Lentamente Entendido

2080 Words
Taemin fazia de propósito. Já estava bem óbvio para o Lee que mesmo Minho o tratando como “um cara”, ele o enxergava sim como ômega e sentia atração por seu corpo. Queria que o Choi gostasse dele, o amasse um dia, porém sabia que não seria nada fácil. Usar de atração física para fazer o alfa desistir de sua negação era um golpe muito baixo a ser dado, mas já não havia mais outra saída. Minho não estava se apaixonando, pelo contrário, parecia estar aos poucos o jogando para a pior zona de todas, a zona de amigo. E nem era aqueles amigos com benefícios, era no máximo um amigo de sair pra jogar bola nos fins de semana e beber uma cerveja. Taemin nem jogar bola sabia. Não, Taemin não podia se tornar um amigo para Minho, ele era sua Alma Gêmea, deveria ser bem mais do que isso para o alfa, deveria ser seu porto seguro e sua eterna fonte de felicidade e amor. Mas o Choi não cooperava em nada, ele estava apenas piorando e tornando tudo ainda mais complicado, criando um emaranhado de sentimentos, onde poucos deles eram positivos. Taemin não queria mais ser enxergado como algo que irritava Minho, e apenas isso. — O que está fazendo? Era sempre assim que o Choi reagia quando o ômega chegava de mansinho e o abraçava pelas costas, deveria ser apenas um abraço comum, mas Taemin costumava aproveitar para alisar o abdômen alheio. Ele era um rebelde sem causa, na linguagem dos advogados. — Eu só vim pedir para você sair da varanda, vou usar como fundo para o vídeo que vou gravar, se ficar aí vão te ver. — Taemin queria mostrar seu bronzeado novo enquanto ainda estavam no hotel, tudo para o seu vlog sobre sua tão romântica viagem com seu alfa — Mas se não tiver problema que te vejam, pode ficar aí mesmo, por mais que eu ache que você de costas chame atenção demais, é o m*l de ser um alfa gostoso. — O que acontece se eu te jogar dessa varanda? — Vou sair voando. — o mais baixo respondeu tão convicto como se aquilo fosse possível — Porque eu sou uma fada. O Choi riu, Taemin não levava a sério nem uma ameaça, por mais que ela tenha sido apenas uma brincadeira de alguém frustrado, cansado e sentindo dores nos ombros. —  Nessa altura do campeonato eu não duvido de mais nada. Minho acabou deixando a varanda livre para que Taemin gravasse seu vídeo em paz. Lhe restava agora apenas deitar na cama e observá-lo enquanto montava um equipamento que o alfa sequer sabia que ele havia trazido junto. Tentou ler um livro que havia sido deixado na mesa de cabeceira, mas era difícil se concentrar enquanto o Lee tagarelava de frente para aquela câmera. Ele era engraçado, tanto seu jeito de falar, quanto suas expressões. E talvez até fosse pelo mesmo motivo que o público do ômega, mas Minho não conseguiu parar de olhá-lo ali. Ele parecia tão feliz, mesmo que tudo o que falasse não passasse de mentiras. Eles não haviam feito passeios românticos, não haviam tido conversas longas e agradáveis, não haviam ido a restaurantes chiques com iluminações bonitas e atrativas, não haviam comido algodão doce na pracinha da frente e nem haviam construído um castelo de areia na praia. Nada daquilo era real, mas por algum motivo, Taemin falava daquilo com os olhos brilhando. Não porque havia acontecido, mas porque ele queria que acontecesse. — Pare de ficar me olhando! —  só saiu de seus pensamentos quando Taemin o olhou e falou mais alto, provavelmente já estava há muito tempo o encarando — Eu fico envergonhado quando me olha por muito tempo, por favor, pare. — Desculpe, não vou olhar mais. Mas ele continuou o olhando por mais alguns segundos. — Eu te amo. — Taemin disse enquanto ainda o encarava. O alfa ficou confuso por alguns segundos, porém logo notou que não havia como ser algo sincero e aquele “eu te amo” era apenas para aparecer em seu vídeo e seus seguidores acreditassem mais na falsa