“Nada é mais perigoso do que um desejo que não pode ser saciado e um passado que se recusa a permanecer enterrado”.
Enzo Romano
Decidi ir até o apartamento do Luccas e tentar conversar após a conversa com a Jazz ontem à noite.
Eu precisava aliviar o clima entre nós e evitar constrangimentos durante a viagem.
Mas a proximidade com ele me deixou em brasas.
Saí de lá sentindo o peso do mundo e a urgência da carne.
O caminho de volta para o meu loft foi um borrão de luzes de Manhattan.
Eu estava em frangalhos, a mente rodando em torno daquela trégua frágil.
Assim que entrei em casa, joguei as chaves no aparador e fui direto para o banheiro.
Precisava tirar o cheiro do Luccas da minha memória, ou talvez, me afogar nele de uma vez por todas.
Liguei o chuveiro no máximo, deixando a água quente bater contra os meus ombros tensos.
Fechei os olhos e, no escuro das pálpebras, a imagem dele na cozinha surgiu com uma nitidez torturante.
Minha mão desceu pelo meu corpo com uma vontade faminta.
Meu p*u estava duro feito ferro. Comecei a me tocar, imaginando o corpo do Luccas, seu cheiro e seus gemidos
— p***a, Luccas... — rosnei baixo, a voz sumindo no barulho da água. — O que você está fazendo comigo?
Eu pensava no som da respiração do Luccas. No jeito que ele arfa quando eu sussurro algo obsceno no seu ouvido.
Apertei meu p*u com mais força, o ritmo acelerando conforme a água quente me envolvia.
— É assim que você me quer, não é? — murmurei, os dentes cerrados enquanto a imagem dele se tornava insuportável.
— Inteiro na sua mão... Merda, garoto... queria você aqui, gemendo para mim.
Eu o imaginava ali, sob o chuveiro comigo, com as mãos presas, entregando-se totalmente a mim.
Imaginei o gosto da pele dele, o contraste da sua juventude com a minha experiência.
O prazer veio como uma onda violenta, um espasmo que me deixou sem fôlego e me fez curvar contra a parede.
Após o momento, apoiei a testa nos azulejos frios, sentindo-me um completo i****a.
Eu, Enzo Romano, me comportando como um adolescente aliviando hormônios por causa de um homem que está tirando minha paz.
Antes, tudo era simples. Eu acharia uma mulher, exerceria meu domínio e saciaria meu desejo de dominador inveterado.
Eu precisava de controle, mas Luccas estava me tirando do eixo, roubando meu comando.
O dia seguinte começou com o cinza metálico do amanhecer de Nova York.
Luccas estava sentado à minha frente, focado em um tablet, fingindo que eu não existia.
O silêncio na cabine era tão denso que quase se podia tocá-lo. Até que a natureza resolveu intervir.
O avião sacudiu violentamente. Uma turbulência severa nos atingiu sem aviso. Luccas, que em outras ocasiões, demonstrou um pouco de medo de voar, soltou um arquejo e, por instinto, buscou apoio na poltrona ao meu lado.
Suas mãos agarraram meu antebraço com força. Nossos olhos se encontraram e, por um segundo, a máscara de frieza dele caiu, revelando apenas o medo e a necessidade de segurança.
— Está tudo bem, eu estou aqui — sussurrei, cobrindo as mãos dele com as minhas. A barreira da trégua começou a ceder diante daquela proximidade física inevitável e elétrica.
Ele não soltou. Ficamos assim, ancorados um no outro enquanto o jato cortava as nuvens instáveis.
Senti o calor da pele dele queimar a minha, um lembrete de que a trégua era apenas uma fachada fina.
Ao chegarmos em South Beach, o caos nos seguiu. Um erro na reserva do hotel — ou talvez uma jogada do destino — nos colocou em suítes conectadas.
A porta entre os quartos não tinha tranca por fora.
Eu estava desfazendo a mala, jogando algumas camisas no cabide, quando ouvi a porta conectada se abrir.
Luccas apareceu no batente, o rosto ainda tingido por aquele resto de tensão do voo.
Ele segurava a minha carteira de couro entre os dedos.
Provavelmente eu a deixara no balcão da recepção durante o check-in, minha mente ocupada demais em garantir que ele estivesse bem após a tensão da turbulência.
— Você esqueceu isso lá embaixo... — ele começou a dizer, a voz baixa, quase um sussurro.
Caminhei até ele para pegar o objeto, mas Luccas não entregou de imediato.
Seus olhos estavam fixos em algo que sobressaía do compartimento de cartões, algo que não deveria estar ali se eu fosse o homem frio que finjo ser.
— Enzo... o que é isso? — Ele puxou um pequeno pedaço de fita de cetim preta.
Ele usava para prender o crachá no Aurora e que eu guardara após ter usado essa fita para prendê-lo e transarmos na cozinha.
— É apenas um objeto, Luccas — tentei desconversar, sentindo o sangue subir pelo pescoço. A mentira soou oca, patética diante da evidência.
— Ninguém guarda uma fita usada se não tiver um significado, Enzo — ele rebateu, os olhos encontrando os meus com uma intensidade que me desarmou.
— Por que você guardaria algo meu na sua carteira se eu sou apenas um "problema de reputação" para você?
— Porque você é alguém especial pra mim, Luccas — confessei, deixando a guarda cair.
A verdade estava ali, exposta entre nós, tão real quanto o sol de Miami que entrava pela janela, iluminando as ruínas da nossa resistência.
— Você se contradiz a todo momento. — Ele caminha até a porta de acesso da varanda da suíte.
— Eu não sei lidar com esse seu comportamento.
— Isso tudo é novo pra mim — continuo guardando minhas roupas, evitando olhar para ele — não é fácil lidar com o desconhecido.
O clima pesou, e o ar entre nós parecia ter acabado. A mágoa ainda estava lá, mas o desejo era um monstro maior, clamando por atenção.
Antes que pudéssemos decidir o próximo passo, o dever chamou. Tínhamos que visitar o novo Aurora para os ajustes finais antes da a******a.
— É melhor nos aprontarmos para irmos ao Aurora. — Ele diz, e caminha até a porta que une as duas suítes
— Não vamos perder tempo com esses... detalhes.
Ele sai do quarto e eu fico ali, queimando por dentro. Tentando imaginar como eu vou conseguir passar todos esses dias sem poder saciar minha fome desse garoto teimoso.