"Eu achei que o inferno fosse a ausência de Luccas, mas descobri que o verdadeiro abismo é vê-lo testemunhar a minha ruína. Sofia não trouxe apenas o passado; ela trouxe o veneno que vai matar o único rastro de luz que ainda restava na minha alma."
— Enzo Romano
Milla saiu e me deixou com os nervos à flor da pele, o gosto de bile ainda queimando a minha garganta.
É inacreditável que, depois de treze anos, eu ainda tenha que lidar com a podridão daquela família.
Eu não pertenço mais à Toscana; meu império foi erguido sobre o suor e o sangue que derramei em Manhattan.
Mas o momento não poderia ser pior: estou mergulhado em um inferno de dúvidas sobre o que sinto por Luccas.
Se Milla ou meu pai descobrirem sobre ele, o mundo vai desabar com a força de uma avalanche sobre nós dois.
— Chef? O risotto de trufas da mesa doze está voltando — Lennon, meu subchef, interrompeu meus pensamentos.
— O quê? — rosnei, caminhando até a boqueta com os olhos faiscando. — Quem ousou questionar meu ponto?
— O cliente diz que falta acidez, Chef — Lennon baixou o olhar, conhecendo o meu temperamento explosivo.
Peguei uma colher, provei o grão e joguei o talher no lixo com violência, fazendo um estrondo metálico.
— O cliente é um i****a sem paladar, mas você é pago para ser perfeito, Lennon! Refaça essa merda agora!
— Sim, Chef! — a equipe respondeu em coro, enquanto eu saía da cozinha em direção ao salão, ajustando minha dólmã.
Precisei vestir a máscara de arrogância. No salão, um casal de investidores me parou para uma selfie.
— Chef Romano, sua cozinha é uma obra de arte — a mulher disse, encostando a mão no meu braço.
— Eu não crio arte, senhora. Eu crio experiências sensoriais que vocês não encontram em lugar nenhum — respondi com um sorriso frio.
— Uma foto, Chef? Meus seguidores vão enlouquecer — o marido pediu, já posicionando o celular.
Sorri para a câmera, mantendo a fachada do bilionário intocável, enquanto por dentro eu era um furacão de insegurança.
— Dayse, sirva um conhaque por conta da casa para a mesa doze. Diga que o Chef aceita críticas, mas não tolera mediocridade.
— Sim, Chef — a garçonete assentiu, saindo apressada para cumprir a ordem antes que meu humor piorasse.
Após o fechamento do restaurante, o silêncio do salão vazio pesou sobre os meus ombros como uma laje de granito.
Não quis ir para o loft. Não queria o vazio daquelas paredes que ainda guardavam o eco dos gemidos de Luccas.
Resolvi ficar na suíte privativa do restaurante. Um refúgio de mármore e isolamento para noites de caos mental.
Abri uma garrafa de uísque e virei a primeira dose pura, sentindo o líquido queimar de forma reconfortante.
Comecei a beber pensando nele. Pensando no que Luccas estaria fazendo agora, em como sua pele reagiria ao meu toque.
O simples fato de visualizar o rosto dele, aquela mistura de inocência e fogo, causou uma reação imediata no meu corpo.
Senti meu p*u endurecer contra o tecido da calça, uma pulsação latente que exigia uma liberação que eu não tinha.
— p***a, Luccas... — sussurrei, sentindo o suor brotar na nuca enquanto a ereção latejava de forma dolorosa.
Para tentar esfriar o corpo em chamas, despojei-me das roupas e entrei no banheiro de mármore escuro.
Liguei o chuveiro no máximo, deixando a água quente lamber meus ombros tensos, tentando lavar o rastro de Milla.
Sob o jato forte, fechei os olhos e comecei a me tocar, deslizando a mão ensaboada pelo meu m****o firme.
Eu imaginava a boca dele. Imaginava Luccas de joelhos, entregue, fazendo aquele som gutural que me levava à loucura.
De repente, senti mãos macias e familiares me acariciando por trás. O toque era urgente, possessivo.
Eu estava tão e******o que sequer abri os olhos, acreditando que minha mente havia materializado o meu desejo por Luccas.
Senti lábios quentes na minha nuca e, logo em seguida, uma boca voraz me devorou, sugando-me com uma técnica precisa.
— Sim... mais forte... — gemi alto, inclinando a cabeça para trás, deixando que aquela boca me levasse ao limite.
Eu estava pronto para explodir, as pernas bambas enquanto a pressão aumentava no meu baixo ventre.
Quando senti que ia gozar, quando o esperma começou a subir com uma força incontrolável, eu ia sussurrar o nome dele.
— Luccas... — o nome morreu na minha garganta no exato momento em que abri os olhos e encarei o espelho.
O choque foi uma descarga elétrica. Diante de mim, ajoelhada sob o chuveiro, não era o meu garoto.
Era Sofia.
Ela estava ali, com o rosto molhado, recebendo todo o meu jato de p***a na boca com uma satisfação diabólica.
Ela me olhava com adoração e posse, engolindo minha libertação enquanto eu estava paralisado pelo orgasmo.
Minha mente tentava processar o horror da invasão, mas o verdadeiro golpe veio logo em seguida, na porta entreaberta.
Luccas estava parado ali.
O rosto pálido, os olhos castanhos arregalados em uma mistura de dor, nojo e completa desolação.
Ele assistiu a tudo. Viu a mulher da Toscana me possuindo, viu o meu prazer sendo entregue à serpente do meu passado.
— Luccas, não é o que você... — tentei falar, mas minha voz saiu falha, abafada pelo riso vitorioso de Sofia.
Sofia se levantou devagar, limpando o canto da boca com o polegar, sem desviar o olhar do garoto na porta.
— Enzo, querido... você continua maravilhoso — ela sibilou, puxando meu rosto para um beijo possessivo.
Luccas deu um passo para trás, o lábio tremendo, antes de dar as costas e correr pelo corredor da suíte.
— Luccas! — gritei, tentando me soltar, mas Sofia me abraçou com uma força desesperada, rindo contra o meu peito.
Eu estava nu, molhado e destruído. O passado tinha acabado de estuprar o meu futuro diante dos meus olhos.
E o pior de tudo... eu sabia que, para Luccas, eu era agora exatamente o monstro que ele sempre temeu.