O amor pode ser o melhor dos temperos, mas quando o passado decide se sentar à mesa, ele traz consigo o veneno que nenhuma reconciliação é capaz de neutralizar.
Enzo Romano
À noite, antes do grande evento, decidi que precisávamos jantar.
Escolhi um restaurante discreto, longe da agitação de South Beach.
O ar de Miami era quente e úmido, carregado de promessas.
Luccas estava lindo, usando uma camiseta de gola alta, de cor clara que destacava sua pele.
Ninguém ao redor daquela mesa em Miami suspeitava que, sob a cortesia dos vinhos caros, dois homens estavam prestes a implodir.
Assim que voltamos para o hotel, a trégua caiu junto com a primeira peça de roupa.
No momento em que a porta da suíte se fechou, eu o prensei contra a madeira.
Não houve espaço para perguntas.
— Eu não aguento mais essa distância, Luccas — sussurrei contra o seu pescoço, sentindo o calor da sua pele me incendiar assim que a porta da suíte bateu atrás de nós.
Minhas mãos percorreram seu corpo com uma urgência que eu não conseguia mais conter, apertando sua cintura antes de subirem para seu rosto.
Ele respondeu com a mesma fúria, puxando meu cabelo para trás e me beijando com gosto de saudade, raiva e luxúria pura.
Nossas línguas se encontraram em uma batalha por domínio, um duelo úmido que ecoava pelo quarto silencioso.
Empurrei-o em direção à cama, tropeçando em nossos próprios sapatos descartados pelo caminho, as roupas sendo arrancadas com uma impaciência febril.
Quando sua pele nua finalmente tocou a minha, senti um choque elétrico percorrer minha espinha.
Luccas estava ofegante, os olhos escuros de desejo enquanto eu o prensava contra o colchão, sentindo seu p*u duro roçando contra o meu, ambos pulsando em uníssono.
— Me fode, Enzo... agora — ele sibilou entre dentes, as unhas cravando-se nos meus ombros, as pernas se enroscando na minha cintura para me puxar para mais perto, para dentro do seu fogo.
O domínio que eu tanto prezava se transformou em uma entrega mútua e animalesca.
Eu o penetrei com uma estocada firme, ouvindo-o gritar meu nome contra o travesseiro, um som que foi música para os meus ouvidos famintos e famintos por cada centímetro dele.
Cada movimento era uma reconciliação agressiva, um ritmo de impacto que fazia a cabeceira da cama bater contra a parede.
Eu não tinha delicadeza; eu queria marcar minha posse, queria que ele sentisse cada grama da minha frustração e da minha adoração em cada estocada profunda.
— Você é meu, Luccas... entende? Só meu — rosnei perto do seu ouvido, mordendo o lóbulo da sua orelha enquanto aumentava a velocidade, sentindo o aperto interno dele me levar ao limite.
Os gemidos dele se tornaram súplicas desconexas enquanto seus dedos se perdiam nos lençóis bagunçados.
O suor misturava nossos corpos, o cheiro de sexo e sândalo preenchendo o ar pesado.
Ele arqueou as costas, buscando mais, entregando-se ao ritmo frenético que eu impunha.
A noite em South Beach pegou fogo, consumindo todas as dúvidas que as AshFord tentaram plantar.
No escuro daquele quarto, entre espasmos de prazer e o suor que escorria, eu não era o Chef premiado e ele não era o assistente perseguido.
Éramos apenas dois homens famintos, devorando-nos até que não restasse nada além de exaustão e o eco dos nossos orgasmos sincronizados.
Na manhã seguinte, com o corpo guardando as marcas do que aconteceu a noite, fomos tomar café antes de irmos ao Aurora para os preparativos finais.
O clima entre nós era de uma paz nova, mas frágil. Então, quando olho em direção a porta a vejo ali.
Parada na entrada do restaurante, impecável em um vestido de grife e com o mesmo olhar curioso que eu conhecia tão bem, estava Sofia Bianchi. Minha antiga namorada, na Sicília.
Meu sangue gelou instantaneamente. Sofia era filha de Francesca, a mulher que traiu minha mãe da pior forma possível, tendo um caso com meu pai por anos e levando-a a morrer de tristeza.
Luccas percebeu minha mudança de postura. Eu enrijeci, meus dedos apertando a xícara de café até os nós dos dedos ficarem brancos.
O fantasma da família Bianchi estava ali, em Miami. Trazendo lembranças que eu sempre fiz questão de esquecer.
— Enzo... quanto tempo — Sofia disse, aproximando-se com um sorriso, parecendo surpresa em me encontrar.
Ela olhou para Luccas com uma curiosidade predatória.
— Que surpresa! Você sumiu, nunca mais deu notícias.
O olhar dela deslizou por Luccas com uma curiosidade, o mesmo tipo de olhar que a mãe dela usava para fingir lealdade a minha. Senti a náusea subir.
O que ela estava fazendo ali?
— O que você quer, Sofia? — perguntei, a voz saindo como um rosnado baixo.
— Bem... — ele parece desconfortável com minha reação fria
—. Eu estou aqui a trabalho. Não fazia ideia de que te encontraria. Acho que podíamos conversar...
— Não temos nada pra conversar Sofia — fui ríspido e direto.
— Enzo, depois de tanto tempo, você...
— Já disse que não tenho nada para discutir com você — disse, seco. Encarando-a. — Pode nos dar licença?
Luccas me olhou, confuso e claramente desconfortável com a tensão que emanava daquele momento.
Eu senti que o meu novo mundo e o meu velho inferno estavam prestes a colidir.
A presença de Sofia não era coincidência.
E o brilho em seus olhos sugeria que ela sabia muito mais sobre a minha vida atual do que eu gostaria de admitir.
O café da manhã que deveria ser o início de uma nova fase tornou-se o prelúdio de um desastre.
O passado dos Romano e dos Bianchi estava ali, pronto para ser servido como o prato mais amargo da estação.
Olhei para Luccas, sentindo o medo de que ele fosse tragado por essa nova tempestade. Sofia sorriu, um sorriso que prometia segredos e vingança.
— Você não pode fugir do passado para sempre, Enzo. Afinal, as famílias devem se manter unidas, não é? — ela disse, saindo e deixando um rastro de perfume caro e mágoa antiga no ar.
Luccas tocou meu braço, a preocupação estampada no rosto.
— Enzo, quem é ela? E por que você parece que viu um demônio?
Eu não conseguia responder. O banquete em Miami acabara de ganhar um ingrediente que eu não sabia como manejar.
E a paz que eu havia acabado de encontrar estava por um fio. Se é que já não existisse mais.