Luz Narrando Era o primeiro dia que eu acordava sozinha naquela casa. Sem o som do ronco dele, sem os movimentos pesados dele ao meu lado na cama. O silêncio parecia mais alto do que qualquer outra coisa. Estranho. Incômodo. Mas, ao mesmo tempo, trazia uma sensação de alívio. Ele cumpria a promessa que fizera: me proteger e não me deixar desamparada. Mesmo longe, ele estava ali, de algum jeito. Levantei devagar, tentando me acostumar com a quietude. Cada passo no chão frio parecia ecoar. Entrei no banheiro e liguei o chuveiro. O som da água preenchia aquele vazio. Enquanto a água escorria pelo meu corpo, senti as marcas dos hematomas quase cicatrizados. A dor física já não era tão intensa, mas a lembrança do tempo no container ainda pesava na alma. Deixei o banho durar mais do que o nec

