Capítulo 8

1440 Words
Não conseguimos acordar para o café da manhã e mesmo que Rose diga que não está com muita fome, insisto para que nós desçamos para o almoço, onde ela tomaria pelo menos uma sopa. Fico preocupada, porque mesmo depois que eu descongelo o quarto, ela ainda fica gelada por um tempo, e odeio que eu não possa fazer nada quanto aquilo. Ella e Jenny nos encontram em uma das mesas, estranhando o fato de Rose estar com um casaco de frio, mesmo estando um belo sol do lado de fora. - Eu congelei o quarto sem querer. – Falo como explicação para os olhares curiosos e ao fitar Rose que está tomando a sopa como uma tartaruga, ela deixa um espirro fofo e fino sair, o que me faz solta um suspiro. – Acho que devemos ir para enfermaria. - É só uma gripe Cristal! Não se preocupe. Sempre que o tempo esfria eu fico assim também. As duas só dão de ombros e voltam a ficar animadas enquanto perguntam sobre a festa, o que serve para deixar a Rose vermelha ao contar sobre algumas coisas, mas nada se compara quando vejo Jenny olhar confusa por nossas costas, para logo depois arregalar os olhos. - Acho que vocês deixaram algo passar. – Sussurra rápido, e antes que eu possa perguntar a cadeira ao meu lado é puxada. - Boa tarde senhoritas. – Jungkook senta, colocando a bandeja com muita carne e batatas na mesa. Ele se vira para mim, piscando um olho e sorri. – Oi Cristal. Abro a boca para responder, na verdade para perguntar que p***a ele achava que estava fazendo, já que todos que ainda estão no refeitório estão olhando para nossa mesa como se tivesse um dragão cuspindo fogo. Só que minha atenção é desviada, com Jin pedindo para trocar de lugar com a Ella, para se sentar ao lado de Rose, que cora ainda mais e tenta arrumar o cabelo. Fico mais ainda surpresa quando, como se aquilo fosse normal, os outros garotos se sentam no resto da mesa, cumprimentando e voltando a conversar. Ouço o falatório que começa e a fofoca que provavelmente vai começar a se espalhar, pelos sete preciosos terem mudado da mesa dos populares no meio do salão, para uma mesa no canto com duas filhas de vilãs e uma novata. Meu olhar por um momento vai para Jimin, que fita Jungkook que escolheu essa hora para parar de comer e passar o braço por volta dos meus ombros. Jimin disfarça muito m*l e não entendo o que se passa na cabeça dele de achar que ninguém mais sabe da sua paixonite pelo guerreiro ao meu lado. Odeio que quando ele percebe meu olhar, respire fundo e tente abrir um sorriso, que não chega aos olhos que é o bastante para chamar atenção da pessoa ao seu lado. Taehyung olha para ele e segue seu olhar até encontrar o meu, que pela primeira vez, recuo e engulo em seco, baixando o olhar e tentando prestar atenção a conversa que Jenny puxa comigo e com Jungkook sobre as atividades extracurriculares que vão abrir. *************************************************************************************************** Odeio esse sentimento que tem me assolado por todo o começo do primeiro mês de aula. Não consigo terminar uma noite sem que o quarto fique congelado, já até desisti de descongelar, o que faz com que minhas “amigas” tenham que vestir agasalhos pesados quando vem até mim. Somos de fato um quarteto estranho e uma parte de mim já aceitou que não vou conseguir afastá-las, nem sendo ignorante, rude e b****a. Minha única preocupação agora é me manter afastada de uma única pessoa, que mesmo depois de tudo, ainda parece querer insistir na minha amizade. Jimin toda vez que me vê tenta puxar assunto, mas minha consciência me empurra para longe sempre que penso nos lábios e nos toques de Jungkook em mim, porque sim, eu ainda estou ficando com ele. Para ser justa, eu nem gosto tanto assim dele, quer dizer, ele é lindo, gostoso e muito legal, mas eu não sinto nada além de atração. Sei que Jimin atinge seu limite, quando depois de uma aula, ele me chama ao longe