A manhã começou com o cheiro de pão quente. Não era o café da mansão antiga — aquele cheiro de cera e segredo. Era algo novo: fermento, canela, o som de risos no corredor. Lúcia tinha acordado cedo para cozinhar. Sofia a ajudava, subida num banquinho, misturando a massa com as mãos pequenas. — Ela quer aprender a fazer tudo — disse Lúcia, sorrindo, os olhos brilhando. — Até consertar o carro do Corvo. — Deixe ela tentar. — Sentei-me à mesa de madeira simples, sem mármore, sem guardas. — Aprender é a única forma de não ter medo. Dante entrou pela porta dos fundos, sem gravata, sem armas visíveis. Trazia flores silvestres colhidas no jardim. — Para vocês — disse, entregando-as a Sofia. — Porque hoje é um dia comum. E dias comuns são os mais valiosos. Sofia enterrou o rosto nas pétalas,

