A cidade acordou em silêncio. Não era o silêncio de medo. Era o silêncio de alívio. O tipo de quietude que vem depois da tempestade, quando o mundo finalmente respira. As ruas estavam limpas. Os mercados abertos. E, pela primeira vez em anos, as crianças brincavam no parque sem olhar por cima do ombro. Na mansão, o cheiro de tinta fresca substituía o de pólvora. — Os vidros novos chegaram — disse Lúcia, entrando no escritório com uma xícara de chá. — São à prova de balas, mas parecem normais. Sofia adorou. Sorri. Porque era isso que queríamos: normalidade disfarçada de fortaleza. Mais tarde, encontrei Sofia no jardim. Ela estava ajoelhada na terra, plantando girassóis ao redor das estátuas de pedra que fizera. Agora, havia uma nova: uma mulher com uma coroa, segurando duas crianças pe