relação que o Lee exibia para eles. Mas o que deveria fazer? Deveria dizer que também o amava? Seria estranho ouvirem um “eu te amo” de apenas um dos lados, pensariam que apenas Taemin amava e que não era amado de volta. — Eu te amo mais. Aquilo havia deixado o ômega muito surpreso e seu rosto mudou de cor. Não costumava ver Taemin corado, e aquela cena estava o prendendo bem mais do que achou que seria possível. Ele era tão... bonito. Taemin terminou seu vídeo poucos minutos depois, guardou todas as suas coisas de volta de mala, pois iriam embora no dia seguinte e precisava estar com tudo em ordem para não esquecer nada. Minho agora já se distraía mexendo em seu celular e agindo como se nada tivesse acontecido. Ele não queria falar sobre aquilo, mas aparentemente não era o mesmo desejo do Lee. O ômega se aproximou de mansinho como estava acostumado a fazer, bisbilhotou o que ele fazia e notou não ser nada muito importante, pois o mesmo apenas vagava por fotos e mais fotos em redes sociais, os olhos sem foco pareciam que nem estavam se concentrando nas imagens, e sim que estava com o pensamento bem longe daquele lugar. Em outro planeta talvez. Ou em outro momento. — Minho. — o chamou. — Hum? — Eu queria agradecer. — era estranho ouvir Taemin falando tão calmo e tão baixo, logo ele que costumava estar sempre falando mais alto que qualquer um — Agradecer por ter respondido que me amava, eu iria ficar muito sem graça se você não tivesse dito aquilo de volta. O alfa bloqueou a tela do celular e voltou seu rosto para ele. — Sabe, Minho, eu sei que te chateia eu estar o tempo todo forçando para as pessoas que estamos juntos, eu sei o quanto posso ser irritante às vezes, no seu caso, o tempo todo, mas essa não é a minha intenção, não consigo evitar essas coisas, quando vejo já estou te irritando e forçando a fazer o que eu quero de novo. — o mais novo o olhou fundo nos olhos, e dava para ver tudo ali. Ele estava triste. Minho não queria que Taemin ficasse triste, porém, como ele deveria estar? Deveria ter parado para analisar as coisas antes, ambos estavam forçando um ao outro a ser algo que não eram, a se tornarem outras pessoas para que assim pudessem ficar um ao gosto do outro. Mas também era difícil confiar em Taemin, não sabia quando o ômega estava apenas tentando o seduzir ou se estava realmente falando sério. — Não, eu é quem estou sendo egoísta. — essa era a realidade no fim das contas — Só pensei em mim o tempo todo e esqueci de pensar nos seus sentimentos, deveria ter te tratado melhor, ter cuidado de você do jeito que uma Alma Gêmea precisa cuidar. Fora o mais perto que Taemin havia chegado do coração de Minho, ficara tão emocionado ao ouvir aquilo que não conseguiu dizer nada, tudo o que conseguiu fazer foi deitar a cabeça no peito do Choi e se aninhar a ele como um bichinho pedindo colo. Minho se sentiu m*l, não pela aproximação do ômega, mas sim por ele próprio ter demorado tanto para permitir que o Lee se aproximasse assim. No fim, ele estava errado, só ele estava. Estava fazendo Taemin sofrer, por mais que o mais novo não demonstrasse esse sofrimento, por dentro, Taemin estava triste pela rejeição de sua Alma Gêmea, e era ferido sempre que o Choi o tratava como “apenas um cara”. Taemin não era “apenas um cara”, ele era seu ômega predestinado, e Minho precisava aceitar isso.     [...]     