Desculpe-me?

1908 Words
Era nítido que algo estava me incomodando, por mais que eu tentasse o máximo fugir das lembranças eu não conseguia disfarçar o fato de estar triste. Já estava ficando tarde quando Daniel foi embora e Carol me chamou para dormir na casa dela, no fundo ela sabia que aquilo que falei sobre o a noite passada não era toda a verdade por isso o convite, assim ela poderia tentar descobrir a verdadeira história. Assim que terminamos o jantar fui me arrumar para dormir, quando saí do banheiro passei pelo corredor que dava acesso aos quartos e vi a mãe de Carol no quarto dela sozinha com uma foto polaroid em suas mãos. Ela parecia estar triste olhando para aquela foto, fiquei por alguns segundos a observando para tentar entender o que estava acontecendo até que ela notou minha presença e me chamou. — Já vai dormir Elisa? Perguntou Sofia enxugando os olhos cheios de lágrimas. — Sim, já estava indo para o quar… Ela me interrompeu me pedindo para eu sentar na cama ao seu lado. — Você lembra do seu primeiro amor? Lembra como é bom? Lembra como dói? Às vezes esse amor fica guardado com a gente por toda nossa vida, podemos falar que não sentimos nada ou nem lembramos da pessoa, mas isso é você tentando mentir para si mesma. Disse ela segurando firme aquele retrato. — Quem é ele? Apontei para a foto. — Meu pai costumava me dizer que a primeira vez que uma pessoa se apaixona, isso irá mudar a vida dela para sempre e por mais que você tente, esse sentimento nunca irá desaparecer. Esse rapaz na foto foi o meu primeiro amor e não importa o tempo que passe ou com quem eu esteja no futuro as lembranças e o sentimento vai ficar comigo para sempre. Disse Sofia com um olhar tão profundo que parecia passar um filme em seus olhos. — E oque aconteceu com vocês? Perguntei com a esperança de ouvir uma grande história de amor. — Elisa, sabe qual a melhor coisa sobre uma fotografia? — Não, o'que? — É como se você congelasse um momento especial de sua vida, só que a melhor parte é que a pessoa dessa foto nunca vai mudar mesmo que se hoje em dia ela seja totalmente diferente. — Mas hoje você é casada com o seu marido, né? Não é feliz com ele? — A questão não é essa Elisa, e sim, eu sou casada com o Carlos e sou muito feliz com a família que construímos. Disse ela com um sorriso contagiante no rosto, mas ainda dava para notar as lágrimas em seus olhos. — E porque está chorando? Perguntei um pouco intrigada com oque estava acontecendo. — Não é tristeza e sim de felicidade. Sabe, olhar essa foto e lembrar das cartas, do cheiro, das risadas, dos momentos em que tudo parecia ser perfeito é a melhor forma de vê que por mais que ambos seguiram suas vidas, o carinho um pelo outro ainda está aqui. As melhores coisas da vida não são aquelas que vão durar para sempre e sim aquelas que deixam boas lembranças, nunca se esqueça disso Elisa. Disse Sofia com um sorriso no canto da boca. — Já pensou em reencontrar ele? — Não, realidades diferentes. É melhor ficar só com as lembranças… “Triiiiiiim”... Nossa conversa foi interrompida pelo barulho do meu celular tocando, para minha surpresa era a Vih. Pensei se deveria realmente atender depois do jeito que ela me tratou mais cedo na escola, sei que a noite passada foi turbulenta mas precisava mesmo ela agir daquela forma comigo? — Não vai atender? Perguntou Carol entrando no quarto e me olhando com um olhar fixo. — Vo-vo-vou… Já sentiu alguma vez na sua vida aquela sensação de desespero? Sentir meu coração acelerado, minhas mãos começaram a suar frio, parecia que alguém estava me sufocando e por um momento os segundos pareciam horas. Me levantei mesmo com as pernas tremendo e saí do quarto para atender o celular. — Alô, Vih? — Oi, você pode falar agora? — Posso. — Desculpa … Disse Vih com uma voz baixa e rouca, dava pra sentir a frieza em seu tom de voz. — Pelo que? — Por ontem, e por eu ter sido uma escrota hoje de manhã e ao menos ter explicado o que aconteceu. A verdade é que eu nem sei se deveria ter te ligado, mas sinto que te devo uma explicação. — É, você estava estranha. — Eu gosto de você e quero muito tentar ter algo, mas eu preciso que você tenha paciência porque tem muitas coisas acontecendo em minha vida que você não entenderia. — Então resolva esses problemas primeiro antes da gente dar o próximo passo, não quero ser um ponto onde você desconta suas frustrações. Eu gosto de você, mas gostar de você está me machucando. — Eu sei que errei, fui infantil a ponto de te deixar sem nenhuma explicação. Mas… Um silêncio tomou conta do momento, parecia que ela havia se engasgado com suas próprias palavras. — Estou ouvindo. Afirmei. — É complicado, sabe, minha família é muito tradicional e eles têm o seu próprio jeito de agir. Não quero te machucar com isso. — Entendo, foram seus pais que te mandaram a mensagem? — Não, foi meu irmão. Ele me viu no restaurante com você e disse que papai não gostaria de saber disso pois eu estava estragando os planos… — Planos? Mas que planos? — Eu falei planos? Não, quero dizer… Ele não gostaria de me ver envolvendo com alguém no momento, não é a hora certa para