Assim que terminaram de almoçar, Maurício foi embora e toda a tensão que estava pesando no ambiente se dissipou instantaneamente e finalmente Marcelo conseguiu relaxar. Mesmo ele garantindo que não iria mais o importunar, ainda era difícil ficar sob o mesmo teto com alguém que lhe olha de maneira tão intensa a ponto de lhe causar calafrios.
Michelle - Se o próprio não estivesse na minha frente me confirmando eu não iria acreditar que é você nessas fotos Marcelo.
Marcelo - Pois é, nem eu mesmo acredito quando as vejo. E por mais estranho que pareça, de todos que já me viram assim, a única pessoa que me reconheceu na hora foi o Maurício.
Ítalo - Você acha que podemos confiar que ele não vai mais incomodar o Marcelo, pai?
Fábio - Eu não posso garantir totalmente isso, mas eu nunca ouvi falar nada que pudesse arruinar a sua reputação nos últimos anos, pra falar a verdade até fiquei surpreso por ele ter interesse em garotos. Ele é muito rico, têm inúmeros investimentos nos mais diversos seguimentos e ainda é jovem, então vive cercado por mulheres.
Ítalo - O que quer dizer com “nos últimos anos”?
Fábio - Há alguns anos ele não se interessava por nada, vivia se metendo em brigas e bebendo, mas agora ele está bem diferente. Acho que finalmente se deu conta de suas responsabilidades, ele ficou mais responsável, mais maduro e finalmente assumiu os negócios da família que estavam sendo administrados pelo conselho, já que só sobrou ele da sua família.
Cristian - Achei que fazia tempo que não se falavam, mas você parece saber muito sobre ele.
Fábio - Pessoalmente fazia muito tempo que não nos falávamos, mas desde que começou seus investimentos, sou eu quem cuida de boa parte da burocracia, então nos falamos muito por telefone.
Ítalo - Tá certo. Eu preciso discutir algumas coisas com o Senhor, podemos conversar em particular?
Fábio e Ítalo se trancaram no escritório enquanto Michelle se divertia interrogando os dois mais novos. Cristian mostrou o seu quarto para o loiro e aproveitou para pegar algumas coisas que haviam ficado para trás.
Fábio - Já chega de torturar os dois Michelle.
Ítalo - Vamos. Eu tenho algumas coisas pra terminar hoje ainda.
Cristian - E nós temos prova amanhã Marcelo, precisamos estudar.
Michelle - Já? Eu achei que ficariam para jantar também.
Marcelo - Eu adoraria, mas vamos deixar para uma próxima ocasião.
Fábio - Eu espero que venham com mais frequência nos visitar e mais uma vez desculpem pelo inconveniente, se eu sonhasse uma coisa dessas eu não teria o convidado para almoçar.
Ítalo - Fica tranquilo pai, como iria adivinhar uma coisa dessas. Ao menos, parece que as coisas foram esclarecidas e ele não vai mais nos incomodar. Obrigado pelo almoço mãe, estava tudo perfeito.
Michelle - Eu fico muito feliz por vocês terem vindo, voltem sempre que quiserem.
Ítalo deixou os dois mais novos em frente ao prédio para depois seguir para o escritório.
Marcelo - Vai trabalhar a essa hora Ítalo?
Ítalo - Eu só vou pegar um contrato que esqueci lá, logo eu volto.
Cristian - Quando voltar traz a nossa janta, nós temos que estudar então ninguém vai cozinhar hoje mano.
Ítalo - Tá bom. Pode ser pizza?
Marcelo - Adoro pizza, traz algo doce também.
A semana seguiu como de costume e sem novidades até na quarta-feira quando Ítalo avisou que teria que viajar a trabalho.
Cristian - Você vai voltar hoje mesmo mano?
Ítalo - Infelizmente não. É um processo bem complicado, as partes envolvidas não estão aceitando negociação, então não sei se volto antes do final de semana.
Marcelo - Que bom que a sua viajem coincidiu com a nossa, assim você não fica sozinho nesse apartamento.
Cristian - Precisa de ajuda pra arrumar alguma coisa?
Ítalo - Eu só quero comer antes de sair, já que vou de carro e não quero ter que parar pra comer na estrada. Ultimamente está havendo bastante assalto nas rodovias, não quero dar sorte para o azar.
Marcelo - Eu já estava começando a preparar o jantar, então enquanto eu termino aqui o Cris te ajuda a arrumar a mala.
O loiro ficou na cozinha terminando o jantar enquanto os irmãos seguiram para o quarto arrumar tudo que o mais velho fosse precisar.
