Capítulo 33 — Máscaras e Chantagens

1242 Words
"Tentei me afogar em outro corpo para esquecer o gosto da traição, mas acordei com a alma mais seca do que antes. A covardia é um tempero amargo que está estragando a minha vida. Luccas não é apenas um desejo; ele é a ruína da minha máscara de dominador. E agora, as hienas voltaram para cobrar o preço do meu silêncio." Enzo Romano Se eu disser que estou renovado, estarei mentindo descaradamente para mim mesmo e para o mundo. Tive uma noite intensa, selvagem e visceral, mas não foi com quem a minha alma gritava para estar. Elena é uma mulher incrível, uma máquina de prazer que não arregou diante da minha fúria e da minha urgência. Fodemos a noite inteira, corpos suados se chocando em uma tentativa vã de apagar uma memória com o atrito da carne. Mas não era o corpo dela que eu desejava. Não era a boca dela que eu queria sentindo o meu calor. Não era nela que eu queria me enterrar até perder os sentidos; era em Luccas, o garoto que me assombra. Minha covardia me impede de assumir esse sentimento. O medo de depender de alguém é um abismo que eu temo saltar. Tenho pavor de entregar o mapa do meu coração para alguém e deixar que essa pessoa tenha o poder de me destruir. — Pelo jeito, a noite não foi o suficiente — Jazz entra no meu escritório, me sondando com seu olhar de radar. Eu não havia dormido. Saí cedo para correr e treinar até a exaustão, tentando esgotar o monstro do ciúme. Agora estou no Aurora, focado nas atividades cotidianas, tentando ocupar a mente para não ir atrás de Luccas. Mesmo sabendo que não pretendo assumi-lo. Aceitar uma relação homoafetiva não é simples para um Romano. — Estive longe por cinco dias, Jazz. Precisava chegar cedo para colocar as coisas em ordem — respondi, seco. — Sei... — ela me olha com aqueles olhos que sugam a alma e revelam todas as mentiras. — Se bem o conheço, alguma mulher gostosa passou a noite no seu loft para te ajudar com o "estresse", não é? — Eu precisava extravasar, Jasmine. Sou um homem de necessidades, você sabe disso — falei, sem olhá-la. — E pelo jeito, não conseguiu o suficiente. Você está com uma cara horrível, Enzo. Parece um morto-vivo. — Não. Não foi o suficiente para esquecer aquele beijo maldito — confessei, batendo com o punho na mesa de metal. Com Jazz eu podia ser sincero. Ela sabe o que sinto por ele, e eu não conseguia esconder minha frustração. — Aquele beijo do Julian... ele foi como uma marca de ferro quente na minha pele — rosnei, sentindo o sangue ferver. — Então você vai gostar de saber que o Luccas não ficou nada confortável com a atitude do Julian — Jazz soltou. Eu parei o que estava fazendo. Meu coração deu um solavanco violento contra as costelas. — Como é que é? — Ele odiou o beijo público. Foi embora do evento assim que você saiu, sem olhar para trás — ela explicou. — Luccas não é um troféu para ser exibido, Enzo. E ele deixou claro que Julian cruzou uma linha que não devia. Senti um alívio momentâneo, mas ele foi rapidamente esmagado pela lembrança do meu próprio erro com Elena. — Você precisa ser honesto com você mesmo, Enzo. Pare de fugir como um moleque assustado — Jazz insistiu. — Aceite o que sente. Assuma o Luccas de uma vez por todas e pare de f***r com a vida de vocês dois. — Assumir? Você ficou louca? — levantei-me, o pânico brilhando nos meus olhos. — Eu tenho um império, Jasmine! — Minha reputação, os investidores, a minha família... eu não posso simplesmente virar o "Chef gay" de Manhattan! — Você prefere ser o "Chef covarde" que morre de saudades enquanto dorme com estranhas? — ela me enfrentou, firme. — Eu estou tentando proteger ele! Com a aproximação da minha família agora... eles vão usar o Luccas pra me destruir. — Você já está destruído, Enzo! Olha para você! Está sendo e******o com a única pessoa que quer o seu bem. Respirei fundo, tentando conter a vontade de quebrar algo. O medo de amar era mais paralisante que qualquer ameaça. Enquanto a tensão entre nós subia, meu celular vibrou sobre a mesa. Era uma mensagem de um número conhecido. “Precisamos conversar, Sr. Romano. É sobre o futuro do meu irmão e o seu segredo sujo. Me encontre hoje. — Bella.” Mostrei a tela para Jazz. O ódio por aquela mulher era a única coisa que superava o meu medo naquele momento. — A hiena resolveu aparecer — murmurei. — Eu vou encontrar essa v***a e acabar com isso agora. — Eu vou com você — Jazz disse, pegando a bolsa. — Você está instável demais para lidar com a Bella sozinho. Combinamos o horário e o local. Duas horas depois, estávamos em um reservado discreto de um café afastado. Bella Ashford chegou com aquele sorriso cínico que exalava veneno, vestida como se fosse a dona da razão. — Você é sempre tão pontual assim, Sr. Romano— ela disse, ignorando Jasmine com um movimento desdenhoso de cabeça. — O que você quer, Bella? Despeja logo o seu lixo porque o meu tempo é caro — fui direto, sem cerimônias. — Sempre tão agressivo... é esse o toque que você usa com o meu irmãozinho entre quatro paredes? — ela provocou. — Não ouse pronunciar o nome dele — sibilei, meus dedos se curvando sobre a mesa, prontos para o bote. — Calma, Chef. Eu vim em paz. Ou quase isso — ela abriu a bolsa e tirou um envelope pardo, deslizando-o para mim. — Mas eu descobri algo muito mais... interessante. Algo que vai afetar a vida do Luccas de forma irreversível. — Se você não contribuir com o que eu quero, Enzo, eu vou soltar isso. E o seu "namoradinho" nunca mais vai se recuperar. Jasmine tentou pegar o envelope, mas Bella foi mais rápida, mantendo-o sob sua mão enluvada. — O que tem aí, Bella? — perguntei, minha voz falhando por um segundo diante da ameaça iminente. — Algo que prova que o Luccas não é tão inocente quanto você pensa... ou que ele está em um perigo que você não pode evitar. — Digamos que o passado o meu irmão tem segredos que ninguém conhece. Quero muito dinheiro pra não deixar isso vir à tona Senti o suor frio brotar na minha nuca. A dor e o sofrimento de Luccas eram a única coisa que eu não podia suportar. Eu estava perdendo o controle de novo. A guerra estava batendo à porta, e o inimigo estava sentado na minha frente. — Quanto? — perguntei, as palavras saindo amargas como fel. — Não é apenas dinheiro desta vez, Enzo — Bella sorriu, e o brilho nos olhos dela era puramente maligno. — E quero que você mesmo seja o carrasco do Luccas para salvá-lo de algo pior. O ar no café pareceu desaparecer. Jazz apertou o meu braço, sentindo a minha vibração de puro ódio e desespero. O perigo era real. Se eu não cedesse, Luccas seria destruído. Se eu cedesse, eu o perderia para sempre por minhas próprias mãos. O banquete da vingança agora tinha o ingrediente mais c***l de todos: o sacrifício do único homem que eu já amei.
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