"A estratégia de Jasmine é salvar a marca, mas a minha é salvar a sanidade. No inox frio da cozinha experimental, transformamos a dor em prazer bruto. Luccas Ashford não é mais um projeto; ele é a minha obsessão. E eu estou disposto a queimar qualquer menu para ter o sabor do seu pecado em minha boca."
— Enzo Romano
O silêncio no escritório da Code Vault era cortado apenas pelo som rítmico das teclas e pelo zumbido gélido do ar-condicionado.
Para o mundo exterior, estávamos em plena gestão de crise, tentando conter as chamas que Bella Ashford havia ateado com seu veneno.
Mas, para mim, cada minuto ali era uma tentativa desesperada de não deixar meus olhos devorarem Luccas Ashford.
Ele estava sentado a poucos metros, concentrado em um cronograma que agora era a nossa única boia de salvação no meio do oceano.
Jasmine estava em seu elemento natural, transformando o desastre em oportunidade com a maestria de uma general.
O evento beneficente, que nasceu de uma ideia audaciosa de Luccas, agora era a nossa arma principal para humanizar a marca.
— O foco precisa mudar, e rápido — Jasmine disse, batendo a caneta na mesa de vidro com autoridade.
— Se deixarmos a narrativa nas mãos da Bella, o Luccas será visto como o "irmão problemático" e a Victoria como a "oportunista".
— Mas, se lançarmos a Live Kitchen agora, focada em jovens l***q+ expulsos de casa... transformamos a dor em propósito — ela concluiu.
Eu olhei para Luccas e vi a determinação nova em seu olhar. Ele não era mais apenas o assistente; era o arquiteto da própria defesa.
— O Enzo vai ser o rosto da campanha — Jasmine continuou, me encarando de forma implacável. — E o Luccas vai ser o produtor.
— Vocês dois vão passar a maior parte do tempo no Aurora, finalizando o menu e a logística das transmissões ao vivo.
— É uma estratégia sólida — respondi, minha voz saindo com a rigidez profissional que eu lutava para manter em pé.
— Mas o menu precisa ser impecável. Não podemos dar margem para críticas técnicas se vamos nos expor dessa maneira.
Jasmine perguntou sobre os fornecedores de Miami, e Luccas levantou-se para me entregar o tablet com os dados atualizados.
Quando ele parou ao meu lado, o ar pareceu se tornar mais denso, carregado de uma eletricidade que quase me sufocava.
O cheiro cítrico de sua pele atingiu meus sentidos como um soco, despertando o animal que eu tentava manter enjaulado.
Seus dedos roçaram nos meus quando recebi o aparelho, e eu tive que usar cada gota de autocontrole para não o possuir ali mesmo.
— O Chef parece satisfeito com os números? — Luccas perguntou, e havia um brilho de puro desafio em seus olhos azuis.
Era uma lembrança silenciosa do que tínhamos vivido naquela bancada de mármore semanas antes, no calor da nossa entrega.
— Os números são... promissores — retruquei, focando na tela para não cometer a loucura de encarar sua boca inchada.
— Então teremos muito trabalho pela frente, não é? — ele sorriu, um sorriso que carregava o peso de mil promessas eróticas.
Jasmine, alheia à tensão que quase fazia as lâmpadas piscarem, ordenou que fôssemos para o Aurora começar os testes.
O trajeto até o restaurante foi uma tortura silenciosa. Eu sentia a presença dele preencher cada centímetro do carro.
O medo de ser descoberto era uma mordaça, mas o desejo de sentir Luccas era uma corrente que me puxava para o abismo.
Assim que entramos no santuário vazio do Aurora, a atmosfera mudou instantaneamente. Aqui, eu era o rei absoluto.
— Vamos para a cozinha experimental — ordenei, guiando-o para a área isolada nos fundos, longe de qualquer olhar curioso.
Assim que a porta de aço se fechou com um estalo seco, Luccas soltou um longo suspiro e se encostou na parede de azulejos.
— Eu pensei que ia desmaiar lá dentro, Enzo. Ouvir a Jasmine falar da minha vida como uma "estratégia"... é exaustivo.
— Ela está tentando te salvar, Luccas — eu disse, aproximando-me devagar, cercando seu corpo com o meu. — Todos nós estamos.
— Eu sei. Mas dói saber que a minha essência só é aceitável se for lucrativa ou estiver embrulhada em caridade — ele desabafou.
