Capítulo 4

1803 Words
Nove e meia e eu finalmente consigo achar o saguão, ala A. Nem preciso dizer que foi um saco. Além de ter que acordar cedo porque aparentemente o reino todo acorda com o sol nascendo e os passarinhos cantando e o café da manhã começa as seis e meia da manhã, ou seja, risinhos e conversas no corredor começam cedo. Eu não costumo comer de manhã, no máximo tomar um suco ou café, mas me recusei a levantar. Contra tudo o que eu queria, Rose, bate à minha porta as nove, me acordando, só para perguntar se estava tudo bem e se eu precisava de ajuda para algo, o que só foi bom porque quando ela me disse o horário, eu lembrei que tinha que encontrar Jimin. Corri para me arrumar, mas acabei com um vestido preto curto demais e com um decote que definitivamente era exagerado, mas como Rose só ficou surpresa por um momento e depois levantou os dedões para mim com aprovação, eu resolvi deixar para lá. Nunca me importei com a opinião alheia mesmo, não é agora que eu vou começar. Ainda passei no salão e peguei um copo grande de café com leite e caramelo, e depois fui em busca do local que eu deveria estar a meia hora atrás. Jimin estava encostado contra uma estátua da Fada Madrinha que tinha no meio do saguão, o que me chamou atenção e nem o cumprimentei quando cheguei perto, só dei a volta reparando nos detalhes. Ela estava no meio de ratos, abóboras e gansos, com a varinha em riste, um vestido com camadas demais e um chapéu em formato de cone. - Legal, né? – A voz doce de Jimin me tirou do meu devaneio e me fez olhar para ele, com o cenho franzido. – Essa é uma alusão ao momento que mamãe respondeu a Cinderela, sabe? Ali. – Ele aponta para um par de sapatos no chão na frente dela. – São a cópia dos famosos sapatinhos de cristal. Fico um tempo absorvendo a informação e acabo me perdendo em pensamentos. Aquilo era de fato muito legal e entendo a fixação do povo de fora pelas histórias encantadas, mas antes que eu comece a realmente devanear, ou pior gostar de ouvir essas coisas, pisco com força e me viro para Jimin que está com uma expressão serena olhando para a estátua. Eu cheguei mais de meia hora depois do combinado e ele nem reclamou ou me olhou de cara f**a. Por Disney, ele é irritantemente perfeitinho. - Então, por onde começaremos? Tenho que pegar minha grade, né? – Pergunto já andando para a saída. Alguns alunos passam por mim, me olhando de cima a baixo, mas eu ignoro. Jimin dá uma corridinha depois de cumprimentar todos que passaram e quando me alcança, parece perceber como estou vestida. – O que foi? Ele cora de uma maneira tão adorável que preciso me segurar para não apertar suas bochechas. - Ah! Não é nada, só que, nós vamos andar bastante e eu não sei se... – Ele aponta para meu vestido e depois desvia o olhar de novo, limpando a garganta. – Bom, seria bom colocar algo confortável, sabe? - Eu estou confortável. – Para testar uma dúvida, dou um passo para frente, nos deixando bem próximos. O vejo arregalando os olhos por um momento e olhando rapidamente para meu decote, só para depois disfarçar e corar ainda mais. – Prefere que eu tire o vestido? Jimin dá um surto e eu quase rio. Ele n**a com a cabeça rápido e dá um passo para trás, com a respiração mais forte, como se tivesse segurado o ar por todo aquele tempo, mas a melhor parte é que ele ficou tão nervoso que ao nosso redor um monte de flores começou a brotar e florescer e em cima da cabeça dele uma fumacinha começou a sair. Não consigo me aguentar e começo a rir da situação, o que parece deixa-lo ainda mais sem graça, mas antes que eu possa falar algo, uma voz conhecida o chama. - O que tá acontecendo aqui? – Taehyung estraga prazeres anda até a gente, e depois que espanta a nuvem que se formava, Jimin parece perder a concentração e as flores param de crescer e mudar de cor. – Achei que mostraria a propriedade para ela, Jiminie, por que estão aqui parados e por que você se descontrolou assim? Geralmente isso só acontece quando fica... - Tae! – Jimin o interrompe e olha para mim de canto de olho, mas eu entendi o seguimento. Ele perde o controle da magia quando ficar nervoso. Fofo. – Cristal se atrasou um pouco e estamos saindo agora. Não se preocupe, sim? - É, relaxa filhinho da mamãe! – Dou mais um gole no meu café e olho ao redor, vendo que estou cercada por um minijardim, mas antes que eu possa dar um passo, Taehyung me para. – O que? - Para de provocar. Qual é o seu problema, garota? – A voz grossa e o tom irritado, me atingem e odeio que me faça sentir m*l, mas só me recupero e faço o que sempre fiz, finjo. - Tae! Ela não fez nada, para com isso! – Jimin intervém e mesmo que o amigo ainda me olhe com desdém, ele o puxa pelo braço e volta a abrir o sorriso de sempre, o que parece