Capítulo 12 – Ponto de Fulgor

1723 Words
"A cozinha é o meu templo, o lugar onde as leis da física e da ordem são absolutas. Mas naquela noite, o metal gelado do Aurora serviu de altar para o meu maior pecado. Luccas Ashford não foi apenas um convidado; ele foi o fogo que derreteu o gelo da minha alma. Agora, o sabor da traição é o tempero que me mantém vivo." — Enzo Romano O Aurora no pós-expediente tinha uma alma diferente, sombria e terrivelmente honesta. O barulho frenético de comandas saindo, o tilintar de talheres e o burburinho da elite de Manhattan davam lugar a um silêncio metálico. As luzes do salão estavam apagadas, mas na cozinha, sob o brilho clínico das lâmpadas de LED, o calor ainda pairava no ar. Eu estava sozinho, ou pelo menos tentava me convencer de que a solidão era a minha única companhia naquela madrugada. Meus dedos apertavam o cabo de uma faca de cerâmica enquanto eu fatiava um lombo de atum com uma precisão que beirava a obsessão doentia. Eu não precisava daquele peixe. O restaurante estava fechado há horas. Mas eu precisava desesperadamente de ordem. Precisava de algo que respondesse ao meu comando, já que o meu próprio corpo parecia ter entrado em motim contra a minha vontade. Ouvi o som da porta giratória. Passos leves, rítmicos. Eu conhecia aquele som antes mesmo de processar o pensamento. Não era a passada pesada de um dos meus sub-chefs ou o andar apressado de um garçom buscando o último gorjeta. Era ele. Luccas Ashford, o homem que transformou a minha blindagem de aço em vidro estilhaçado. — O expediente acabou, Luccas — eu disse, sem levantar os olhos da tábua de corte, embora minha mão tremesse. — Jasmine já saiu faz meia hora. Você deveria estar em casa, longe deste lugar e longe de mim — completei, gélido. — Eu não consegui ir embora, Enzo — a voz dele ecoou nas paredes de aço inox, soando profunda e carregada de desejo. — Peguei o metrô, cheguei a olhar para o prédio do Alex, mas a imagem de você saindo daquele jantar sem me olhar nos olhos... — Isso me deu náuseas. Isso me fez sentir como se eu fosse um fantasma na sua vida — ele desabafou, aproximando-se. Deixei a faca de lado. O som do metal contra a bancada pareceu um tiro de misericórdia no silêncio da cozinha. Finalmente, levantei o olhar. Luccas estava encostado na mesa de preparação de massas, desafiando a minha autoridade. Ele tinha tirado o terno; agora, vestia apenas uma calça jeans escura e uma camiseta preta que evidenciava cada linha do seu corpo. Ele parecia um intruso naquele santuário que eu construí com sangue e suor. E, ao mesmo tempo, parecia a única coisa viva ali. — Você não deveria estar aqui — repeti, caminhando devagar em sua direção, o avental branco ainda amarrado sobre a dólmã. — Este é o meu domínio. Aqui, as regras são minhas. E a primeira regra é: não misturar o que acontece lá fora com o que acontece aqui. Luccas soltou um riso curto, amargo e desprovido de qualquer humor. Ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal. — Suas regras são mentiras que você conta para conseguir dormir, Enzo. Você fala de "controle", mas olhe para as suas mãos. — Elas estão tremendo agora. O grande Chef Romano está com medo de um garoto de trinta anos? — ele provocou. Eu as escondi atrás das costas, mas o estrago estava feito. A proximidade dele era um ataque violento aos meus sentidos. O cheiro de manjericão fresco e suor limpo que emanava dele era mais inebriante do que qualquer vinho reserva da minha adega. — Você quer que eu admita, Luccas? — sibilei, encurralando-o contra a bancada fria, sentindo o calor do seu peito contra o meu. — Quer que eu diga que não consigo passar um minuto nesta cozinha sem imaginar você gemendo sobre esta mesma mesa? — Que cada vez que vejo o Chris, sinto vontade de socar a parede porque eu o traio toda vez que sinto o seu gosto na minha boca? — Eu quero que você pare de lutar contra o inevitável — ele sussurrou, a mão subindo até tocar o colarinho da minha dólmã. — Você está exausto de fingir que é feito de gelo. Eu sinto o calor saindo de você. Eu sinto o seu desejo me queimando. O contato dos seus dedos na minha pele foi o estopim. Minha blindagem não apenas rachou; ela explodiu em chamas. Segurei sua nuca com uma ferocidade possessiva, puxando-o para um beijo que não tinha nada de romântico ou gentil. Era uma colisão de necessidade, raiva e luxúria acumulada. Nossas línguas se encontraram em uma batalha brutal por domínio. Luccas soltou um gemido abafado contra a minha boca, as mãos agarrando meus ombros como se eu fosse sua única salvação. Eu o levantei do chão, sentando-o na bancada de inox gelado. O contraste entre o metal frio e a pele ardente dele me levou à loucura. — Enzo... — ele arquejou quando minha boca desceu para o seu pescoço, mordendo a pele macia logo abaixo da orelha. — Aqui não... alguém pode entrar... — ele tentou protestar, mas suas pernas