- Você notou alguma movimentação do Maurício nesses dias?
- Como você me pediu eu fiquei bem atento mano, mas acho que ele sossegou mesmo.
- Eu dei uma sondada na loja com a Camila também e ela me disse que ele está bem ocupado com a a******a da loja essa semana, mas continue atento.
- Pode ficar tranquilo que enquanto ele estiver comigo, eu vou ficar de olho.
- Que s*******m irmãozinho, vocês vão passar um final de semana inteiro sem mim e enquanto isso eu vou ter que ficar lá aturando um bando de gente interesseira brigando por herança.
- Não seja dramático, são só alguns dias e nós podemos compensar depois...
- Huuumm... E como você planeja me compensar?
- Eu deixo o Marcelo ser só seu por uma semana.
- Acho que não é o suficiente pra mim. Eu estou sendo paciente, mas espero que nesse final de semana você perca um pouco dessa timidez.
- O que você quer dizer com isso?
- Que, como compensação, eu quero ter o prazer de apreciar vocês dois na minha cama. Eu sei que você já fantasiou em me ver com o Marcelo e é claro que eu também estou ansioso para vê-los juntos...
Marcelo - Já chega Ítalo, você prometeu que pegaria leve. Vamos jantar antes que a comida esfrie.
Cristian - Na próxima... Na próxima vez vamos fazer isso, os três juntos.
Ítalo - Você está de prova Marcelo, foi ele quem propôs e eu, com certeza, vou cobrar isso.
Marcelo - Tá bom eu entendi, mas agora vamos jantar.
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Ítalo - Qualquer coisa que precisarem ou se alguma coisa acontecer, me liguem que eu volto imediatamente.
Cristian - Mano, por favor, nós não somos mais crianças.
Marcelo - É isso mesmo, não sei pra que essa preocupação toda. Eu morei sozinho por dois anos e sempre me virei muito bem, então fique tranquilo.
Ítalo - Eu sei, mas eu sou o responsável por vocês dois agora e não me perdoaria se acontecesse alguma coisa na minha ausência.
Marcelo - Nada vai acontecer Ítalo. Se você está tão preocupado, vá logo e faça o seu melhor pra voltar o quanto antes.
Cristian - Eu vou cuidar muito bem da nossa Hime enquanto você estiver fora, até porque temos um aniversário para comemorar quando voltarmos.
Ítalo se despediu dos dois mais novos e seguiu viagem com o coração apertado, essa era a primeira vez que saía da cidade sabendo que alguém estaria a sua espera quando voltasse. Na última vez que viajou ainda não tinha nenhum compromisso sério com Marcelo e quando voltou ele já estava com outro e agora, mesmo sabendo que Cristian estaria o tempo todo com o loiro, sentia que se ficasse longe por muito tempo alguém o tiraria de si, como o irmão fizera antes. Assim que chegou ao seu destino mandou uma mensagem, como já era madrugada não quis ligar para não os acordar.
Cristian acordou primeiro e respondeu a mensagem do irmão. Enquanto preparava algo para comerem, o loiro veio até a cozinha já pronto para irem à escola.
- Bom dia. Pode ir se arrumar que eu termino isso pra você.
Cristian deu-lhe um caloroso beijo de bom dia e foi para o quarto se trocar e arrumar seu material. Quando voltou, a mesa já estava posta.
- Ítalo mandou uma mensagem dizendo que chegou.
- Eu vi antes, ele mandou pra nós dois. Ele sempre foi assim tão preocupado e atencioso?
- Não sei como ele era com as outras pessoas a sua volta, mas comigo ele sempre foi assim. Eu era muito apegado a ele quando era criança e sofri muito quando ele saiu de casa. Não conte isso pra ele, mas antes do meu pai levar a gente pra morar em outra cidade eu fugi de casa para ir atrás do Ítalo. Eu costumava dizer que queria ficar pra sempre junto dele, antes eu achava que era só admiração, mas agora que estou mais maduro e com a convivência eu sei que o que sinto por ele é muito mais que admiração. Eu sei que é esquisito falar assim já que fomos criados como irmãos, mas é mais forte que eu. Eu sei que falei aquilo ontem no calor do momento, mas não sei se realmente vou conseguir fazer isso.
- Eu tenho certeza que o Ítalo sabe muito bem disso e eu acho que só você ainda não havia se dado conta desses sentimentos que vem crescendo aí dentro. Eu e o Ítalo já percebemos isso há algum tempo e por isso ele vem te provocando tanto. Como eu já te falei antes, muitas pessoas podem achar esse tipo de sentimento absurdo, pra não dizer coisa pior, mas o que importa realmente, é como você se sente. Se você gosta dele a ponto de querer toca-lo e outras coisas, cedo ou tarde o desejo vai falar mais alto e as coisas vão acontecer naturalmente, assim como foi comigo.
