"O ciúme é um ingrediente que amarga qualquer banquete. No escuro de um beco imundo, eu não fui o Chef premiado ou o amigo leal; eu fui um animal reivindicando o que é seu. Eu possuí o corpo de Luccas, mas ao ver o desprezo em seus olhos, percebi que o custo da minha covardia pode ser a perda definitiva da minha alma."
— Enzo Romano
O ciúme é um veneno que não se digere.
Ele se acumula nas entranhas, azeda o sangue e transforma a racionalidade em cinzas.
Ver Luccas Ashford rir para aquele designer de merda do tal Julian, foi como ver alguém cuspir no meu prato principal diante de todos.
Tentei focar no serviço, tentei manter a máscara de ferro enquanto a Code Vault celebrava, mas o riso de Luccas ecoava pelo salão.
Cada vez que ele sorria para aquele sujeito, eu sentia o corte no meu dedo latejar em sintonia com a pulsação frenética no meu p*u.
Quando o evento terminou e vi os dois saindo juntos em direção ao frio da noite de Nova York, eu perdi o que restava do meu juízo.
A lealdade ao grupo, o pacto sagrado com Chris, a minha reputação impecável... tudo foi jogado no lixo em um segundo de fúria.
Peguei meu casaco, deixei as chaves do restaurante com o subchef e saí para a rua, movido por um instinto possessivo e sombrio.
Segui o rastro deles até um bar discreto no Meatpacking District. O tipo de lugar onde as pessoas vão para se perder, não para serem encontradas.
Entrei e o cheiro de gim barato e suor me atingiu. Localizei-os em um canto penumbroso, longe dos olhares curiosos.
Julian tinha a mão no joelho de Luccas. Aquela mão imunda tocando o que eu já considerava meu território sagrado.
O ódio subiu como uma maré n***a, sufocando qualquer vestígio de civilidade. Esperei que Julian fosse ao banheiro para agir.
Luccas estava sozinho na mesa, girando o gelo no copo, quando eu apareci sobre ele como uma sombra vinda diretamente do inferno.
— Levante. Agora — sibilei, minha voz um trovão contido que fez os clientes das mesas próximas se encolherem de medo.
Luccas levantou o olhar, surpreso por um breve segundo, mas rapidamente recuperou a frieza que ele aprendeu comigo.
— Você está me seguindo, Enzo? Isso é patético até para os seus padrões de controle — ele retrucou, desafiador.
— Eu não vou repetir, Luccas. Se você não levantar, eu vou arrastar você daqui pelos cabelos na frente de todo mundo.
— E o Chris vai ser o primeiro a saber o porquê de eu estar agindo assim. Você quer pagar para ver? — ameacei.
Ele viu que eu não estava brincando.
O brilho de perigo nos meus olhos era real, visceral e incontrolável.
Luccas se levantou e me seguiu até o corredor estreito que levava às saídas de emergência e aos fundos do bar.
Assim que a porta pesada se fechou atrás de nós, em um beco úmido e m*l iluminado, eu o prensei contra a parede de tijolos.
A violência do impacto o fez arfar.
Pressionei meu antebraço contra a garganta dele, não para sufocar, mas para dominar.
— O que você pensa que está fazendo com aquele lixo? — rosnei, o rosto a milímetros do seu, sentindo o hálito de álcool.
— Você acha que ele tem o direito de encostar na pele que eu marquei? Você acha que eu vou deixar outro homem te tocar?
— Eu não sou sua propriedade, Enzo! — Luccas rebateu, tentando me empurrar com uma força que apenas alimentava meu desejo.
— Você me disse que não somos nada. Que foi um erro. Então me deixe viver o meu erro com alguém que não me trate como lixo!
— Alguém que não tenha vergonha de ser visto comigo! — ele gritou, e a verdade naquelas palavras me atingiu como um soco.
— Cala a maldita boca — ordenei, e minha boca colidiu com a dele em um beijo que era puro castigo e possessão.
Não havia doçura ou romance.
Era uma invasão bruta de línguas, dentes e desejo acumulado que precisava explodir.
Ele lutou por três segundos antes de ceder, suas mãos subindo para o meu cabelo, puxando-me com a mesma fome que eu sentia.
Eu o virei de costas para mim com um movimento brusco, prensando seu rosto contra os tijolos frios e ásperos do beco.
Puxei seu jeans para baixo com uma brutalidade impaciente, ignorando o frio da noite.