e como sempre o ignoro, mas quando dobro uma esquina, sou puxada e imprensada contra a parede. Jungkook como sempre me pega de jeito, sem ligar para nada e mesmo que eu mantenha as mãos para baixo, não consigo resistir. Jimin vira a esquina ainda chamando meu nome, mas para ao se deparar com a cena. Jungkook se vira ao perceber, e dessa vez acho que finalmente o atingiu, por que o amigo está prestes a chorar, mesmo que tente disfarçar com um sorriso que não tem a mínima chance de ser verdadeiro. - Desculpem, eu só... – A voz doce falha e uma lágrima escorre rápido demais para que ele consiga segurá-la. – Eu não queria atrapalhar e... eu vou... Jimin dá as costas e corre para longe tentando esconder o rosto vermelho e as lágrimas, mas eu vi e sei que Jungkook também, porque ele chega a dar alguns passos para seguir o amigo, mas o impeço. - Deixe-o sozinho. Ele não vai querer te ver agora. – Digo baixo e cansada daquilo, e vendo que Jungkook realmente caiu na real, que magoar o amigo não é a melhor saída, ele parece querer surtar, segurando e puxando os cabelos com força. Olho para o lado de fora por um momento e o que vejo faz o meu coração doer ainda mais. As flores do jardim estavam murchando e morrendo, como se a tristeza de Jimin tivesse as deixando tão tristes também que não queriam mais sorrir para o sol. Solto um suspiro, engolindo o bolo que sobe e deixando minha outra parte falar por mim. – Vamos, acabar com isso, Kookie. Eu não posso mais fingir que não ligo para Jimin e, como ele insiste em querer se aproximar de mim, não posso continuar com isso. – Jungkook olha para mim e abaixa a cabeça, concordando, mas deixando um sorriso triste. – Ainda podemos ser amigos, sabe? Você e eu sabemos que isso entre a gente é só atração e fogo. - Pelo menos o s**o é ótimo. – Ele ri e eu o acompanho balançando a cabeça e dou um t**a em seu braço. – Amigos, então? Ele estende a mão para mim, que a pego e recebo o típico beijo no dorso. Ficamos nos olhando por um tempo até que seu olhar caia para minha boca e em um impulso, o puxo para o último beijo. Jungkook me acompanha até a minha próxima aula, que já estou quinze minutos atrasada, mas ainda assim, paro na porta e me viro para ele. - Devia conversar com ele, Jungkook. - Eu sei. – Ele admite, derrotado, mas levanta o olhar para mim e pensa por um momento, antes de falar. – Você também. - Ele não é nada meu, o que quer que eu diga? – Jungkook revira os olhos e cruza os braços sobre o peitoral, a blusa de manga curta, ressaltando os músculos. - Cristal, pode ter enganado as pessoas sem magias lá do outro lado da barreira, mas aqui, nós somos mais sensíveis. – Quando só o olho sem expressão, ele estala a língua e solta o ar com força. – Ficamos juntos por quase um mês Cristal, e eu sei que você não é essa v***a i****a que você quer que as pessoas pensem. E se não percebem isso ao receber um fora ou uma grosseria sua, é só ver sua relação com Rose. Você cuida dela como o seu bem mais precioso. - Isso não é verdade! Ela me segue como um cachorrinho, o que posso fazer? – Tento me defender em vão, mas Jungkook não vai cair naquilo. - Nem você acredita mais nisso! – O vejo jogar o cabelo para trás e abrir um sorriso compreensivo para mim, que odeio. – Jimin é mais sensitivo do que qualquer outra pessoa nessa escola, ele deve sentir que você precisa dele ou de algo que ele possa te ajudar a conseguir. Só... pare de tentar afastar tudo e todos que se aproximam de você, ok? Sem me deixar retrucar, ou mandá-lo a m***a, Jungkook deixa um beijo em minha testa e sai andando. Abro a porta sem bater pela irritação que ele me causou, e só pergunto se posso entrar, mesmo estando super atrasada e praticamente faltando com o respeito com a professora, ela só me fala para sentar e pegar o início da aula com alguém, o que é óbvio que não vou fazer.
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