Querido, tem alguém na casa. Ao som trêmulo deste sussurro, o doutor foi tirado de seu profundo sono. Sentiu uma pontada rápida de impaciência pelo incômodo, mas foi logo invadido pela surpresa. Havia alguém na casa? Como assim? Mexeu-se na cama, causando alguns estalidos na velha armação de madeira. Parou subitamente ao som que produzira, amplificado pelo silêncio da noite. Ora, se havia intrusos na casa, devia fazer silêncio. Pegou os óculos na cabeceira, fixou o olhar no rádio-relógio: 1 h30. Aguçou os ouvidos para tentar captar algum ruído que entregasse a presença do invasor. Acalmou a respiração para que pudesse ouvir o mínimo barulho não familiar e, ao estabilizar o fluxo de entrada e saída de ar em seus pulmões, pôde escutar alguns murmúrios e sinais de atividade

