Não houve anúncio. Não houve conversa definitiva. A convivência simplesmente começou. Isadora passou a dormir na casa de Henrique duas, três vezes por semana. Depois, perdeu a conta. A escova de dente apareceu ao lado da dele sem cerimônia. Uma camiseta ficou esquecida sobre a cadeira. Um livro passou a ocupar espaço na mesa de cabeceira. E, quando perceberam, já estavam vivendo como se fosse natural. Henrique acordava antes do despertador, ouvindo o som dela na cozinha. Isadora andava pela casa com pés descalços, como se sempre tivesse pertencido àquele espaço. — Você toma café fraco demais — ela comentou certa manhã, provando a xícara dele. — Você coloca açúcar demais — ele respondeu, rindo. — A gente pode alternar — sugeriu ela. — A gente pode aprender — corrigiu ele. E a

