Os sinos da Catedral badalavam e ecoavam até os confins da cidade. Toda vez que morria alguém por lá era assim, e eu sentia calafrios ao ouvir o som do bronze. Não era nada demais, mas é que aquele barulho ensurdecedor deixava uma atmosfera mórbida que não era nem um pouco agradável. No entanto, era véspera de Natal, o céu estava limpo e corria uma leve brisa de verão. Eu e meus amigos estávamos todos empolgados com a data, na expectativa de receber os presentes, aliás, toda a cidade já estava preparada para isso, havia pinheiros decorados por toda a parte e o movimento no modesto comércio era agitado. Santa Cruz era um lugarejo pequeno, de casinhas pintadas com cores primárias e janelas e portas que davam diretamente para a calçada. Todos se conheciam. À noite, nos reunía

