Maite narrando — Mãe… por favor… vamo comigo pra casa. A palavra “mãe” me acertou como uma coronhada no meu peito. Eu nem sabia o que responder. Minha cabeça girou, meu estômago virou água, mas meu corpo… meu corpo foi sozinho. Assenti, sem saber por quê, talvez porque eu precisava descobrir se essa menina era mesmo minha filha. Ou porque, mesmo sem entender nada, tinha algo nela que que me fazia querer cuidar dela. O Homem que chamam de Corvo se aproximou devagar. Ele tinha aquele jeito silencioso de quem carrega muito nas costas. — Maite… eu te procurei por vinte anos — ele disse, a sua voz baixa, mas firme, como se estivesse segurando o mundo pra não desabar em cima de mim. Eu paralisei. Vinte anos. Vinte anos de alguém que eu não lembrava. De uma vida que eu não lembrava. — Desc

