Capítulo 6

2556 Words
A festa de boas-vindas que terminou exatamente as dez da noite, não foi tão r**m quanto pensei. Pelo menos comi bastante e eu tenho que admitir que uma das melhores coisas daquele lugar era a comida. Rose e eu fomos nos arrumar para a outra festa no meu quarto e esperar pelo momento certo de escapar. - Então, deixa eu ver se entendi, tem alguns cavaleiros de ferro que ficam fazendo rondas pelos corredores, para que os alunos não escapem e mesmo assim vocês escapam? - É, parece que essa ideia veio da m*l em uma das aventuras que envolveu a filha da Aurora... não sei direito a história, mas posso procurar depois se você quiser. – n**o com um falso sorriso e vejo minha amiga terminar de prender os cabelos em uma trança e depois encher de flores. – Enfim, é só a gente dar algumas corridinhas, ou então eu os distraio com algumas cordas de flores descendo do teto. Na maioria das vezes dá certo. Na maioria? Solto o ar e a minha vontade de ir que já estava em cinquenta porcento desce para vinte. Não acho isso muito seguro para os alunos desavisados, pelo que eu vi nos corredores, os cavaleiros estão armados de verdade. Olho para a janela, e penso ter visto algumas sombras passando correndo abaixadas para a parte de atrás onde fica o caminho para a floresta. Estamos no terceiro andar, mas abro a janela e tenho uma péssima ideia, que pode ser tão perigosa quanto o escape pelos corredores do m*l. - As janelas desse lado para baixo, só tem algumas salas de aula no primeiro andar e quartos de estudantes, certo? – Ainda estou olhando para baixo quando Rose se junta a mim. - Sim... – A incerteza na voz dela, me faz entender que ela tem uma ideia do que eu pensei. – Não está pensando em, sei lá, pular? Está? - Não! Claro que não! Tô com cara de Sininho para você? – Por um momento, olho para ela que ainda está fitando o chão. – Você não teria algum ** de fada com você, teria? Pela primeira vez, vejo a expressão sempre alegre e divertida de Rose, revirar os olhos e me olhar com deboche, o que me faz sorrir de verdade e bater meu ombro no dela. – Foi m*l! Só me certificando. Penso por um momento e bato palma uma vez, rodando os ombros para trás e esticando as mãos para frente. - O que vai fazer? – A loirinha pergunta com curiosidade, quando a peço para chegar para trás. - Uma escada de emergência. – Fecho os olhos por um momento e puxo o ar frio para mim. O meu modo gelado, como gosto de chamar quando libero o gelo, entra em ação e reúno tudo o que consigo, me concentro em visualizar uma escada caracol, para não chamar tanta atenção. Mexo as mãos e em poucos minutos, a escada de gelo desce da minha janela até o chão e com um toque, a cristalizo, para ficar segura de descer. - Uau!!! – Rose dá alguns pulinhos no lugar e já passa uma perna pela janela, o que nem me dá tempo para pensar que ela confiou demais em mim. – Que linda! Você é demais, Cristal! - Fala baixo menina. – Sussurro para ela, lembrando que estamos quebrando as regras e ela só dá uma risadinha baixa por trás das mãos. Olho para sapatilha que ela está e faço uma careta. - O que? – Ela para quando vê para onde eu tô olhando. – Não gostou? Foi a Ella que escolheu. - Não é isso! Espera. – Me abaixo e peço que ela me mostre a sola. Passo a mão por cima, fazendo algumas travas, fazendo o mesmo com o outro pé. – Pronto, assim você não corre o risco de escorregar e ir de b***a até lá embaixo. – Me levanto, mas assim que tento começar a descer, tenho o pescoço agarrado por ela. – Que p***a, Rose?! - Obrigada por cuidar de mim. – A voz meio chorosa no meu ouvido me deixa sem reação por um momento, mas logo volto a mim e limpo a garganta, dando uma batidinha em seus braços, que me soltam devagar e ela me olha com um sorriso ainda com lágrimas não derramadas. – Vamos! Fico sem jeito por todo o caminho, mesmo que Rose não pare de falar um minuto sequer. Encontramos com algumas pessoas no caminho e ignoro todos, mesmo não conseguindo me afastar. A cabana está normal, escura e silenciosa de longe, o que é estranho e me deixa pensando se chegamos muito cedo, mas Rose continua puxando nossa corda, saindo da trilha da floresta e dando a volta pela parte de trás do lago, para entrar pelo jardim que tem ali na frente e quando eu penso em falar algo, antes que abra a boca, paro de supetão bem na parede quase invisível a nossa frente. - O que? – Rose voltando para meu lado confusa por termos parado. - Um escudo? – Dou um sorriso de canto