Capítulo 36 — O Beijo da Serpente

1016 Words
"Eu achei que o inferno fosse a ausência de Luccas, mas descobri que o verdadeiro abismo é vê-lo testemunhar a minha ruína. Sofia não trouxe apenas o passado; ela trouxe o veneno que vai matar o único rastro de luz que ainda restava na minha alma." — Enzo Romano Milla saiu e me deixou com os nervos à flor da pele, o gosto de bile ainda queimando a minha garganta. É inacreditável que, depois de treze anos, eu ainda tenha que lidar com a podridão daquela família. Eu não pertenço mais à Toscana; meu império foi erguido sobre o suor e o sangue que derramei em Manhattan. Mas o momento não poderia ser pior: estou mergulhado em um inferno de dúvidas sobre o que sinto por Luccas. Se Milla ou meu pai descobrirem sobre ele, o mundo vai desabar com a força de uma avalanche sobre nós dois. — Chef? O risotto de trufas da mesa doze está voltando — Lennon, meu subchef, interrompeu meus pensamentos. — O quê? — rosnei, caminhando até a boqueta com os olhos faiscando. — Quem ousou questionar meu ponto? — O cliente diz que falta acidez, Chef — Lennon baixou o olhar, conhecendo o meu temperamento explosivo. Peguei uma colher, provei o grão e joguei o talher no lixo com violência, fazendo um estrondo metálico. — O cliente é um i****a sem paladar, mas você é pago para ser perfeito, Lennon! Refaça essa merda agora! — Sim, Chef! — a equipe respondeu em coro, enquanto eu saía da cozinha em direção ao salão, ajustando minha dólmã. Precisei vestir a máscara de arrogância. No salão, um casal de investidores me parou para uma selfie. — Chef Romano, sua cozinha é uma obra de arte — a mulher disse, encostando a mão no meu braço. — Eu não crio arte, senhora. Eu crio experiências sensoriais que vocês não encontram em lugar nenhum — respondi com um sorriso frio. — Uma foto, Chef? Meus seguidores vão enlouquecer — o marido pediu, já posicionando o celular. Sorri para a câmera, mantendo a fachada do bilionário intocável, enquanto por dentro eu era um furacão de insegurança. — Dayse, sirva um conhaque por conta da casa para a mesa doze. Diga que o Chef aceita críticas, mas não tolera mediocridade. — Sim, Chef — a garçonete assentiu, saindo apressada para cumprir a ordem antes que meu humor piorasse. Após o fechamento do restaurante, o silêncio do salão vazio pesou sobre os meus ombros como uma laje de granito. Não quis ir para o loft. Não queria o vazio daquelas paredes que ainda guardavam o eco dos gemidos de Luccas. Resolvi ficar na suíte privativa do restaurante. Um refúgio de mármore e isolamento para noites de caos mental. Abri uma garrafa de uísque e virei a primeira dose pura, sentindo o líquido queimar de forma reconfortante. Comecei a beber pensando nele. Pensando no que Luccas estaria fazendo agora, em como sua pele reagiria ao meu toque. O simples fato de visualizar o rosto dele, aquela mistura de inocência e fogo, causou uma reação imediata no meu corpo. Senti meu p*u endurecer contra o tecido da calça, uma pulsação latente que exigia uma liberação que eu não tinha. — p***a, Luccas... — sussurrei, sentindo o suor brotar na nuca enquanto a ereção latejava de forma dolorosa. Para tentar esfriar o corpo em chamas, despojei-me das roupas e entrei no banheiro de mármore escuro. Liguei o chuveiro no máximo, deixando a água quente lamber meus ombros tensos, tentando lavar o rastro de Milla. Sob o jato forte, fechei os olhos e comecei a me tocar, deslizando a mão ensaboada pelo meu m****o firme. Eu imaginava a boca dele. Imaginava Luccas de joelhos, entregue, fazendo aquele som gutural que me levava à loucura. De repente, senti mãos macias e familiares me acariciando por trás. O toque era urgente, possessivo. Eu estava tão e******o que sequer abri os olhos, acreditando que minha mente havia materializado o meu desejo por Luccas. Senti lábios quentes na minha nuca e, logo em seguida, uma boca voraz me devorou, sugando-me com uma técnica precisa. — Sim... mais forte... — gemi alto, inclinando a cabeça para trás, deixando que aquela boca me levasse ao limite. Eu estava pronto para explodir, as pernas bambas enquanto a pressão aumentava no meu baixo ventre. Quando senti que ia gozar, quando o esperma começou a subir com uma força incontrolável, eu ia sussurrar o nome dele. — Luccas... — o nome morreu na minha garganta no exato momento em que abri os olhos e encarei o espelho. O choque foi uma descarga elétrica. Diante de mim, ajoelhada sob o chuveiro, não era o meu garoto. Era Sofia. Ela estava ali, com o rosto molhado, recebendo todo o meu jato de p***a na boca com uma satisfação diabólica. Ela me olhava com adoração e posse, engolindo minha libertação enquanto eu estava paralisado pelo orgasmo. Minha mente tentava processar o horror da invasão, mas o verdadeiro golpe veio logo em seguida, na porta entreaberta. Luccas estava parado ali. O rosto pálido, os olhos castanhos arregalados em uma mistura de dor, nojo e completa desolação. Ele assistiu a tudo. Viu a mulher da Toscana me possuindo, viu o meu prazer sendo entregue à serpente do meu passado. — Luccas, não é o que você... — tentei falar, mas minha voz saiu falha, abafada pelo riso vitorioso de Sofia. Sofia se levantou devagar, limpando o canto da boca com o polegar, sem desviar o olhar do garoto na porta. — Enzo, querido... você continua maravilhoso — ela sibilou, puxando meu rosto para um beijo possessivo. Luccas deu um passo para trás, o lábio tremendo, antes de dar as costas e correr pelo corredor da suíte. — Luccas! — gritei, tentando me soltar, mas Sofia me abraçou com uma força desesperada, rindo contra o meu peito. Eu estava nu, molhado e destruído. O passado tinha acabado de estuprar o meu futuro diante dos meus olhos. E o pior de tudo... eu sabia que, para Luccas, eu era agora exatamente o monstro que ele sempre temeu.
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