Pov Lauren
" Nem sempre o seu melhor vai ser bom o suficiente"
- Lauren você me ouviu? - olhei pra Normani na minha frente, não eu não tinha ouvido nada porque tudo que eu via e ouvia nesse momento era olhos castanhos e uma voz doce falando " Camila".
- Desculpa Mani mas não ouvi - falei ela revirou os olhos.
- Tava pensando no que? - perguntou, sorri de lado e ela balançou a cabeça - Lauren não vem se meter em confusão em uma cidade como essa, estamos aqui para você se recuperar e merda ela parece ser menor de idade - falou Normani.
- Tenho que me distrair um pouco Normani, já que você me arrastou para esse fim de mundo - falei, ela suspirou.
- Estamos aqui para você se recuperar- falou.
Olhei pro meu café, não gosto muito de café, mas eu não tinha comido nada hoje e minha cabeça estava latejando. Eu sabia o motivo, eu não dormia direito tem 3 dias e não tomo remédio durante esse período também, então isso me leva a começar a ter os feitos colaterais esperados, ainda nem ficou r**m.
- Lauren, Deus te deu uma segunda chance, não desperdice - falou Normani, suspirei e bebi meu café.
Vero chegou se juntando a nós, ela que escolheu essa cidade por ser afastada dos centros urbanos e de difícil acesso.
- Você tem que falar alguma coisa pros seus fãs antes de passar um tempo sem entrar nas redes sociais, você vai excluir todas do seu celular- falou Normani.
Eu não queria mas era o certo, eu devia dar uma satisfação aos meus fãs já que vou ficar um tempo fora. Eles estão aflitos com tudo que aconteceu, eles mereciam uma satisfação, já que são eles que me dão amor todos os dias.
Abri o twitter e comecei a escrever.
" Olá babys, ficarei um tempo afastada para poder me recuperar e voltar melhor, mais forte e com todas as feridas curadas. Obrigada por todo amor e carinho que vocês transmitem a mim. Nesse meio tempo fiquem saudáveis, fortes, cuidem uns dos outros e transmitam amor uns aos outros. Amo cada um de vocês.
Lauren Jauregui "
Depois de enviar, publiquei a mesma mensagem no i********: e deletei os dois do meu celular.
- Ficou bom - falou Vero olhando o celular - Além disso o sinal aqui é horrível- falou irritada depois.
- Você que escolheu essa cidade, se culpe - falei com deboche, ela revirou os olhos.
- Você sempre sabe o que falar pra eles, você devia seguir o que você escreveu - falou Normani, olhei pra ela irritada.
- Quero ir pra casa ou sei lá o que - falei virando o resto do meu café, que era ótimo por sinal.
Normani chamou a Camila que estava perto de mais duas moças bonitas atrás do balcão, Sitka só tem mulher bonita, talvez não seja tão r**m assim.
- Senhorita Cabello poderia trazer a conta - pediu, Normani.
- Claro e pode me chamar de Camila - falou, ela tinha uma voz tão doce e falava de um jeito meigo.
Camila escreveu em um papel e deixou em cima da mesa.
- Obrigada por virem e voltem sempre - falou, Camila me olhou eu sorri torto pra ela, tipo eu não queria conquista-la mas o sorriso saiu involuntário e tive a sensação de ver ela corar.
- Voltaremos, o café é ótimo - falei, não pretendia cantar ela mas saiu desse jeito e todo mundo na mesa percebeu, Camila deu um pequeno sorriso parecia envergonhada o que a deixava linda.
- Obrigada, com licença- falou saindo.
Não queria mas foi impossível não olhar pra sua b***a mesmo através do avental rosa dava pra ver que era enorme.
- Ai p***a - xinguei depois que senti uma ardência no braço provocada por um tapa que Vero me deu, encarei Vero passando a mão no braço que estava queimando.
- Eu conheço esse olhar Lauren, para com essa merda, ela deve ser menor de idade - falou Vero, ergui uma sobrancelha.
- Não fiz nada- falei. Ela balançou a cabeça em negação.