Eu precisava estar dentro dele.
— Você quer a verdade, Luccas? — sussurrei no seu ouvido, enquanto desabotoava minha própria calça com as mãos trêmulas.
— A verdade é que eu fico louco só de imaginar outro homem chegando perto de você. Eu sou um canalha egoísta.
— Sou um covarde que não consegue te assumir, mas que morreria antes de te ver nos braços de outro homem — confessei.
Enfiei minha mão entre as pernas dele, encontrando-o já duro e vazando desejo, uma prova de que ele também me queria.
Luccas soltou um gemido agudo que se perdeu no barulho distante da música do bar e no tráfego de Manhattan.
— Enzo... aqui não... alguém pode ver... — ele arquejou, o corpo tremendo violentamente sob o meu toque possessivo.
— Aqui sim. No escuro, onde você diz que eu me escondo. Sinta o que você faz com o meu corpo — ordenei.
Guiei meu p*u até a entrada dele, que pulsava em antecipação. Sem qualquer preliminar, eu o penetrei de uma vez só.
Luccas soltou um grito abafado contra a parede, as unhas arranhando os tijolos enquanto ele recebia toda a minha espessura.
O aperto era absurdo, uma pressão que me fazia querer explodir no primeiro segundo de contato carnal.
Comecei a estocá-lo com uma cadência violenta, o som da carne batendo contra a carne ecoando naquele beco deserto.
— Você é meu — eu repetia entre dentes, cada estocada sendo um carimbo de posse na alma dele. — Diga! Diga que é meu!
— Eu... eu sou... p***a, Enzo! Mais forte! — ele gritava, a voz quebrada pelo prazer e pela dor daquela entrega crua e proibida.
Eu o segurava pelos quadris com força, sentindo a vibração de cada movimento. A frieza do beco contrastava com o calor do sexo.
O perigo de sermos descobertos criava uma atmosfera de erotismo puro. Eu não estava fazendo amor; eu estava marcando território.
Meus dedos apertavam a carne das suas coxas com tanta força que eu sabia que deixaria marcas roxas, troféus da minha fúria.
Luccas se debatia, o corpo entrando em um ritmo frenético sob o meu comando. Ele buscou o próprio prazer com a mão livre.
A visão do seu corpo arqueado, entregue àquela luxúria clandestina em um beco sujo, foi o meu fim definitivo.
Eu o puxei para trás, fazendo-o sentir cada centímetro do meu p*u invadindo seu espaço, e gozei com um rosnado animal.
Senti o jato quente me inundar e banhar o interior dele. Ele veio logo em seguida, o sêmen sujando a parede de tijolos.
Ficamos ali, ofegantes, o suor esfriando rapidamente. O silêncio voltou, carregado de uma tensão que as palavras não resolviam.
Eu o ajudei a se vestir, meus movimentos agora eram mais lentos, quase cuidadosos, mas a insegurança já voltava a me assombrar.
Luccas se virou para mim, ajeitando a roupa com as mãos trêmulas. Seus olhos estavam nublados, mas carregados de mágoa.
— Isso não resolve nada, Enzo — ele disse, a voz firme embora rouca. — Você me fode em um beco para marcar território.
— Mas amanhã, na frente do Chris e do Alex, você vai voltar a ser o Chef Romano que m*l sabe o meu nome.
— Você me quer no escuro, mas eu estou cansado das sombras — ele declarou, olhando-me com um desprezo que me feriu.
— Luccas, tente entender... o Chris, a Victoria... as consequências disso... — comecei, a velha blindagem tentando subir.
— Eu entendo tudo, Enzo. Entendo que você é um covarde que prefere me perder do que sair da sua zona de conforto.
Ele deu as costas e caminhou de volta para o bar, deixando-me sozinho entre as latas de lixo e o cheiro de arrependimento.
Eu o tinha possuído fisicamente, mas sentia que a alma de Luccas Ashford estava escapando por entre os meus dedos.
Eu era o Chef mais poderoso de Manhattan, mas ali, naquele beco, eu era apenas um homem aterrorizado pelo que sentia.
Voltei para o meu carro, as mãos tremendo no volante enquanto o motor roncava. Eu precisava de uma bebida forte.
Eu sabia que, se não fizesse algo drástico, Luccas seria o erro que eu passaria o resto da vida tentando corrigir em vão.
A guerra interna estava apenas começando, e eu estava perdendo a batalha para o meu próprio medo.