Encurralando-o com os braços contra a parede, deixei que minha mão subisse para acariciar seu rosto com uma posse evidente.
— Para mim, a sua verdade nunca precisou de embalagem — sussurrei. — Eu sei quem você é, e é desse homem que eu não me livro.
Ele fechou os olhos, entregando-se ao meu toque. — Então me prove que meu valor é mais que uma estratégia, Enzo.
— Esqueça o evento e a Bella. Só por cinco minutos, seja apenas o meu Enzo — ele implorou, a voz falhando de desejo.
Eu não precisei ouvir duas vezes. Minha boca encontrou a dele com uma urgência que beirava o desespero mais profundo.
Eu o levantei com um movimento fluido, sentando-o em uma das mesas de inox gelado da cozinha experimental.
Abri o zíper da minha calça com uma mão enquanto a outra já explorava o corpo dele por baixo do tecido do moletom.
— Você está louco — ele ofegou quando desci meus beijos pelo seu pescoço, encontrando a marca da minha mordida anterior.
— Alguém pode entrar... os garçons chegam em uma hora... — ele tentou racionalizar, mas suas mãos já puxavam minha dólmã.
— Então é melhor sermos rápidos e intensos — respondi, minha mão mergulhando dentro da calça dele, envolvendo seu m****o.
Ele já estava rígido, pulsando em antecipação. Despi-o com uma eficiência bruta, querendo sentir cada milímetro de sua pele.
Ajoelhei-me entre as pernas dele, querendo adorá-lo daquela forma primitiva que o deixava completamente sem defesas.
Luccas arqueou o corpo quando minha língua o envolveu, um gemido longo e gutural escapando de seus lábios entreabertos.
Ele enterrou os dedos no meu cabelo, puxando-me contra si, o corpo tremendo em uma resposta física que me incendiava por dentro.
— Enzo... porra... eu vou... — ele gemia, a cabeça jogada para trás, entregue ao prazer que eu proporcionava com maestria.
Parei logo antes que ele chegasse ao limite. Levantei-me, os olhos injetados de luxúria, e o virei de costas sobre o inox.
O contraste do metal gelado com o calor febril de nossos corpos era o tempero perfeito para a minha loucura possessiva.
— Você disse que eu sou seu refúgio — sussurrei, penetrando-o com uma estocada profunda que fez a estrutura da mesa ranger.
— Então se esconde em mim agora. Sinta apenas o que eu estou fazendo com você — ordenei, golpeando seu corpo com o meu.
Comecei a me mover com uma cadência agressiva e possessiva, o som do nosso sexo prechendo o vazio da cozinha experimental.
Cada vez que eu entrava nele, sentia que estava construindo uma blindagem que protegia nós dois do veneno do mundo lá fora.
— Eu te quero tanto que sinto que vou quebrar — confessei, minha voz um rosnado sujo contra o seu ouvido.
— Eu não dou a mínima para Miami. Eu só quero estar aqui, dentro de você, onde ninguém tem o direito de nos julgar.
— Então não para... — Luccas pedia, as mãos agarrando a borda da mesa com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.
— Me faz esquecer tudo, Enzo. Me faz sentir que eu sou seu e de mais ninguém — ele implorava entre gemidos de êxtase.
Eu o possuí com uma ferocidade que transcendia o físico. Era uma comunhão de almas feridas, escondidas sob títulos e dólmãs.
Quando o clímax nos atingiu, foi uma explosão que nos deixou sem ar, colados um ao outro naquele mármore que agora fervia.
Minutos depois, estávamos novamente vestidos, organizando os papéis da live como se nada tivesse acontecido entre nós.
Mas o brilho nos olhos de Luccas e o tremor nas minhas mãos ao segurar os documentos diziam exatamente o contrário.
Estávamos usando o trabalho como fachada, mas o verdadeiro evento beneficente estava acontecendo ali, salvando um ao outro.
— O menu de Miami está decidido? — Luccas perguntou, a voz agora firme, embora carregada por uma rouquidão sensual.
— Está — respondi, olhando para ele com uma intensidade que o fez estremecer novamente sob as luzes fluorescentes.
— Vai ser algo picante. Algo proibido que deixe as pessoas querendo mais. Exatamente como você, Luccas.
O perigo estava lá fora, nas redes sociais e na língua de Bella. Mas ali, na cozinha do Aurora, nós tínhamos o controle absoluto.