Antes que a Normani abrisse sua bolsa tirei do bolso uma nota de 50 dólares e coloquei na mesa, os dois cafés não devia custar mais do que 15 dólares, o resto ficaria como gorjeta pelo belo atendimento e bota belo nisso.
Quando saímos do café passamos pelas moças bonitas e vi que Normani encarou a loira, alta, de pele dourada e olhos castanhos demais, quando saímos do lugar aconchegante pro frio da cidade bati no braço da Normani que me olhou surpresa.
- Eu vi tá - falei ela ergueu uma sobrancelha.
- O que? - perguntou, eu ri pra ela.
- Sua secada na loira bonitona lá, ela deve ser menor também - falei ela revirou os olhos me fazendo rir.
Fomos pra casa que Normani comprou, sim ela comprou a casa. Eu achei meio exagerado ja que tinha um pequeno hotel na cidade pra visitantes mas ela achou que ficaríamos mais a vontade em uma casa privada.
A casa ficava um pouco afastada das outras casas, ficava mais perto da montanha. Era uma casa grande, e confortável, de madeira como todas as casas aqui, não tem portão, nem cercas, nenhuma casa aqui tinha, em Sitka não tinha roubos registrado segundo Vero a mais de 15 anos, tinha uma pequena delegacia de Polícia com apenas 10 policiais que conseguiam tomar conta da cidade.
Maria tinha vindo com a gente, ela iria ficar sozinha em Los Angeles já que a filha dela estava na Universidade. Meus seguranças ganharam férias, assim como minha equipe que já estava mais ou menos de férias nesses 3 meses mas agora era oficial.
Depois de entrar em casa e comer uma comida maravilhosa que Maria tinha feito eu falei que iria pro meu quarto descansar, minha cabeça ainda estava doendo.
Entrei no meu quarto que era grande até, não era nada luxuoso, mas era aconchegante e tinha uma enorme janela que dava vista pra montanha que já estava com neve no topo.
Peguei meu violão preto que estava no pedestal e me sentei na cama, dei um pequeno acorde no violão e senti um pequeno tremor na minha mão, fechei os olhos respirando fundo, eu sabia o que era isso, olhei para minha mala, Normani não sabia que eu tinha trazido nem quem tinha entregado mas estava ali, só alguns passos e meu sofrimento com a abstinência iria acabar.
" Não Lauren, não faça isso" fechei os olhos de novo me lembrando daquele dia.
3 semanas atrás
" Abri meus olhos e os fechei rapidamente por causa da claridade, eu ouvia um barulho irritante de aparelho hospitalar e um cheiro pior ainda de produtos de limpeza.
Aos poucos fleches de memórias se passaram na minha mente. Eu só sentia a euforia de ter escrito um verso e só queria me divertir antes do xanax bater de uma vez, lembro de beber bastante, de uma seringa na minha pele perfurando por duas vezes e então tudo se transformou em vazio, nada.
Abri meus olhos de novo, olhei pro lado e vi minha mãe deitada no sofá cama dormindo e em outra poltrona Normani. Senti as lágrimas invadirem meus olhos, eu estava no hospital porque tinha feito merda, minha mãe estava aqui em Los Angeles pra ela ter vindo foi grave, o barulho irritante aumentou porque eu não estava mais tranquila.
- Lauren graças a Deus - olhei pro lado e minha mãe se levantou rapidamente e veio me abraçar.
Senti as lágrimas dela no meu pescoço e senti as minhas correr pelo meu rosto, olhei pro lado e Normani me olhava de braços cruzados já em pé, ela não parecia irritada, nem feliz, nem triste, ela só me olhava. E eu não sabia o que isso significava.
Minha mãe beijou minha testa e minha bochecha, sequei seus lágrimas com minhas mãos.
- O que aconteceu? - perguntei o que eu sabia, minha voz saiu arrastada, minha garganta estava doendo bastante.