- Acho que você está certo. Vamos terminar logo de comer, pois precisamos ir andando hoje.
Durante o intervalo das aulas o celular do loiro tocou e mesmo sem muita vontade atendeu, pois o mesmo número estava lingando insistentemente.
- Oi.
- Bom dia Marcelo é a Camila, desculpe ligar essa hora. Pode falar agora?
- Posso sim, estamos no intervalo. Aconteceu alguma coisa?
- Você já deve saber que a inauguração da nova loja é amanhã né?
- Sei sim, a Nina não para de falar nisso.
- Então, alguns dos estilistas e donos das marcas que vendemos vão estar presentes no coquetel de inauguração e eles querem muito conhecer a modelo que está fazendo a marca vender tão bem e...
- Sem essa, desculpa, mas não vai dar pra mim dessa vez. Amanhã é a viagem da nossa turma, então não vai rolar.
- Por favor, se precisar eu vou até aí na sua escola pra pedir autorização e eu coloco o meu motorista a sua disposição para leva-lo até o hotel em que vão ficar depois. São só duas ou três horinhas e depois você pode ir.
- Ele vai estar lá não vai?
- Mesmo sendo o investidor, ele disse que não vai poder estar presente na inauguração. Ele teve que viajar para resolver alguma coisa com algum outro investimento e acho que nem volta essa semana.
- Neste caso, eu vou conversar com o Cristian e com o pessoal da escola e depois te respondo.
- Espero que seja uma resposta positiva. Até depois.
Marcelo desligou o celular e o moreno já estava o encarando de cara f**a.
- Pela conversa, era a Camila. O que ela quer agora?
- Ela disse que vai ter gente graúda na inauguração da loja e que querem muito me conhecer. Ela quer que eu vá nesse coquetel.
- A Camila tá começando a me tirar do sério, sempre avisando essas coisas em cima da hora. Eu não quero que você vá, ainda mais que ele vai estar lá também.
- Então, por isso mesmo que não respondi nada pra ela. Como ele não vai estar lá eu pensei em ir, pode ser uma chance de eu conseguir algum trabalho mais sério como modelo. Vai ter bastante gente desse meio presente e se algum estilista gostar de mim eu posso me dar bem.
- Eu entendo o seu ponto de vista, mas não sei. E como fica o nosso final de semana? Se você for nesse coquetel não vai conseguir viajar com a turma.
- Ela disse que vai deixar o motorista dela pra me levar lá depois, eu só preciso conversar com o pessoal da escola para que eles me passem o endereço do hotel. Então, o que você acha?
- O Ítalo pediu pra ficar de olho em você por causa do Maurício...
- Eu já falei que ele não vai à inauguração. A Camila falou que ele está viajando, por isso pode ficar tranquilo. Eu fico umas duas horas lá e depois o motorista me leva para o hotel.
- Tá bom, mas de qualquer maneira eu vou conversar com o Ítalo sobre isso.
- Claro, do contrário ele vai acabar dando a maior bronca na gente quando voltar, ou pior, é capaz dele abandonar tudo lá e voltar se ficar sabendo disso por outra pessoa.
Depois que terminou a última aula o loiro foi até a diretoria da escola para explicar a situação enquanto Cristian ligava para o irmão, que depois de muitas recomendações e reclamações concordou com a decisão do loiro.
- Falou com ele? O que ele disse?
- Nossa! Mil recomendações e mais mil reclamações, mas no fim ele concordou com o seu ponto de vista em relação ao trabalho. E você, conseguiu convencer eles?
- Eu até tentei negociar para que você fosse comigo na festa, mas não rolou. Eles só vão permitir que eu fique pra trás, e ainda só deixaram por que eu falei que era por causa de trabalho. Amanhã o Acácio vai me entregar o endereço do hotel, mas eu não posso falar qual é para não estragar a surpresa de vocês.
Estava tudo encaminhado então só faltava o loiro ligar para Camila e confirmar sua presença e enquanto caminhavam para casa ligou para ela.
- Oi, Camila?
- E então Marcelo, me diz que sua resposta é sim.
- Eu acertei tudo com a escola e o Cristian também concordou, então eu vou, mas com uma condição.
- O que? Qualquer coisa contanto que você venha.
- Eu só vou se for como Marcelo, entende?