eles. Aquela conversa estava cada vez mais confusa, parecia que ela estava inventando essa história toda para não ter que falar a verdade. Por alguns segundos só pude escutar a respiração pesada e tensa do outro lado da ligação, deixando assim um clima muito tenso e frio. — Tá, mas como você está? Tentei quebrar aquele clima frio que estava. — Estou bem! A gente podia sair qualquer dia desses, precisamos conversar sobre o que está acontecendo entre a gente. — Claro! Se você não sair do encontro novamente sem ao menos me explicar o que está acontecendo. — Prometo que dessa vez vai ser diferente, com o tempo as coisas vão ficar claras. Mas agora preciso ir, te vejo amanhã? Perguntou a Vih com um tom de voz agitado como se quisesse acabar com aquela conversa o mais rápido possível. — Pode ser. E quando eu menos esperava a ligação terminou, curta e simples. Aquela Vih do outro lado da ligação nem parecia a garota que eu havia conhecido há uns meses atrás. Eu consigo lembrar com toda clareza o dia em que nós nos conhecemos, ela estava linda como sempre e roubava toda a atenção na festa; parecia que ela fazia aquilo de propósito e gostava de ver que a atenção estava sendo toda voltada para ela. De todas as pessoas que estavam na festa ela me escolheu e eu nem poderia imaginar o que viria depois do primeiro “oi”... Consigo lembrar a sensação boa de borboletas no estômago depois do primeiro beijo, a sensação de minhas mãos percorrendo lentamente por seu corpo e sentir a leveza de tua pele, o suave toque dela e aquele perfume em teu pescoço que deixou um cheiro marcado em minha alma. — E esse sorriso boba no rosto? Perguntou Carol, chegando de surpresa. — Aa.. Não é nada de mais. — E você acha que me engana? Sou sua amiga, eu te conheço bem. Afirmou Carol sentando ao meu lado com um olhar curioso. — Pode começar a falar, sei que a responsável por esse sorriso era a garota do outro lado da ligação. Mas a questão é, quem era? Perguntou Carol dando um leve suspiro. — Você tem razão, Carol sempre tive medo de afirmar isso e você melhor que ninguém sabe disso. Pensei que seria algo passageiro mas não, hoje vejo que estou totalmente apegada naquela menina… — ESPERAAAA!! Não venha me dizer que você está falando daquele ser humano. Dava para notar de longe a raiva nos olhos de Carol. — Espera, a gente começou errado e não custa tentar de novo… E sem que eu pudesse terminar a frase Carol me interrompeu. — Elisa Rossi escute bem, eu não sei oque aconteceu com vocês duas naquela noite mas de uma coisa eu sei, é que te fez muito m*l. E você acha que ela ligando aqui e jogando um monte de palavras vazias e sem valor anula tudo oque ela te causou? Exclamou Carol erguendo as sobrancelhas com um olhar fixo à mim. — Eu não falei que anula, a gente ainda vai conversar sobre tudo que ela fez e tentar entender oque rolou. Você é minha amiga e deveria me apoiar nisso já que tenho quase certeza que o Daniel não vai. — E ele tem toda razão né! Toda vez que você se entrega demais à ela você volta machucada, e o'que te garante que dessa vez vai ser diferente? Perguntou Carol com um tom debochado. — Pela primeira vez ela me pediu desculpas, acho que de fato ela quer tentar mas tem medo. E outra vez sou interrompida pela Carol. — Medo de que pelo amor de Deus, de te amar? De aparecer com você em público? Por ta gostando de uma garota? A Elisa para né, tá na cara que ela só te enrola e só sai com você quando não tem outra opção! — Não é isso… — Então me explica! Quero detalhes, porque pelo oque estou vendo ela só está te usando. Disse Carol cruzando os braços e me olhando fixamente. — Bom… É quem… Sabe… É complicado… — Para de enrolar, complicado é você querer sempre fugir do assunto e ficar dando uma desculpa para não contar a verdade!! Já se podia sentir ódio na voz de Carol, normalmente ela costuma ser bem calma e quando ela chega a esse ponto é porque realmente algo tirou toda paciência dela. A Carol às vezes se preocupa demais comigo, ela esquece de se preocupar com sigo mesma e volta toda a atenção para mim. — Tá, vou te contar tudo que aconteceu só que antes quero que me prometa algo. Me promete que não vai brigar comigo? Eu estou cansada de pedir conselhos e todo mundo vim me julgar ou ficar brigando pelo oque aconteceu. Se eu quisesse uma mãe no meu pé eu conversaria com a minha. — Tá bom, eu só quero entender o porque defende tanto uma pessoa que só te faz m*l. — A Vih me chamou para ir jantar e acabei indo com ela e como eu falei mais cedo estava tudo indo de acordo como planejado, ela estava sendo a pessoa mais fofa e atenciosa que já conheci. Ela não estava muito interessada no celular no começo mas depois de um tempo um número começou a ligar para ela a cada minuto e só parou quando ela leu a mensagem que havia recebido e ela mudou completamente comigo. Depois que ela leu a mensagem ela disse que não deveria ter feito isso é que estava estragando tudo, que tínhamos que nos afastar. Ela falou que eu era um erro na vida dela e que ela estava começando a se apegar e isso não poderia acontecer.
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