Capítulo 16 – O Refúgio do Caos

1489 Words
"O mármore frio foi o altar da minha maior confissão. No refúgio do caos, as palavras que eu guardei sob sete chaves finalmente escaparam: Luccas Ashford não é apenas um erro, ele é a minha casa. Eu quebrei o pacto, traí o sangue, mas descobri que o inferno é um preço pequeno para ter o sabor da sua alma em mim." — Enzo Romano O novo apartamento era impessoal, cheirando a tinta fresca e a móveis novos que ainda não tinham uma alma para chamar de sua. Para Victória e Luccas, aquele lugar era uma fortaleza necessária contra os paparazzi e o ódio digital destilado por Bella. Para mim, era o único lugar no mundo onde eu poderia, talvez, baixar a guarda sem que o peso do dólmã me esmagasse. Eu trouxe o jantar: um confit de pato com redução de cerejas negras. Queria que eles se sentissem acolhidos após tantos ataques. Victória jantou conosco em um silêncio tenso, os olhos vermelhos denunciando que o dia tinha sido uma sucessão de golpes. Assim que terminou, ela se retirou para o quarto, murmurando algo sobre uma enxaqueca que a estava matando por dentro. Ficamos apenas Luccas e eu na cozinha americana de mármore cinza, sob o brilho suave das lâmpadas pendentes. Ele estava sentado no banco alto, mexendo no vinho com um olhar perdido, mas não levava a taça aos lábios. A luz realçava as marcas de cansaço em seu rosto jovem, uma vulnerabilidade que me fazia querer socar quem o feriu. — Você está quieto — eu disse, quebrando o silêncio enquanto começava a recolher os pratos com movimentos mecânicos. — Estou pensando em como a minha vida virou um roteiro de filme B em menos de uma semana — ele respondeu, rouco. — Exposto, expulso, escondido como um criminoso. A Bella me tirou tudo, Enzo. Ela me tirou o direito à minha própria voz. Deixei os pratos de lado e contornei a bancada, sentindo a gravidade me puxar para a órbita dele como um imã. Luccas não se mexeu até que eu estivesse entre suas pernas, minhas mãos espalmadas na sua cintura, sentindo seu tremor. Não era um tremor de frio; era o colapso de alguém que segurou o peso do mundo sozinho por tempo demais. — Ela não tirou nada que realmente importe — murmurei, puxando-o para que ele encostasse a testa no meu peito. — Ela tirou o barulho, Luccas. Mas o que você tem aqui dentro... o que você é... isso ninguém tem o poder de tocar. Luccas soltou um soluço sufocado contra o meu peito, e aquele som foi o estopim para o fim da minha última resistência. Eu o levantei do banco com uma força possessiva, segurando-o pelas coxas, e o sentei no mármore frio da bancada. Ele envolveu meu pescoço com os braços, escondendo o rosto na curva do meu ombro, respirando fundo o meu perfume. — Eu me sinto sujo, Enzo. Pelo que ela escreveu, pelo jeito que os estranhos estão me julgando agora — ele desabafou. — Você não é sujo — sibilei, afastando-o o suficiente para que ele visse a verdade nua e crua nos meus olhos. — Você é a coisa mais limpa e real que já cruzou o meu caminho. E eu vou te mostrar isso agora mesmo. Meus beijos começaram lentos, tentando acalmar a tempestade que o habitava, mas o fogo logo assumiu o controle. Abri o zíper do seu moletom, expondo a pele macia que eu já conhecia de cor e que me perseguia em cada sonho. Minha boca desceu pelo seu pescoço, marcando-o com uma intensidade feroz que gritava: você é meu. Livrei-o das roupas com uma urgência que fazia meus dedos tropeçarem, movido por uma fome que beirava a insanidade. Quando ele ficou nu sobre a bancada, as pernas abertas para mim, meu p*u latejou com uma violência dolorosa. Luccas me ajudou, desabotoando minha calça com uma pressa desesperada, seus olhos nublados pela luxúria e pela dor. Quando nos tocamos, pele com pele, a descarga foi avassaladora, como se o oxigênio tivesse sido sugado da cozinha. Eu o penetrei ali mesmo, com uma estocada lenta e profunda que fez Luccas arquear as costas em um espasmo de choque. Ele soltou um grito abafado contra a palma da minha mão, que usei para calá-lo — a realidade de Victória ao lado nos vigiava. O perigo de sermos pegos apenas injetava mais adrenalina no meu sangue, tornando cada movimento um pecado necessário. — Sente isso, Luccas? — sussurrei no