Alexandre
Chegando em casa assim que passo pela porta eu paro e olho a sala, está limpa e vazia sem rastros da briga do outro dia, sem rastros daquela mulher que destruiu meu coração, fico um tempo ali lembrando da cena horrível.
Dalva saiu da cozinha veio se aproximando um pouco perdida.
Dalva- bom dia senhor Alexandre, onde está dona Renata? quando cheguei ela já não estava, aconteceu alguma coisa?
Alexandre- Dalva, a Renata nunca mais pisa nessa casa, e nunca mais quero ouvir o nome dessa mulher aqui dentro.
Dalva- sim senhor.
ela foi voltando para a cozinha sem dizer mais nada, eu não queria explicar tudo, só falei o necessário. subi para o meu quarto, quando cheguei lá, o cheiro dela estava por toda parte como eu imaginava. o perfume que me fazia sentir vivo, deitei na cama e fechei os olhos imaginando ela ali comigo em meus braços, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, como pode mesmo com a ferida aberta meu amor estava todo ali palpável demais para evaporar no ar. fiquei ali um tempo no silencioso com a minha dor.
Renata
Botei um vestido longo tomara que caia, lilás e um tamanco plataforma branco, fiz um r**o de cavalo, fiz uma maquiagem leve, e sai de casa, quando chego no portão, tem um cara em frente um carro Duster cinza, moreno como eu, com muitas tatuagens nos braços e no pescoço, olhinho um pouco puxado, cabelo na régua, corpo musculoso mais não muito, sorriso branquinho, estava de camiseta preta colada no corpo, corrente fininha de ouro, e uma calça cargo jeans preta. tênis branco com verde, Nike.
me olhou de cima a baixo com interesse, depois veio até o portão se aproximando de mim.
Henrique- EAI princesa, me chamo Henrique vulgo H, o patrão mandou te levar lá no asfalto, procede?
Renata- sim ele me falou. prazer H.
Henrique - então bora lá.
Ele fez sinal, apontando para o carro fui andando ao seu lado, abriu a porta do carro e eu entrei, depois ele entrou botamos o sinto e fomos saindo, dirigindo sério e atento ao trânsito, depois de um tempo já fora do morro, paramos o carro no sinal e ele resolveu falar.
Henrique- ouvi falar muito de você, ouvi que é metida e que não se mistura com o pessoal do morro. também disseram que é linda, mais não imaginei que era tanto assim.
senti a vergonha, queimar minhas bochechas.
Renata- as pessoas adoram falar demais.
Henrique- sim isso é verdade. mais o patrão tá mudado com você aqui agora, ele tá feliz pra c*****o, marcou baile em homenagem aos gêmeos no próximo fim de semana.
Renata- meu pai tá exagerando um pouco. nem eu mesma sabia desse sonho dele em querer ser avô, sempre me proibiu de namorar, ninguém era bom o bastante, agora tá aí um avô babão.
Henrique- ele tem razão ninguém chega aos teus pés.
Falou com sua voz rouca, me encolhi no banco carona e segui em silêncio o resto do caminho.
Chegamos no estacionamento da faculdade, e paramos em uma vaga livre.
Henrique- está entregue princesa, quer que eu entre junto com você?
Renata- não precisa, não vou demorar, fiquei aqui por favor.
Henrique- já é.
fui saindo do carro, entrei no prédio, fui até a secretaria, arrumei toda a papelada fiz tudo que tinha que fazer para trancar minha matrícula, e confesso que não me senti m*l, trancar a faculdade para cuidar meus bebês não me pareceu errado, eu saí com o coração satisfeito, dando o primeiro passo para as mudanças que queria construir em mim.
Quando tô saindo do prédio, dou te cara com a Jéssica, ela estava passando por mim e como de costume ia me virando a cara, eu segurei firme o seu braço para poder ter sua atenção, ela parou para me ouvir, mais ainda sem me olhar.
Renata - Jéssica, sei que talvez agora seja realmente tarde demais, mais só queria pedir perdão por aquele dia lá com o Breno, você estava certa sobre o Alexandre ele não presta, ele me abandonou grávida, estou morando no morro de novo, acabei de trancar minha matrícula aqui, se um dia você puder me perdoar vai me visitar no morro, eu sinto sua falta.
ela se soltou das minhas mãos e saiu sem dizer nada, é parece que tudo que eu tenho agora é os bebês e o meu pai, nada além deles.
Fui até o estacionamento, entrei no carro do Henrique sem dizer uma palavra e comecei a chorar, eu não queria chorar na frente dele, mais com os hormônios da gravidez e tudo que eu estava passando foi inevitável, chorei em soluços com a mão no rosto, senti seus braços em mim e seu peitoral malhado colado em mim ele estava me abraçando, e fazendo carinho na minha cabeça.
Henrique- o que foi princesa? alguém malandro pagando de maluco pra cima de ti? me fala que eu entro lá agora eu levo uns 4 de arrasta sem nem pensar.
Renata- não, é só que tô passando por muita coisa e as vezes eu sinto que não vou aguentar.
Henrique- tá chapando, tô sabendo que tu é mó durona, não foi você que saiu do morro com BOPE, toda arrebentada e tá aí mó linda de volta, já enfrento o d***o do seu pai de frente e tá aí com todos os dentes, fraca tu não é.
comecei a rir do jeito dele de falar aquilo me acalmou me afastei do seu abraço para olhar pra ele, ele também estava com um sorriso leve como se a vida fosse fácil e eu quem estava dificultando tudo.
Renata- é parece que já passei por coisas piores né.
Henrique- qual foi do bagulho quem fez você chorar?
Renata- eu perdi minha melhor amiga ela na quer mais saber de mim.
Henrique- se ela é de verdade, ela vai voltar deixa o tempo cuidar disso, agora é hora de cuidar de você e dos moleques aí dentro.
Renata- sim, você tá certo H. agora vamos embora por favor.
Henrique- se que manda princesa.
ele arrancou com o carro e fomos, conversando pelo caminho ele me falou um pouco da história de vida dele, ele era de uma cidade pequena tá a pouco tempo no morro, meu pai ajudou ele logo que ele chegou aqui, é solteiro, não tem filhos, tem 23 anos.