- Você teve uma orvedose de fentanil e xanax, você dançou, aceitou o Fentanil de algum i****a tentei te impedir mas você falou "me deixa Mani, quero sentir meu corpo flutuar". E você flutuou. Flutuou tanto que uma hora falou que não estava sentindo nem seu corpo, que não sentia nem você falar. Você deitou e apagou, fiquei de olho em você, fiquei ao seu lado vendo se você estava respirando. Essas merdas relaxam tanto o corpo que seu cérebro esquece de respirar, seu cérebro quase esqueceu. Não antes do seu corpo começar a recusar as merdas que vocês injetou em você, você começou a espumar pela boca e logo eu soube o que estava acontecendo, Post Malone e Lucy também. Na casa do Post Malone tinha Narcan, Lucy enfiou na sua goela te fazendo engolir, Post Malone ainda ferveu um pouco em uma colher pra desolver o comprimido e injetar na sua veia. Ele e Lucy salvaram você segundo o médico. Você está apagada tem 3 dias. - falou Normani.
Eu tentei digerir tudo que ela me falou, era pra mim estar morta, o escândalo que isso deve tá sendo na internet, meus fãs devem estava desesperados, muitos outros devem ter desejado minha morte, minha mãe chorando do meu lado. Eu decepcionei todo mundo.
- Fizeram uma lavagem estomacal em você por isso a provável dor de garganta que deve estar sentindo - completou Normani.
- Deus te deu uma segunda chance, não desperdice - falou minha mãe - Quando você tiver alta vai direto pra uma clínica de reabilitação, já conversamos com uma qu...
- Eu não vou - interrompi minha mãe que me olhou incrédula, eu já sentia o suor na minha testa e a falta de ar nos meus pulmões.
Eu não iria, eu não quero ficar trancada dentro de um local por 3 meses no mínimo.
- p***a Lauren você quase morreu c*****o! Estamos tentando te ajudar e você também precisa querer se ajudar - falou Normani irritada.
E isso bastou pro meu coração disparar, era audível por causa dos fios colocados no meu peito, eu sentia uma dor forte no estômago.
- Não consigo respirar - falei, tentando buscar o ar mas não vinha.
Vi Normani chamar uma enfermaria e logo ela chegou, vi ela colocar alguma coisa no soro que estava na minha veia e segundos depois eu apaguei."
Agora
Abri meus olhos voltando ao presente percebi que minhas unhas estavam fincadas na violão arranhado a impecável pintura preta do instrumento.
Estiquei minha mão que estava tremendo um pouco respirei fundo algumas vezes, senti minha boca seca, meus olhos estavam fixados na mala onde eu encontraria a cura pra tudo que eu estava sentindo e eu finalmente iria dormir.
- Vamos Lauren você é mais forte do que isso - falei para mim mesma saindo do quarto como o d***o que foge da cruz.
Falei pras meninas que iria dar uma volta e que iria sozinha pra pensar, sai novamente pro frio de Sitka sentido o ar mais fresco que eu já tinha sentindo na minha vida. Preciso fazer o meu melhor pra ficar longe disso mas talvez o melhor não seja o bastante.
Pov Camila
" O inesperado as vezes é o que esperávamos "
- Camila - olhei pra Dinah que tinha falado alguma coisa comigo mas não ouvi nada porque estava pensando em olhos verdes.
- O que? - perguntei enquanto abria meu armário pra pegar minhas coisas pra ir embora.
- Você tá pensando no que em? - perguntou, dei de ombros - Eu estava falando que tem celebridades em Sitka o quanto isso é legal e estranho ao mesmo tempo- falou Dinah.
- Sim, o que será que elas querem aqui? - perguntou Ally.
- Ser reconhecidas que não é, se não elas não estariam aqui. Então acho que é melhor não falar nada pra ninguém- falei.
- Verdade Mila, vamos manter isso só entre a gente - falou Ally, Dinah sorriu.
- Finalmente nossa cidade tá importante - falou enquanto saíamos do café.
Era 18h, o céu estava ficando escuro e estava mais frio do que antes, a maior parte do centro da cidade estava fechado, menos o bar do Sam e um restaurante, o bar ficava até tarde da noite aberto por ser o local que as pessoas da cidade vão pra poder beber um pouco e se divertir, é tipo uma boate/bar.
