Ainda admirada com a sua amiga pela generosidade que teve com aquela menina que olhando bem, se lembrou de ser a mesma do baile em que houve aquela confusão. Sentindo-se incomodada com os olhares de Mariana lançados a ela como se a mesma fosse um ET, ela pergunta a Eduarda se pode comer assistindo Tv.
- Doutora, posso comer assistindo TV?
Virando-se para Estefane, ela sorri e assente.
- Claro que sim. Fique a vontade.
Ela pega o seu prato e copo de suco seguindo para a sala respirando aliviada por não estar sob os olhares curiosos da amiga de Eduarda.
Mariana balança a cabeça em negação olhando aquela garota desaparecer do seu campo de visão. Virando-se para a sua amiga, ela percebe a mesma lhe encarando com uma cara estranha.
- Posso saber o que tanto olha para a garota Mari? – O tom de Eduarda é áspero.
A sua amiga se inclina sobre a ilha com os braços cruzados e gesticula com a cabeça, que a mesma se aproxime.
Eduarda bufa e revira os olhos pois, uma das coisas que ela não gosta, é ficar de cochicho principalmente quando a pessoa que se quer saber algo, está bem ao lado delas, mesmo estando na sala assistindo TV.
Como ela sabe que a sua amiga não lhe dará sossego, se aproxima da mesma virando o ouvido, para escutar o que a sua amiga tem a dizer.
Mariana fala baixo como um sussurro.
- Ela é aquela garota da confusão no baile, me conta o que houve com ela ou eu mesma pergunto para a própria o que houve?
Com os arregalados, se afastando para encarar a sua amiga, como de fato ela só constata que ela não está brincando, ela acena em negação com uma carranca. Mas, a sua amiga balança a cabeça em afirmação. Fazendo uma careta, ela acaba lufando o ar e em rendição, começa a contar tudo o que houve com a garota.
Perplexa com o que acaba de saber, Mariana está com a boca aberta em um O, Eduarda acena com a sua mão na frente do rosto da sua amiga que pisca algumas vezes até sair do seu transe.
Como pode um pai fazer isso com uma filha? Ela se perguntava, até encarar a sua amiga incrédula de que tudo aquilo pode acontecer.
- Estou chocada de rosa choque quenga. Que homem asqueroso.
Suspirando triste, Eduarda concorda.
- É, bota asqueroso nisso.
As duas estão com uma cara de lamento, até que Eduarda, encara a sua amiga e faz um pedido.
- Mas olha, vê se não seja inconveniente em deixar a menina constrangida.
- Aff, até parece que eu faço isso! – Ela finge injustiça.
Rindo, Eduarda retruca antes de virar-se para pia e voltar a preparar mais sanduiches.
- Quem não te conhece, que te compre Mariana!
- Argh, que injustiça viu. – Mariana se mostra indignada.
As duas começam a rir.
Enquanto elas conversam animosidades, Estefane está bem focada no que está passando na TV, ela gosta muito de filmes de ação, e está passando um muito bom. Mas o bip de mensagem no celular de Eduarda, tira-lhe a atenção.
A sua curiosidade fala mais alto, e a mesma passa o olho rápido na mensagem enquanto o visor ainda está aceso e fica nervosa com o que lê.
“Dotora, novidade do caso do meu chefe Alemão Dark? Me liga. Trator”.
Ela levanta-se abruptamente e começa a andar de um lado para o outro contorcendo as mãos uma na outra, ela balança a sua cabeça em negação.
Como os sanduiches já estavam prontos, Eduarda e Mariana seguem para a sala, afim de acompanha-la no filme e no lanche para também conversarem.
Eduarda, somente ocultou o fato para a sua amiga que estava naquele baile a procura mesmo daquela menina para ajudar o seu cliente.
As duas chegam a sala rindo, mas logo os sorrisos se desfazem ao presenciar uma Estefane totalmente diferente da que estava minutos atrás. Ela parecia estar em um surto.
