— Desculpe... esqueci os meus convites. Sussurro para Edgard, frustrada.
— Calma, amiga. Daremos um jeito de entrar.
— Desculpe. Interrompe o guarda, arrogante. — Você não pode entrar sem convite. Pedimos que saia se não quiser que o forcemos a sair.
— O quê? Como ousa? Retruca Edgard, indignado. — Você não tem ideia de com quem está falando.
— Vocês não são os primeiros a tentar invadir. Já conhecemos gente do tipo de vocês antes... tentando se misturar com a elite quando não passam de pessoas famintas.
Edgard, furioso, tenta acertá-lo, mas consigo detê-lo bem a tempo.
— Calma! Carlos disse que os meus irmãos estão lá dentro. Vou chamá-los.
— Você tem razão. Ele bufa, ainda encarando o guarda. — Você, miserável... você não sabe com quem está se metendo.
Pego o meu celular e ligo para o Ricardo. Ele atende na hora.
— Já estou indo, mana.
— Obrigada, Ricardo.
— Viu? Exclama Edgard. — Vamos entrar na festa. Vamos nos misturar com a elite, porque nós somos a elite. Vocês é que estão passando fome, vocês nem sabem quem estão expulsando.
— Chega, Edgard!
Então, uma voz atrás de nós congela o ar.
— E quem é você? A voz pergunta, com um tom ácido.
Aquela voz...
Aquela m*aldita voz...
Eu a reconheceria em qualquer lugar do mundo, mesmo que levasse mil anos.
— Minha ex-mulher e o atual amante dela?
Viro-me e lá estão eles. Eu sabia que os encontraria mais cedo ou mais tarde, mas ingenuamente pensei que teria tempo para me preparar.
Mateus. Sua mãe. Sua irmã. E Vivian, agarrada ao seu braço como uma sanguessuga.
Por alguns segundos, permaneço imóvel, sem dizer uma palavra. Não consigo acreditar na audácia daquele homem: ele teve a audácia de me acusar de vir a esta festa com uma amante, quando claramente chegou com a sua.
A voz de Edgard me tira do meu transe. Ele está mais furioso do que antes e demonstra isso gritando furiosamente: olha quem está aqui... Mateus "o rato" Torres e a sua família miserável.
— Como ousa? Quem é você? A minha ex-sogra dispara, furiosa, tentando defender o seu filho inútil. Apesar da surpresa ao me ver, Mateus não tira os olhos de mim. Sem dúvida, a última imagem que ele tinha de mim era a de uma dona de casa entediante e submissa. Ele provavelmente não consegue acreditar no que está vendo. — Se você está com essa mulher, você é um ninguém. Sabe com quem está falando? O meu filho é o novo vice-diretor do Grupo Ferragutti! Esta festa é em sua homenagem.
— Ah, é mesmo? Edgard responde com um meio sorriso. — E você sabe quem somos?
— Sinceramente, eu não te conheço. Mas eu a conheço. Ela morou na minha casa por três anos às custas do meu filho. Você sabia disso? Ela é uma mulher casada.
— Casada? Repito, fingindo surpresa. — Lembro que o seu filho e eu somos divorciados... Você mesma me fez assinar os papéis. Ou não se lembra?
— Claro que me lembro. Ela dispara. — Finalmente nos livramos de uma aproveitadora como você...
— Aproveitadora? Que descarados. Edgard intervém, completamente indignado. — Chega. Não vou permitir que continuem a humilhá-la assim. Zafira, deixe-me contar a verdade...
— Calma. Interrompo-o em voz baixa, colocando a mão no seu braço. — Ainda não é hora. Quero que todos vejam. Que ousem. Quero fazer isso no meio da festa.
— Que verdade? Pergunta Mateus, finalmente quebrando o silêncio. — Tentei falar com você várias vezes, Zafira, mas você não respondeu a nenhuma delas.
— Desculpe, Mateus. O seu número está bloqueado. Você queria falar comigo sobre alguma cláusula de divórcio? Ou só veio esfregar na minha cara o seu compromisso com essa... vagabun*da? Digo isso incisivamente, e consigo o que quero: ela reage imediatamente.
— Como você ousa...?!
— Deixa ela em paz, Vivian. Mateus a interrompe num sussurro tenso. — Eu só queria ver como você estava. Você saiu sem dinheiro e... eu fiquei preocupado.
Por um momento, ele parece sincero. Mas não me comove nem um pouco.
— Que tocante. Você se preocupou comigo... quando a sua mãe, a sua irmã e a sua "futura esposa" me expulsaram como um cachorro e você não fez nada. Nada.
— Zafira, eu...
— Deixa ela em paz, mano. Interrompe a minha ex-cunhada, irritada. — Esta noite é sua. Não deixe que ela estrague tudo. Pelo menos temos um convite. E você? Ela me olha com um sorriso irônico, esfregando os convites na minha cara. — Ouvi dizer que não te deixam entrar sem convite. Que pena, né?
— Não se preocupe, sua id*iota. Edgard cospe. Nunca o vi tão furioso, mesmo sendo um inimigo declarado da violência. — Temos outras maneiras de entrar.
— Bem, então vamos esperar você lá dentro. Ela responde com raiva, pegando o braço da mãe. Ela mostra o convite ao guarda, e eles os deixam entrar.
— Vamos, Mateus. Vivian o puxa pelo braço quando ele tenta ficar. Ela o arrasta para dentro.
— Não acredito que eles têm a coragem de te humilhar na sua própria festa. Diz Edgard, franzindo a testa para os guardas. — E o pior: eles não vão te deixar entrar!
— Vocês não podem entrar. Diz um dos guardas com firmeza. — Se insistirem, teremos que chamar a polícia.
— Calma. Eu o interrompo. — Eles estão só fazendo o trabalho deles. Eu fui a idio*ta que esqueceu os convites.
— Mas você é Zafira Ferragutti! Eles não podem te impedir de entrar!
Ao ouvir o meu nome, os guardas riem baixinho.
— Se você é Zafira Ferragutti, eu sou Don Franco Ferragutti. Diz um.
— Não, melhor ainda: eu sou o Rei da Inglaterra. Acrescenta o outro, gargalhando.
— Riam... quem ri por último ri melhor. Quando Ricardo Ferragutti aparecer, seremos nós que riremos.
— Último aviso. Saia agora, ou chamaremos a polícia. Não vamos repetir isso.
— Não vou sair daqui até Ricardo chegar. Digo, determinada.
Mas antes que eu possa reagir, um dos guardas tenta agarrar o meu braço para me afastar. Edgard o empurra com força e se coloca entre nós.
— Nem pense em tocar nela! Ele grita, com raiva.
— Então saiam se não quiserem problemas com a polícia... ou com o Grupo Ferragutti por tumulto.
— O que está acontecendo aqui? Uma voz de comando vem de dentro do saguão.
É o meu irmão.
A minha alma retorna ao meu corpo.
— Desculpe, Sr. Ricardo. Diz o chefe da segurança, nervoso. — São dois intrusos famintos tentando invadir e, pior, fingindo ser a Srta. Ferragutti. Mas não se preocupe, estamos controlando tudo.
— Seu idio&ta! Como ousa chamá-los de famintos?
Ricardo está furioso. Sinto que isso vai sair do controle se eu não impedir. Ainda não é hora...
— Mas senhor... O guarda hesita.
— O senhor não sabe quem ela é?
O homem me olha, nervoso, quase tremendo.
— Ela é...?
— Ela é minha irmã. Diz Ricardo com voz firme. — Zafira Ferragutti. E se não quiser perder o emprego, é melhor se afastar e nos deixar passar.