A Ceia dos Corvos

1239 Words

Moretti não respondeu com balas. Respondeu com um convite. Chegou ao amanhecer, entregue por um garoto de rua que desapareceu antes que os seguranças pudessem interrogá-lo. Um envelope preto, selado com cera vermelha, o símbolo de uma serpente enrolada num punhal. Dentro, um cartão: “Jantar às oito. Sozinha. Traga a menina se quiser. Mas saiba: se você não vier, mando homens para onde vocês estão escondidas. E desta vez, não vou pedir permissão.” Meu sangue ferveu. Mas não tremi. Levei o convite até o quarto de Dante. Ele estava sentado na cama, apoiado em travesseiros, folheando relatórios com mãos trêmulas. — Ele sabe onde estamos — disse, sem emoção. — Sim. — Ele levantou os olhos, azuis e cansados. — Mas ele não sabe que você não é mais a mesma mulher que entrou nesta casa

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