Pegaram um avião de volta na manhã seguinte, Minho agradeceu e pôs Taemin em um táxi para casa, e mesmo que Taemin quisesse muito se enfiar na casa do Choi novamente, ele também precisava de seu computador e outras coisas que haviam ficado em seu apartamento. Minho foi para casa acreditando que não demoraria muito até ter o ômega em sua porta novamente, desta vez com uma mala maior ainda e outras milhares de coisas que aos poucos ele espalhava por todo lugar como se já vivesse ali há décadas. Seu apartamento já cheirava a Taemin, os chinelos dele estavam jogados ao lado da porta seu guarda-chuva cor de rosa e um bilhete escrito dias atrás, quando avisou que havia saído para ir ao supermercado comprar comida processada que fazia muito m*l para saúde. Ainda restavam alguns pacotes no armário. Era um bom momento para analisar mais as coisas, Taemin já vivia ali, aquela já era a sua casa, e vez ou outra o ômega passeava no ou apartamento apenas para buscar algo ou lavar suas montanhas de roupas sujas — que não estavam sujas, ele as vestia e jogava no chão quando não combinavam com a outra peça —. Taemin já estava entranhado em sua vida de um jeito que não tinha mais como arrancar. — Parece que estou casado com ele há anos. — disse para si mesmo. Mas Taemin não apareceu naquele dia, não ligou e nem mandou as 395 mensagens que ele costumava mandar por dia. Minho acreditou que o Lee estava apenas descansado da viagem naquele, ou que estava ocupado editando seus vídeos como normalmente fazia quando ia para casa e demorava a voltar. Porém, a mesma coisa aconteceu no dia seguinte. Foi então que decidiu ligar, mas ter ligado o deixou ainda mais agoniado com aquilo. O telefone de Taemin estava desligado, não importava quantas vezes ligasse, todas as ligações iam direto para a caixa postal. Mas o Lee nunca deixava seu celular desligado, estava sempre com ele e era completamente anormal que ele não atendesse suas ligações. Tentou se distrair pela tarde resolvendo coisas no escritório, mas seus olhos não saíam da tela do celular, era absurdamente esquisito que o ômega ainda não tivesse visto suas ligações e retornado. Será que ele estava com raiva de algo? Minho buscava em sua mente qualquer coisa que tivesse dito no voo de volta, todavia, tudo parecia estar bem em relação a isso, ele não o havia ofendido. Quando se despediu de Taemin no dia anterior ele parecia estar bem, que nada estava fora do lugar. Já era quase noite quando não conseguiu mais aguentar a sensação r**m que se instalava em seu peito, aquele sumiço precisava ter uma explicação, o Lee não era simplesmente se trancar e ignorar todos por tanto tempo assim. Já estava começando a acreditar que poderia ter acontecido algo r**m com ele. Ligou para Kibum. — Eu sei que detesta receber ligações quando está no trabalho, mas eu não tenho outra pessoa para ligar, pelo menos, não alguém que possa me ajudar nessa situação. — Você está doente? —a voz perguntou do outro lado, Key já lançara um tom preocupado. Minho só ligava quando as coisas já estavam em última instância. — Não... Sim, eu não sei. — era difícil explicar — Key, faz quanto tempo que não fala com o Taemin? — Falei com ele ontem, coisa rápida, ele estava me falando da viagem que vocês, mas precisou desligar logo, disse que precisava fazer algo, mas eu ouvi a voz de alguém perto dele, voz de homem, mas não sei dizer se um alfa ou um beta, ômega eu tenho certeza que não. Taemin recebeu a visita de alguém, isso deveria soar como algo normal, porém havia deixado Minho ainda mais preocupado. Uma visita e então ele some? Era estranho demais tentar encaixar tudo isso em um bom motivo para não estar atendendo suas ligações. — Você não tem nenhuma ideia de quem possa ser? — Não. — respondeu logo — Minho, tem alguma coisa errada acontecendo? Tinha, tinha algo muito errado acontecendo, tinha certeza. — Eu não sei direito, me sinto estranho, com uma sensação r**m. — as sensações que os alfas sentiam nem sempre eram tão claras como as dos ômegas, eles possuíam uma maior dificuldade de entender seus sentimentos, era como se tudo para eles viesse em forma de quebra-cabeça. — É como uma pontada no coração? Sensação de desespero? — Algo assim. — Minho, você precisa ir ver o Taemin agora, ele está ferido.
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