Luz Narrando Acordei mais uma vez, sem conseguir manter os olhos abertos. Meu corpo inteiro estava tomado por uma dor lancinante, e cada respiração era um esforço quase insuportável. O ar dentro daquele container era estranho, sufocante, e qualquer movimento parecia diminuir ainda mais o pouco de energia que me restava. Senti que, a cada segundo, a vida estava escapando por entre os meus dedos. Já fazia dois anos que eu estava presa nessa realidade. Dois anos sozinha, e, de alguma forma, aprendi a confiar mais nos sons ao meu redor do que na visão. De olhos fechados, conseguia distinguir cada movimento, cada vibração, cada presença. Era quase como um instinto aguçado pela sobrevivência. Naquele momento, ouvi passos. Eram leves, cautelosos, mas não o suficiente para me enganar. Minha men

