Luz Narrando Passei a última semana tentando não surtar. Depois de três dias que pareciam perfeitos — rodeada de pessoas que cuidaram de mim de uma forma que nem lembro de ter sentido desde que me arrancaram dos meus pais —, o vazio voltou com força total. Sozinha, presa nesse apartamento, me senti mais isolada do que jamais imaginei ser possível. Não vou mentir, até nas mãos do Boris, aquele russo nojento, me sentia menos desprezada do que aqui. Porque lá eu tinha as meninas. Por duas vezes, uma loira baixinha e bonita entrou no apartamento. Ela parecia ter ordens claras: deixar várias sacolas e sair sem olhar para os lados. Eu a vi, mas ela nem notou minha presença. Era como se eu fosse invisível. Entre isso e a música que tocava na TV, foi o máximo de contato que tive com outras pess

