeno drama.
- Nossa, pensei que iria me dispensar por completo. Kkkkk.
Eduarda dá um tapa no seu braço e debocha.
- Hahaha, engraçadinho. Deveria né?!
- O QUE?!
- Kkkkk, seu bobo, vem, vamos logo.
- Vamos.
Os dois dividem a conta e ao saírem do restaurante e caminharem até o estacionamento em que os seus carros estão, Eduarda olha para o outro lado da rua em uma esquina e vê novamente aquele mesmo carro com os dois homens de mais cedo.
Percebendo que a sua amiga olha para um lugar e está parada em choque e tentando saber o porquê e quem eram eles, Júlio olha na mesma direção e tocando no ombro dela, ele pergunta.
- O que foi Duda?
- Ah, nada não.
- Tem certeza?
De repente, o carro arrasta cantando pneu indo embora. Eduarda, suspira aliviada.
- Ufa. Bom, vamos então?
- Vamos. – Ele olha para a sua amiga desconfiado.
Os dois, seguem para o escritório e Eduarda permanece imersa o restante da tarde, pensando em quem poderiam ser aqueles homens e que aquilo não era uma coincidência.
Dessa vez, Eduarda resolveu seguir para o seu apartamento ao dar 18h e passou frente a sala do seu amigo que ainda estava focado no seu computador trabalhando. Ela sorri e acha melhor não incomodá-lo seguindo para o estacionamento do prédio e pegando o seu carro.
Ainda um pouco atordoada com aquela sensação de estar sendo observada, Eduarda antes de entrar no seu carro, olha ao redor e não vê nada suspeito. Ela entra no mesmo, dá a partida e segue para o seu apartamento.
Para relaxar, ela coloca a sua playlist para tocar. Músicas como sempre gostou de forma aleatória. Sertanejo, internacionais, rock, enfim, uma infinidade de gêneros que ela se diverte e esquece por um momento os homens que pareciam segui-la em momentos que ela percebeu.
Chegou no seu apartamento uma hora depois devido ao horário de pico e em plena cidade grande, estar um fluxo grande de congestionamento no trânsito.
- Enfim, meu doce lar.
Ela fala ao adentrar no seu apartamento em pleno silêncio e breu que ela sempre fora acostumada. Ao acender a luz do pequeno corredor em que ilumina uma parte da sala e a cozinha, Eduarda leva um grande susto e grita ao ver ao longe uma sombra sentada na poltrona da sua sala.
- Ahhhh. Que merda!
- Olha a boca suja baixinha.
A voz rouca e baixa, ressoa no ambiente. Eduarda não acredita que seja quem ela pensa. Caminhando um pouco mais a frente para ver melhor e poder acender a sala em que aquela sombra e voz estava. Antes de alcançar o disjuntor, ela murmura.
- Henrique, é você?
Um riso nasalado é disparado. Ele segue em direção a ela. Ao acender o disjuntor, ela sorri ao vê-lo, mas logo se lembra de como ele conseguiu entrar no seu apartamento. Ela fica séria e o indaga.
- Hum, é você. Como você entrou no meu apartamento hein?
Sorrindo marotamente, ele envolve os seus braços na sua cintura e a puxa de encontro ao seu corpo. Ele sente ainda mais o seu corpo se acender por ver que ela está emburrada e brava. Aquilo, o deixa ainda mais e******o.
Ele a beija suavemente e sorrindo, fala.
- Como você acha que eu consegui entrar? Tenho os meus meios minha baixinha!
Ele leva o seu nariz até o meio do pescoço da sua amada inalando o seu cheiro. Ela revira os olhos sentindo um desejo latente no seu corpo. Ela envolve os seus braços na sua nuca e os dois iniciam um beijo urgente, saudoso e desejoso entre eles que se intensifica cada vez mais.
Ali, eles esquecem que são advogada, chefe do morro. Apenas, são uma mulher e um homem que se apaixonaram perdidamente...