Capítulo 7 – A Temperatura do Desejo

1608 Words
"O fogo destrói ou nutre. Em Vegas, eu não era o Chef; era um homem em combustão. Luccas Ashford foi o banquete mais perigoso que já servi. Mas, ao amanhecer, o sabor da entrega deu lugar ao veneno da negação. Eu venci a batalha pelo controle, mas perdi a guerra pela minha própria alma." — Enzo Romano Dizem que o fogo é o elemento mais difícil de controlar em uma cozinha de alto nível. Um segundo de distração, uma chama m*l regulada, e o que deveria nutrir se transforma em destruição pura. Naquela suíte em Vegas, eu não era mais o Chef premiado ou o herdeiro exilado da Toscana. Eu era apenas um homem consumido por uma combustão espontânea que desafiava trinta anos de certezas absolutas. Tranquei a porta e o som do clique metálico ecoou no silêncio da suíte como o disparo de um gatilho. Luccas estava parado ao pé da cama king-size, a luz neon vinda da Strip pintando sua pele de azul e fúcsia. Ele tremia de uma forma que eu nunca vira em nenhuma mulher; era a expectativa vibrante de quem estava prestes a se entregar. Aproximei-me com a calma predatória que eu costumava usar para desossar uma peça de carne cara e rara. Eu queria cada centímetro dele. Queria entender como aquele garoto derrubara minhas defesas sem disparar um único tiro. — Você tem certeza disso, Luccas? — perguntei, minha voz soando como um rosnado baixo e perigoso. Minhas mãos alcançaram os botões da sua camisa branca, sentindo o calor que emanava do seu peito. — Porque depois que eu começar, não vou parar até ter arrancado cada segredo e cada gemido desse seu corpo. — Pare de falar, Enzo... — ele sussurrou, a voz quebrada pela luxúria mais crua que já presenciei. — Só me toca. Por favor. Eu não aguento mais essa distância — ele implorou, fechando os olhos. Abri sua camisa com um puxão firme, revelando o peito alvo e o abdômen definido sob a luz artificial de Vegas. Luccas soltou um suspiro agudo quando minhas mãos espalmadas, calejadas pelo fogo e pelas facas, tocaram sua pele. Ele era quente, absurdamente quente, como uma brasa escondida sob a neve que eu tentava sustentar. Desci meus lábios pelo seu ombro, mordiscando a carne macia, sentindo o gosto de sal, suor e desejo proibido. Luccas arqueou o corpo, os dedos cravando-se nos meus bíceps com uma força que eu não sabia que ele possuía. Ele era uma página em branco e eu tinha a intenção de escrever minha história nele com fogo e posse. Levei-o para a cama, deitando-o sobre os lençóis de seda n***a que realçavam a brancura quase divina da sua pele. O contraste era obsceno: a minha brutalidade contra a sua delicadeza, o meu terno de três mil dólares contra a sua nudez. Despi-me com pressa, jogando as roupas de grife no chão como se fossem lixo sem qualquer valor. Quando me posicionei entre suas pernas, vi seus olhos se arregalarem em um misto de choque e adoração absoluta. Era a primeira vez que ele via um homem daquela forma, e saber que eu era o primeiro me deixou insano. — Olhe para mim — ordenei, segurando seu rosto com as duas mãos para que ele não pudesse desviar o foco. — Eu quero que você veja exatamente quem está te possuindo. Não feche os olhos para o que você pediu. Iniciei um caminho de beijos lentos e torturantes, mapeando cada pedaço do seu corpo. Meus lábios desceram pelo seu peito, circulando seus m*****s com a língua até que ele estivesse implorando por mais. Minha mão desceu, envolvendo o seu m****o com firmeza, sentindo o latejar do seu desejo responder ao meu toque experiente. O som que Luccas soltou — um gemido rouco, cru, vindo da alma — me deu um prazer que nenhuma mulher jamais alcançou. Eu era hétero, repetia meu subconsciente em um último grito de defesa, mas meu corpo o desmentia com violência. Cada reação dele era nova, eletrizante. Quando usei a minha boca para explorá-lo, Luccas atingiu o desespero. — Enzo... Deus... — ele gritou, os quadris movendo-se freneticamente contra minha mão, buscando o ápice. — Ainda não — murmurei, subindo novamente para beijá-lo, silenciando seus gritos enquanto preparava o caminho. Eu queria que ele sentisse cada grama do meu peso, cada centímetro da invasão que eu estava prestes a realizar. A primeira vez que o possuí foi um ato de posse e descoberta brutal. Luccas se contraiu sob mim, em choque. Suas unhas arranharam minhas costas, deixando marcas que eu carregaria como troféus de uma guerra interna. Parei, sentindo o aperto esmagador do corpo dele, esperando que ele se acostumasse com a minha presença invasiva. — Respire, Luccas. Sinta o que eu estou fazendo com