e ela entende, olhando para o nada na nossa frente que algumas pessoas passando sem nem perceber. Dou um sopro gelado mágico, deixando o escudo visível e passo por ali. – Inteligente demais. Por dentro, a casa estava toda iluminada com sons saindo tão alto que parecia que as janelas estavam até vibrando e principalmente muita gente, com copos plásticos, dançando pelo quintal. Enquanto acompanhava Rose falando com todos que a viam, eu olhava em volta com atenção. A cabana era de fato grande e muito bonita. Dois andares com uma bela varanda lá em cima que parecia vazia e era aquele mesmo meu objetivo, já que para todos os lugares que olhava tinha gente. Vi Jimin, Taehyung e Jungkook cercados por um bando de gente em uma canto da sala e mesmo que meu olhar tenha se encontrado com Taehyung por um momento, não acho que ele vá contar ao amigo que cheguei, então só me deixo ser puxada por Rose para a cozinha gigante do outro lado. A bancada do meio lugar está lotada de coisas. Desde garrafas de bebidas, a cigarros e salgadinhos em vasilhas. Pego dois copos, com Rose ao meu lado tagarelando sobre querer dançar, e começo a fazer uma mistura, com uma caixinha de suco e vodca. - Não aceite nada de estranhos, ok? – Digo em seu ouvido, e mesmo que ela ria, assente ao ver que falo sério, mas me corrijo ao pensar, lembrando que ela conhecia praticamente todo mundo dali. – Não aceite nada de ninguém além de mim. - Ok! – Ela grita e praticamente vira o copo, o que me deixa assustada. – Mais um por favor? Dou meu copo para ela sem piscar e ainda abro um sorriso ao perceber que a fadinha sorridente tem um lado pinguça. Consigo convence-la a ir dançar com as duas garotas que chamaram, e digo que vou subir, pra ir ao banheiro e volto depois. Reforço a minha ordem sobre a bebida e dessa vez ela começa a beber devagar. Mal percebo que ela ainda deixa uma corda de flores na minha cintura, mas só subo sem ligar para nada e nem ninguém que tente me cumprimentar. Me localizo por uma janela no final de um corredor, ignorando algumas pessoas já bêbadas e alguns gemidos que não quero mesmo saber de onde veem e preciso abrir uma porta para achar a tal varanda. É um quarto todo roxo e branco, com algumas pinturas bem-feitas de partes da escola, não me atento a mais nada e só saio, com o objetivo de me sentar em uma das espreguiçadeiras que tem na enorme sacada. Me deixo desligar por um momento e respiro fundo para tentar relaxar, algo que eu não fiz direito desde que cheguei ali. O céu naquele lugar era estranhamente lindo e muito estrelado, o que me deixa tão fascinada que m*l percebo que tenho companhia, até Jimin se sentar ao meu lado. - Ouvi dizer que você morou por um tempo no mundo sem magia. Na cidade, como eles chamam, né? – A voz dele está meio arrastada e suas bochechas meio rosadas, provavelmente pela bebida. Dou um pulo no lugar ao ouvir mais gente se juntando a nós. Taehyung, Hoseok e outro rapaz, se sentam no chão, encostados na grade, enquanto Jungkook e mais um se sentam nas cadeiras que tem ali no canto. Solto o ar que estava prendendo por ter sido pega de surpresa, mas só volto a me encostar e dou de ombros. - Muitos prédios, altos demais, muita poluição e muita luz. – Digo baixinho, mas sei que todos estão atentos me escutando. – Não dá para ver direito o céu noturno como esse, mesmo que lá tenham suas vantagens, como tecnologias e transportes mais modernos que te levam para tudo que é lugar que queira ir, ainda assim, nada supera uma vila, onde você conhece a maioria pelo nome, onde você pode andar para onde quiser e ainda se sentir em casa ou, - estalo a língua, vendo que estou devaneando demais com aquele garotos que nem conheço e nem faço questão de conhecer. – ver o verdadeiro e limpo céu. - Achei que gostasse mais de dias nublados e frios. – Taehyung interrompe meu pensamento e mesmo que Jimin fale o nome dele, sinto que ele não falou aquilo por implicância ou maldade. - É o que todos pensam. – Falo baixinho e recuso o cigarro, que tenho certeza de que é maconha, do cara com pele branca e olhos gateados, me oferece. Depois de um silêncio tranquilo, só com eles dividindo o cigarro, ou bebendo dos copos, Jimin dá um t**a da perna, que soa alto, nos fazendo virar em sua direção. - Não apresentamos vocês! – O loirinho joga o cabelo para trás, dando um sorriso simpático e apontando para o de cabelos castanhos, alto, que estava ao lado de Hoseok, diz: - Esse é Namjoon, filho de Hercules e Meg e