Não foi no mesmo dia que se escreveram. E isso dizia muito. Henrique chegou em casa tarde naquela noite. Deixou a chave sobre a mesa, tirou o casaco e ficou parado por alguns segundos, como se o corpo ainda estivesse na exposição. O silêncio ali era conhecido — mas agora carregava outra coisa. Expectativa. Sentou-se na varanda, abriu o caderno por hábito e percebeu que não conseguia escrever. As palavras estavam todas presas em um único nome que ele não ousava colocar no papel. Isadora. Pegou o celular. Abriu a conversa recém-criada. Digitou algo. Apagou. Digitou de novo. “Chegou bem?” Ficou olhando a tela por alguns segundos antes de enviar. Quando o fez, respirou fundo, como se tivesse dado um passo importante demais. Do outro lado da cidade, Isadora estava deitada, o ca