já se abriam para me envolver. — Ninguém entra aqui sem a minha permissão — rosnei, minhas mãos subindo por baixo da sua camiseta, tateando seus músculos. — Eu sou o dono deste lugar, Luccas. E agora, eu só quero ser o dono de você. Eu vou te marcar de um jeito que você nunca esquecerá. Meus dedos, geralmente precisos, estavam desajeitados e impacientes, movidos por uma fome que eu não sentia há décadas. Abri minha dólmã com um puxão, revelando o peito largo. Quando a joguei no chão, Luccas não esperou nem um segundo. Suas mãos subiram pelo meu abdômen, os dedos traçando os sulcos dos meus músculos antes de se fecharem na minha cintura. O contato direto da palma da mão dele com a minha pele fez meus pelos se arrepiarem e meu m****o pulsar com violência. Eu o ajudei a se livrar da camiseta. Quando ele ficou nu da cintura para cima, a iluminação fria desenhou cada detalhe do seu corpo. Segurei seu rosto com força, forçando-o a olhar para mim enquanto minhas mãos desciam para o botão do seu jeans. O som do zíper abrindo ecoou como um trovão. Enfiei a mão por dentro de sua cueca, envolvendo seu p*u já ereto e latejante. Ele soltou um gemido sibilado, a cabeça caindo para trás. Luccas era quente, firme e pulsava sob o meu comando. — Você não tem ideia do que está fazendo comigo — confessei, minha voz um rosnado baixo enquanto eu o despia por completo. — Eu deveria te proteger de homens como eu. Deveria te mandar embora para o bem da sua alma — eu disse, já sem fôlego. — Eu não quero proteção, Enzo... — ele arquejou, as pernas se abrindo totalmente. — Eu quero você. Por dentro de mim. Agora. Livrei-o das calças com uma brutalidade impaciente, deixando-o completamente exposto sobre o inox brilhante. Ele era perfeito. Uma obra de arte de testosterona e juventude. Meus olhos devoraram a curva de suas coxas e sua ereção pronta. Abaixei minhas calças, deixando meu p*u saltar, rígido e impaciente. O contraste era absurdo e excitante. Luccas envolveu minha base com as duas mãos, seus olhos fixos nos meus enquanto ele me masturbava com uma cadência fatal. — Você está tão duro... — ele murmurou. — O grande Chef Romano, perdendo a linha por um garoto que ele diz que não quer. Não respondi. Empurrei suas pernas para trás, abrindo caminho. Meus dedos mergulharam entre as nádegas dele, buscando seu calor. Usei minha própria saliva para prepará-lo, meus dedos entrando e saindo, sentindo-o pulsar e se contrair em volta de mim. — Enzo... por favor... agora! — ele implorou, as unhas cravando no meu antebraço, deixando marcas vermelhas. Ajustei minha posição. Senti a cabeça do meu p*u pressionar a entrada dele. O calor era surreal, quase insuportável. Com um impulso lento e deliberado, comecei a entrar. Luccas soltou um grito abafado que ecoou por toda a cozinha deserta. Parei por um segundo, saboreando a sensação indescritível de estar sendo engolido por ele, carne com carne, alma com alma. — Olhe para mim — ordenei, querendo ver a destruição e o prazer em seus olhos. Quando ele me encarou, terminei de entrar com uma estocada profunda, sentindo meus testículos baterem contra os dele. O impacto fez as panelas acima de nós tilintarem. Comecei a me mover, um ritmo selvagem, rústico e sem qualquer controle. O som da pele batendo, o rangido do metal e os gemidos guturais de Luccas preenchiam o vazio do Aurora. Eu o estocava com força, querendo atingir o fundo da sua alma, querendo que ele sentisse cada centímetro da minha posse brutal. Minha mão desceu e encontrou o p*u dele, punhetando-o em sincronia perfeita com as minhas estocadas violentas. Luccas entrou em um frenesi, o corpo se debatendo sob o meu, o suor escorrendo enquanto ele gritava o meu nome. — Eu vou... eu vou porra... Enzo! — ele arquejou, o corpo entrando em espasmos de puro prazer. Não o deixei parar. Continuei batendo forte contra ele, sentindo o aperto dele se tornar esmagador enquanto ele gozava. O jato de esperma quente sujou o próprio abdômen e a minha dólmã jogada no chão como um pano qualquer. Ver o prazer dele me jogou no abismo. Dei mais três estocadas brutais, sentindo meu próprio sêmen explodir dentro dele. Foi uma descarga que me deixou sem forças, desmoronando sobre seu peito suado e ofegante. Ficamos ali, conectados, o silêncio voltando a reinar, quebrado apenas pelo som das nossas respirações descompassadas. O cheiro de sexo, suor e desejo agora era o único prato principal do Aurora. Luccas encostou a testa na minha, um sorriso vitorioso brincando em seus lábios inchados pelo beijo. — E agora, Chef? Vai dizer que isso foi apenas mais uma "técnica de cozinha"? — ele perguntou, desafiador. Eu o olhei, sentindo o peso da dólmã que eu teria que vestir novamente para enfrentar o mundo e o Christopher. — Agora, Luccas... nós dois estamos condenados ao inferno. E eu nunca quis tanto queimar quanto agora.
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