seu ouvido, enquanto começava a me mover com um ritmo rústico e implacável. — Sente o quanto eu te quero? O quanto o meu corpo reconhece o seu como se fosse parte de mim? — questionei. Comecei a estocá-lo com força, o som da carne batendo contra o mármore ecoando como um metrônomo do nosso desejo. Minhas mãos apertavam suas coxas com uma força bruta, deixando marcas que seriam as minhas assinaturas na sua pele. Eu não queria apenas o orgasmo; queria que ele sentisse cada centímetro da minha presença, expulsando as sombras da irmã. — Você diz que eu sou frio... que sou feito de gelo — eu dizia, o suor pingando do meu rosto enquanto eu o possuía. — Mas olha o que você faz comigo. Eu estou queimando, Luccas. Eu estou perdendo a p***a da sanidade por você! Luccas soltava gemidos curtos e ruidosos, os olhos revirando enquanto sua entrada se contraía em volta de mim como um vício. Ele buscava minha boca desesperadamente, mas eu o mantive afastado por um segundo, querendo que ele absorvesse minhas palavras. — Eu tentei te odiar — confessei, minha voz um rosnado animal entre estocadas fundas que o faziam tremer por inteiro. — Tentei me convencer de que você era só um erro. Mas a verdade é que eu não consigo mais respirar sem você. — Eu fodo você e sinto que estou finalmente voltando para casa, p***a! — gritei em um sussurro carregado de verdade. A linguagem crua, misturada àquela confissão visceral, pareceu dar a Luccas o combustível final para a sua própria entrega. Ele se impulsionou contra mim, pedindo por mais, as pernas se fechando com força na minha cintura, prendendo-me nele. — Mais, Enzo... entra tudo... acaba comigo... — ele implorava, a voz quebrada pela intensidade do que sentia. Eu o virei de costas, curvando seu corpo sobre o mármore, e o possuí por trás com uma animalidade que me assustava. Cada vez que eu entrava nele, sentia que estava cravando minha bandeira no centro do seu ser, reclamando-o para mim. — Você é a minha ruína — sibilei, mordendo o ombro dele enquanto minhas mãos o masturbavam em sincronia perfeita. — Eu estou louco por você, Luccas. Eu te quero tanto que chega a doer no fundo dos meus ossos — despejei. O prazer subiu como uma onda gigante, impossível de conter. Luccas atingiu o clímax primeiro, em espasmos violentos. Ver a entrega dele, ouvir meu nome sendo murmurado como uma prece no meio do seu g**o, foi o meu gatilho final. Dei três estocadas brutais, mergulhando no fundo do seu calor, e gozei com um grito contido, inundando-o com minha essência. Ficamos ali, colados, o silêncio da cozinha preenchido apenas pelo som das nossas respirações descompassadas e pesadas. Eu o puxei para um abraço apertado, ainda conectado a ele, sentindo o coração dele batendo contra as minhas costas. — Eu não vou deixar você sozinho nessa — murmurei, beijando a nuca dele, onde o suor brilhava sob a luz baixa. — Nem que eu tenha que queimar o mundo inteiro, e a mim mesmo, para te proteger dessa dor — prometi solenemente. Luccas se virou nos meus braços, o rosto marcado pelo êxtase, mas os olhos agora carregavam uma clareza cortante. — Você disse que está louco por mim, Enzo. Você disse que eu sou sua casa. Isso é real? — ele perguntou, vulnerável. Senti a insegurança tentar voltar, mas olhando para ele ali, totalmente meu, eu não pude mais recuar para as sombras. — Eu disse a verdade. E é por isso que eu estou tão aterrorizado com o que virá a seguir — confessei com honestidade. Ouvimos um barulho no corredor — Victória se mexendo no quarto ao lado. O choque da realidade nos atingiu como gelo. Começamos a nos vestir às pressas, limpando os vestígios da nossa explosão na bancada com mãos trêmulas e apressadas. Saí do apartamento pouco depois, sentindo o ar frio de Nova York tentar resfriar o fogo que ainda corria nas minhas veias. Eu tinha confessado mais do que pretendia, e tinha possuído Luccas de uma forma que tornava impossível qualquer retorno. Eu era o Chef Romano, o mestre do controle, mas enquanto entrava no meu carro, sabia que aquela ilusão tinha morrido. Eu estava amando o irmão da mulher do meu melhor amigo. E estava disposto a enfrentar o próprio inferno por ele.
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