Colocando o seu prato e copo sobre a mesinha de centro, Eduarda se aproxima da menina e tenta toca-la. Mas a mesma, ao sentir que alguém se aproximava se desvencilha e logo a encara com um ar sombrio.
- Está tudo bem Estefane?
- O Trator mandou mensagem pra senhora! – Ela fala sem nenhuma emoção.
Olhando de relance para Mariana, Eduarda engole em seco e força um sorriso.
- Desculpa Estefane eu posso explicar.
- Pode! Será que pode mesmo?! – Ela grita com as mãos nos cabelos e os apertando com força.
Eduarda acena um sim com a sua cabeça e tenta mais uma vez se aproximar, mas, dois passos para trás, Estefane dá.
Olhando mais uma vez para Mariana que as olha assustada sem entender o que acontece entre elas, Eduarda dispara.
- Mari, poderia ir para a casa agora por favor.
- E porque eu iria! Está na cara que essa garota não tá bem e pode te fazer algo.
Exasperada, Eduarda fala de forma ríspida para a sua amiga.
- Mariana por favor! Eu preciso falar com ela em particular e sei o que faço.
Erguendo as mãos em rendição, de forma relutante, Mariana acaba concordando.
- Tá bom! Mas ó garota... – Mariana fala apontando o dedo em direção a Estefane.
A mesma não se sente intimidada e a olha com o nariz empinado toda afrontosa.
- Estou de olho. Caso alguma coisa aconteça com a minha amiga eu sei quem é você.
Gesticulando com a boca imitando o que Mariana acabou de falar em deboche, Eduarda intercala o seu olhar entre as duas, até olhar feio para Estefane que logo abaixa a cabeça.
Olhando novamente para a sua amiga, ela espalma as mãos no ar e com uma cartea, pega a sua bolsa e sai sem ao menos se despedir da amiga batendo a porta.
Olhando novamente para Estefane, ela fala de forma mais autoritária.
- Agora senta que vamos conversar.
Se encolhendo, ela senta-se no sofá abraçando as pernas cabisbaixa.
Eduarda senta-se ao seu lado e começa a falar tudo o que sabe. Cada palavra que ela lhe direciona, era como um tapa na face que Estefane recebe daquela advogada.
Assim que ela termina de falar tudo, ela encara Estefane que agora a olha com um olhar perdido e fala com uma voz calma e cheia de doçura.
- Bem Estefane, ao concordar em denunciar o seu pai pelos abusos e sim, que seja feito a comparação do DNA caso você não confirme na justiça que o meu cliente não fez nada, o senhor Antônio será preso.
- Mas, se eu falar que o Alemão não fez nada, ele vai solto. Aí quem sobra sou eu.
- Para falar a verdade não. Ele não fará nada contra você pois, sabe que por ser menor de idade, você foi coagida pelo seu pai.
- Coa o que?!
- Coagida. É quando uma pessoa é ameaçada de alguma forma por alguém que a faz cometer algo errado contra algo ou alguém, como é o seu caso.
- Ah, entendi. Mas isso não vai implicar com a senhora não?
- Não. Da mesma forma que eu estou sendo a sua advogada, ele também é o meu cliente, mas a pergunta que quero uma resposta é, você está disposta a ajudar?
Olhando para o chão, Estefane parece pensar. Ela fica quieta por alguns minutos, até que encara novamente Eduarda e sorri.
- Sim doutora, se pelo bem da minha mãe e meu, eu ajudo sim. Quero mesmo meu pai pagando por tudo de r**m que fez comigo e ela.
Eduarda respira em alivio e sorri.
- Ótimo! Então, amanhã mesmo voltamos para a delegacia tudo bem?
Ela apenas assente com um sorriso. Eduarda a abraça e a mesma lhe retribui como se sentisse naquele abraço a proteção que ela sempre buscou em alguém. As duas assistem o filme e depois cada uma segue para o quarto após limparem juntas a cozinha e dormirem.
O dia seguinte, prometia...