funcionar de imediato. – Vou lá e mais tarde a gente se fala, ok? Vou ajudar você e os meninos a organizar tudo. - Se precisar de algo, manda um sinal, ok? Taehyung sai sem se despedir de mim e Jimin só solta o ar e dá a volta pelo jardim, que ele mesmo fez, com cuidado. Andamos realmente demais e a cada segundo que passo ao lado dele é mais difícil para mim de tentar não gostar do garoto. Ele é sincero, radiante, simpático e por mais que eu odeie admitir, tem um dos sorrisos mais lindos que eu já vi. Irritante, sério! Almoçamos juntos no refeitório principal da escola, porque levaria muito tempo para voltarmos ao prédio principal e por um momento, sem perceber, baixei minha guarda, enquanto voltávamos para os dormitórios. - Posso te perguntar uma coisa? – Quando só continuo andando e olhando as arvores ao nosso redor, ele toma isso como um sim. – Por que parece que quer afastar todo mundo? - Como é? – A pergunta me pegou tão desprevenida que até parei de andar, o que fez com que ele tivesse que voltar alguns passos, ficando na minha frente. - Você está com uma aura tranquila agora, desde que mostrei o lago, você não parece estar odiando tudo e todos. Mesmo sem falar nada, você não está na defensiva. – Fico olhando para ele por um momento, percebendo que ele é bem mais inteligente e observador do que eu esperava. - Parece que você é bem mais do que ** de fada e um rostinho bonito, né? – Ele abre um sorriso sem dentes, diferente de todos que já o vi dar desde que cheguei aqui. - Acha que só por que sou fada, legal e carismático, que não consigo ler as pessoas, ou ter uma conversa séria? – Ele bufa uma vez e sua postura muda um pouco, o que me surpreende ainda mais. – Olha, eu sei que você pode ter pensado que sou, cabeça de vento, fútil ou quem sabe falso, mas não sou e, também não sou burro. E vejo que você tem algo dentro de você que está querendo sair. Você pode estar triste, mas para se proteger ergue essa armadura de agressividade e frieza, mas, se quiser falar e... - Vou te parar por aí fadinha! – O interrompo antes que fique irritada. – Olha, eu não quero uma aula sentimental e não dou a mínima para o que você acha que eu pensei de você. Não quero uma sessão de terapia grátis, Jimin e você não sabe a metade das coisas que eu sinto ou deixo de sentir, porque sim, eu te vejo como uma irritante bolinha de energia sorridente que está feliz o tempo todo e quer saber, tô pouco me fodendo para o que você acha. Então, vamos cortar o papo furado, que não estou à procura de amigos, ok? Sem deixa-lo responder, já que ele voltou a parecer um gatinho assustado, dou a volta por ele, voltando pelo caminho que sei que dará na mansão principal. Não ligo se ele está ou não atrás de mim, mas quando estou prestes a subir a escada, Jimin segura meu pulso. - Me desculpa, Cristal! Não quis te irritar e nem me intrometer na sua vida. – Olho para onde Jimin está tocando e passo uma corrente de gelo por ali, o fazendo se afastar rápido, mas ao contrário do que pensei, ele volta a me segurar quando ameaço voltar a subir. – Cristal! - Jimin, se não me soltar, vou congelar seus dedos fofinhos. – Mudo meus olhos para cor de gelo brilhante, mas ele não me solta e continua me olhando. - Amanhã, depois das festas de boas-vindas, meus amigos e eu vamos fazer uma reunião no chalé que te mostrei, depois do lago, sabe?! – Jimin fala rápido, por que sei que sua mão está gelando devagar sobre minha pele. - E daí? - Por que não vem? Talvez queira relaxar um pouco. – Levanto uma sobrancelha para ele, e Jimin parece entender a minha não pergunta. – Vai ter bebida, danças e o filho do soneca sempre leva algumas coisinhas a mais se é que me entende. Por um momento, fico tão chocada com a informação de tudo que é ilegal estar sendo oferecido logo pelo filho mais certinho de todos os personagens icônicos, que até solto uma risada. Chego mais perto dele e dessa vez, ele me solta, balançando a mão quase queimada pelo gelo, mas antes que ele possa se afastar, puxo sua camisa social, perfeitamente passada, e sem que ele espere, dou um beijo em seu rosto. - Aí! Gelado! – Sopro uma fumaça gelada na cara dele, vendo o formato dos meus lábios em seu rosto. - Até que enfim você falou algo do meu interesse, fadinha! – Ele passa a mão sobre a bochecha, sem entender o que eu fiz, mas só dou a meia volta. – Espero que valha a pena! - Isso quer dizer que você vai? – Reviro os olhos e com um aceno de mãos, sopro um ar gelado em sua direção, o vendo estremecer por um momento. - Sim. Não bebo, não fumo e nem uso nada ilícito, mas ele não precisa saber disso e de lá, posso observar melhor o que fazer para quem sabe arrumar alguma confusão?! Vai ser divertido.
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