Imperatriz Narrando Eu não sabia como minhas pernas ainda me sustentavam. Durante cinco anos, eu vivi com uma dor que só uma mulher que amou e perdeu entende. Era como se um buraco tivesse sido aberto dentro de mim, e ninguém, nada, conseguia preencher. O homem que era meu mundo, o único que podia suportar o peso do meu olhar, tinha desaparecido. Não morto, mas fora do meu alcance. Agora, ele tava ali, a poucos metros, lutando pra viver. A sala tava um caos. Joca e Janete faziam de tudo, mas os aparelhos continuavam apitando freneticamente. Cada som era como uma faca no meu peito. Eu via o corpo dele, magro, debilitado, mas ainda assim ele era o mesmo homem que dominava o Tuiuti com a força de um furacão. — Você não vai fazer isso comigo, desgraçado! — gritei, sentindo a voz sair mais