você. Sinta como você foi feito para mim — sussurrei. Ele relaxou lentamente, e quando comecei o movimento, o ritmo transformou-se em uma dança de poder e entrega. Luccas começou a responder, os gemidos tornando-se um mantra do meu nome que ecoava pelas paredes da suíte. Era visceral. O cheiro de sexo, o luxo de Vegas e a nossa respiração descompassada criavam uma atmosfera sufocante. Eu o levei ao limite repetidamente, observando como o rosto dele se transformava sob a agonia do prazer extremo. Ele buscava minha boca como se eu fosse seu único oxigênio em um mundo que estava prestes a explodir. Quando finalmente chegamos ao ápice, foi como se a suíte tivesse sido atingida por uma onda de choque devastadora. Luccas gritou o meu nome, o corpo esticando-se antes de desabar, enquanto eu me perdia nele com uma intensidade assustadora. Era como se as cinzas da Toscana tivessem sido finalmente lavadas por aquela chuva de prazer e suor. A manhã seguinte em Vegas, porém, não tem a delicadeza do sol da Itália; é um clarão agressivo e acusador. Acordei com a cabeça latejando, mas o peso do corpo de Luccas no meu braço era o que realmente me sufocava. Olhei para o lado e vi a expressão de paz no rosto dele. Aquilo me deu náuseas. Eu me senti um traidor. As marcas roxas que deixei em seu pescoço eram testemunhas silenciosas da minha perda de controle. Eu me levantei silenciosamente, sentindo cada músculo do corpo reclamar do esforço da noite anterior. Onde estava o "Chef de Ferro" agora? Onde estava o homem que jurava ter o controle total sobre seus desejos? Eu tinha acabado de passar a noite mais intensa da minha vida com o irmão da namorada do meu melhor amigo. Fui para o banho, deixando a água gelada tentar expulsar o calor que ainda parecia impregnado na minha alma. O pânico começou a se instalar. Como eu olharia para o Chris? Como eu justificaria ter destruído o garoto? Saí do banheiro com uma toalha na cintura e encontrei Luccas sentado na beira da cama, envolto apenas em um lençol. Ele parecia menor, mais frágil sob a luz implacável do dia que entrava pelas janelas panorâmicas. — Bom dia — ele disse, a voz ainda rouca pelos gritos da noite. Ele tentou sorrir, um gesto doce e vulnerável. — Você precisa se vestir, Luccas — eu o cortei, minha voz voltando ao tom ácido, frio e impessoal de sempre. — Chris e os outros já devem estar acordados. Não podemos ser vistos saindo daqui juntos de jeito nenhum. O sorriso dele morreu instantaneamente. A luz nos seus olhos azuis se apagou como uma lâmpada sendo estilhaçada. — Foi só isso para você? — ele perguntou, levantando-se, o lençol escorregando e revelando as marcas da nossa luxúria. — Uma noite de diversão em Vegas para o grande Enzo Romano? Um experimento culinário com o corpo alheio? — O que você esperava, Luccas? — aproximei-me dele, usando a minha altura para intimidá-lo e mascarar minha culpa. — Eu te avisei que não era gentil. Eu disse que não fazia romance. O que aconteceu aqui foi uma experiência. Nada mais. — Uma experiência? — ele soltou um riso seco e amargo. — Você me usou para provar que ainda manda em tudo? — Eu não usei você. Você quis tanto quanto eu. Agora, vista suas roupas e saia por aquela porta agora mesmo. — Temos um império para gerenciar. Não vou deixar um deslize desses destruir minha amizade com o seu cunhado. Luccas me olhou com um desprezo que doeu mais do que qualquer soco que já levei na vida. Ele se vestiu em silêncio. Seus movimentos eram mecânicos, desprovidos daquela vida que brilhava nele apenas algumas horas atrás. Quando chegou à porta, ele parou. Não olhou para trás, mas sua voz carregava o peso de uma sentença de morte. — Meus pais estavam certos sobre uma coisa, Enzo — ele disse, com uma frieza que me gelou o sangue. — Existem monstros no mundo. Só que eles não usam chifres. Eles usam aventais de grife e ternos sob medida. Ele saiu, fechando a porta com uma suavidade que doeu muito mais do que se ele a tivesse batido com força. Fiquei sozinho, cercado pelo cheiro dele que ainda impregnava os lençóis de seda e o ar daquela suíte maldita. Eu deveria me sentir aliviado. Tinha mantido o controle. Tinha encerrado o "problema" antes que ele crescesse. Mas enquanto eu olhava para o meu reflexo no espelho, a única coisa que eu via era um covarde coberto de sucesso. Eu tinha vencido a noite, mas pela primeira vez, eu sentia que tinha acabado de perder a única coisa que realmente importava. O banquete havia acabado, e o gosto que restava na minha boca era o de cinzas amargas
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