As ruas tranquila da cidade como sempre, não tinha quase ninguém na rua, me despedi das meninas e segui para minha casa, faltando uma rua pra chegar em casa vi no parquinho vazio Lauren sentanda em um balanço olhando pro céu, ela tinha um cigarro na mão.
O céu estava com nuvens escuras que encobria as estrelas mas isso não parecia incomoda-la. Ela estava sozinha o parquinho na praça sempre era frequentado por crianças inclusive minha irmã Sofia, que estava em casa essa hora provavelmente me esperando.
Me aproximei dela me sentando ao seu lado, eu não sabia porque estava ali mas estava.
- Oi - falei meio nervosa ela me olhou e me deu um pequeno sorriso, as luzes da cidade estavam acessas dava para ver perfeitamente seu rosto cansado.
- Oi - falou - O que faz aqui? - perguntou dei de ombros.
- Minha casa fica na rua de cima - falei, ela assentiu - E você o que faz aqui sozinha? - perguntei, ela suspirou e deu uma longa tragada no seu cigarro.
- Fugindo do que tem lá - ela falou soltando a fumaça pelo nariz e apontou pra uma casa que ficava ao pé da montanha.
Era uma casa boa, grande e cara, estava pra alugar ou pra venda a muito tempo mas agora aparentemente era onde a Lauren estava morando.
- E o que tem lá? - perguntei, ela suspirou e olhou pra cima.
- A cura pra minha insônia, dor de cabeça e isso - falou me olhando esticando sua mão que estava um pouco trêmula - Ai eu estou fugindo- falou como quem da bom dia.
Suspirei, eu sabia sobre o que ela estava falando, ela teve uma orvedose uns dias atrás e acho que está tentando parar.
- Por isso está aqui em Sitka? - perguntei ela deu de ombros, deu mais uma tragada em seu cigarro e o jogou no chão apagando.
- Se não for pedir muito, não fala nada disso na internet. Se não, amanhã essa cidade vai ficar cheia de gente i****a- falou, eu ri.
- Ok, sem idiotas - falei, ela sorriu torto.
Ela ficou em pé e me olhou.
- Foi bom falar com você Camila, agora tenho que voltar antes de alguém surtar e sair por aí me procurando - falou.
- Também foi bom falar você - falei ela sorriu de novo e isso a deixava linda.
- Boa noite Camila - ela se virou pra sair, fiquei de pé também.
- Boa noite Lauren e você tá indo bem - falei, isso fez ela parar e me olhou de novo, ela me deu um breve sorriso.
- Obrigada - falou e continuo seu caminho.
Comecei a andar pela rua percebendo o quanto o dia de hoje foi louco, uma cantora famosa estava em Sitka, e eu não conseguia não pensar nela. Quando cheguei em casa recebi um abraço da Sofia minha irmã de 9 anos, eu era apaixonada por ela.
Minha mãe Sinuhe era uma mulher boa, doce e amável e meu pai Alejandro era um bom homem, um bom pescador, ele saia pro alto mar pra pescar, as vezes passava dias fora. Ele estava a dois dias fora, minha mãe ficava preocupada, eu entendia porque eu também ficava. Estava frio, os mares e rios estavam ficando congelados e isso poderia danificar o barco.
Depois de tomar banho e comer, fui para o meu quarto, peguei meu computador e comecei a pesquisar sobre Lauren Jauregui.
Eu não fazia essas coisas mas aparentemente agora eu faço, pesquisei a vida dela toda na internet. Vi que ela era muito famosa, tinha milhões de fãs, cantava muito bem, era cheia de vida no começo da carreira, passou por um relacionamento polêmico que começou a mudar a vida dela, depois a morte do pai fez ela desandar de vez, polêmica atrás da outra, festas, bebidas, drogas e no fim a orvedose.
Todos estavam atrás dela, para saber onde ela estava mas ninguém sabia, nem os amigos. Comecei a ouvir todas as músicas dela no meu celular, acho que virei uma fã. No fim acabei dormindo ouvindo as músicas dela e sonhando com olhos verdes.