- Claro. Eu já imaginava isso e já expliquei aos interessados sua situação e por isso mesmo que eles ficaram ainda mais curiosos para te conhecer.
- Então está tudo certo. Desculpa a minha ignorância, mas que tipo de roupas eu devo usar?
- Não se preocupe com isso, quando você sair da escola amanhã, passe aqui na loja que eu vou separar roupas adequadas pra você.
- Valeu Camila, até amanhã.
- Até e mais uma vez obrigada por sempre atender aos meus pedidos egoístas de última hora.
- Pode ser bom pra mim também então tá tudo certo.
Marcelo encerrou a ligação todo contente, pois sabia que essa seria uma ótima oportunidade para ter mais chances com a carreira de modelo.
- Agora que tá tudo certo, só precisamos arrumar as malas para o final de semana.
- Só temos que passar na loja amanhã depois da aula para pegar as roupas que ela vai me emprestar para ir à festa.
- Você ainda vai acabar se dando m*l algum dia com essa sua mania de querer ajudar os outros.
- É mais forte que eu, sempre que vejo alguém precisando ou quando alguém pede minha ajuda eu vou fazer o possível para ajudar, mesmo que seja algo insignificante.
- Só tome cuidado para não se aproveitarem da sua bondade. Nunca se sabe o que se passa na cabeça das pessoas.
- Tá certo. Vamos logo que eu estou ansioso para que chegue esse final de semana pra gente aproveitar muito com a galera e claro, eu estou mais ansioso ainda para aproveitar o sossego do campo juntinho do meu namorado. Esse vai ser o melhor aniversário de todos.
- Nem me fale disso. Por que a gente não aproveita que o Ítalo viajou e faz isso aqui mesmo?
- Nada disso, eu quero que a sua primeira vez seja especial, assim como foi a minha e tenho certeza que vamos achar um lugar perfeito pra fazer isso lá.
- Tá bom, eu vou confiar em você.
Chegando em casa, passaram a tarde toda separando roupas e tudo mais que precisariam para passar dois dias e duas noites fora. Pouco antes de começarem a jantar, Ítalo ligou para saber como estavam e avisou que estava tudo indo melhor do que esperava e no domingo, antes do jantar estaria de volta.
Terminaram de jantar e depois de finalizar o trabalho que teriam que entregar no outro dia, foram pra cama.
- Eu adoro me esparramar na cama do Ítalo. Aaaah... O perfume que ele usa é tão gostoso.
- Eu também gosto do perfume dele, mas eu gosto muito mais do seu. Não fizemos nada ontem, mas hoje eu quero fazer com você aqui, na cama dele, já que na próxima vez que estivermos nessa cama não vamos estar sozinhos.
- Você está com medo de ser o passivo Cris?
- Como eu já falei antes, se for com você eu aceito qualquer coisa. Mas isso vai ficar pra depois, pois hoje sou eu quem vai te fazer gemer gostoso embaixo de mim.
Marcelo adorava quando Cristian falava assim com ele. Só de estar sentindo o cheiro de Ítalo já ficava e******o e quando fechava os olhos, imaginava que o mais velho também estava ali. Desde aquele dia em que viu os dois trocando carícias no chuveiro ansiava para estarem juntos outra vez, os três, dando e recebendo prazer um ao outro.
Cada vez que fazia com o loiro na cama do irmão, Cristian se sentia mais quente que o normal e agora sabia que era por causa do perfume do mais velho que estava sempre impregnado nos lençóis e assim como Marcelo, quando fechava os olhos imaginava que ele estava ali dando prazer e falando frases obscenas para o loiro como sempre fazia. Sabia disso, pois nas últimas vezes que Marcelo e Ítalo fizeram, a porta do quarto não foi fechada e não teve como não ficar e******o ao ouvi-los transando.
No começo era difícil se controlar sabendo que o seu amado estava com outro a alguns passos de distância, mas sabia que Ítalo se sentia da mesma maneira quando era ele quem estava com Marcelo e com o passar dos dias essa angustia foi se transformando em curiosidade e desejo, que em breve virariam realidade.
Marcelo, como sempre, era muito intenso e parecia cada vez mais insaciável e nessas horas Cristian pensava se o loiro conseguiria se controlar quando fosse a sua vez de ser o passivo, sempre que pensava nisso um arrepio percorria o seu corpo. Sabia que seria difícil, mas teria que aguentar, pois o loiro tinha razão em dizer que não era justo só ele ser o passivo da relação. Ele também tinha o direito de sentir como é dominar e possuir o outro e de como é boa à sensação de dar prazer e ouvir o outro gemer enquanto chama o seu nome.