esse... - Pera aí! – O interrompo quando se vira para o que estava ao meu lado, não o deixando completar. – Hércules? Tipo, o semideus? - Ham... sim?! – Jimin não parece entender minha surpresa e olho para todos ao redor, ao ver que estão prendendo o riso. - Um semideus?! – O vejo sorrir, fazendo com que um covinha profunda apareça em sua bochecha, o que o deixa com um charme a mais e muito fofo. Eu olho para Taehyung, que nem parece prestar atenção e lembro que o avô dele é Hades e está na ilha dos vilões. - Eu vim do outro plano. – Ele dá de ombros e chegando um pouco para frente, pega uma perna de cada cadeira onde Jungkook e o outro estão sentados e como se não fosse nada demais, ergue do chão, fazendo os dois reclamarem entre risos. – Eu estava namorando por cartas com o filho da Rapunzel, e eu pedi para que fosse transferido para cá. – Vejo Hoseok apertar o ombro do amigo de maneira confortante e franzo o cenho sem entender. - É que não deu certo. – O menino ao meu lado fala baixinho. – Trocou ele pelo neto do zangado. - Bom, pelo menos eu fiz amizades para toda vida. – Namjoon fala depois de um tempo e de virar a bebida. - Que seja, eu sou Yoongi, pode me chamar de Suga. – Ele dá uma pausa, e dessa vez estou genuinamente curiosa para saber sobre os pais dele, e vendo que estou esperando, pega a garrafa de uísque ainda fechada, a abrindo. – Neto da branca de neve, caso não tenha chegado à conclusão. – Pondero com a cabeça e sorrio com ele, que solta o ar com força e joga a cabeça para trás. – Esquecemos do gelo. - Culpa do senhor apressado aí, que queria falar com a novata. – Taehyung reclama apontando com o dedo para Jimin, o que o faz bufar e aparecer uma nuvem n***a rodeando sua cabeça. Mas o que me chama atenção não é isso, e sim o fato dele corar ainda mais ao olhar para mim e ver que estou o observando. - Se não parar de me perseguir vou achar que está apaixonado por mim fadinha. – Dou uma piscada em sua direção, o que o faz desviar, negando. Já que estou aqui e para ser sincera, muito confortável mesmo rodeada por quem não queria, só pego a garrafa da mão do Yoongi, que fica confuso, mas só ignoro e me concentrando, congelo a garrafa, mas não o liquido dentro e coloco no copo de Jimin, o oferecendo. – Prontinho rapazes. Eles riem enquanto se servem, dizendo o quanto aquele poder era de fato útil e engatam alguns assuntos. Não me importo em dividir o copo com Jimin, que parece gostar do quanto eu estou relaxada ao seu lado finalmente. Depois de muitas risadas e de mais álcool que estou acostumada, me levanto de repente, fazendo com que todos parem e me olhem. - Aonde vai? – Jungkook pergunta e todos se levantam juntos. - Deixei Rose lá embaixo sozinha por muito tempo. Vou ver como ela está. – Nem acredito que estou de fato preocupada com a bolinha loira de alegria. - Ela estava dançando com Lisa, Solar e com o Jin quando subimos. – Jungkook segura o meu braço e me puxa para mais perto, o que me faz desequilibrar um pouco e dar de cara com o peitoral malhado. Olho para cima, vendo o sorriso malicioso que ele me dá e por um momento retribuo, o que me faz sorrir e deixar minhas mãos subirem por seu abdômen marcado. Caramba! Mas pisco, ao ouvir um muxoxo e vejo Taehyung se colocando na frente de Jimin que tem a cabeça baixa e só por isso me afasto. - Prometi uma dança para ela. – Dou a volta e todos eles me seguem, o que me faz parar e olhar para trás, ao que eles fazem o mesmo. – Vocês vão me seguir ou já iam descer mesmo? - Você é legal quando não está sendo uma v***a com coração de gelo. – Taehyung solta de maneira ríspida, o que me faz dar um passo para trás, e todos o olharem com surpresa e raiva. - Qual é Taehyung, isso é coisa que se fale? – Namjoon fecha a cara e trinca o maxilar olhando para o amigo. – Nem faz sentido isso que você falou. Entretanto eu sei o porquê ele disse isso, o que me faz lembrar de levantar as defesas de novo e pisco os meus olhos os deixando brilhantes e frios de novo. - Você tinha que estragar o clima, não é? – Sei que a minha voz estridente faz com que os outros se afastem um passo de mim. – Mas, querem saber? Ele tem razão, cansei de bancar a boazinha. - Cristal, não. – Jimin tenta, mas lanço uma rajada de vento gelado em direção a eles, o que os faz se virarem e fechar os olhos, enquanto isso, aproveito para me virar e descer as escadas. Ainda ouço a voz de Jimin. – Que d***a, Taehyung!
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