A Manhã Seguinte.

1552 Words
JASMINE Uma luz vermelha, fraca entrava pela janela, iluminando o quarto com um brilho suave com pontos de luzes que que piscavam me fazendo relances de memórias vividas em minha pele. Mas a realidade bateu como um soco no estômago, Assim que abrir os olhos. Eu não estava no meu apartamento. E não estava sozinha. Meu corpo inteiro estava dolorido, minha pele ainda queimava dos toques daquela noite. E quando virei o rosto no travesseiro, vi Mateu dormindo ao meu lado. Assustada virei rápido vendo Lorenzo que estava do outro lado, os braços jogados sobre a cabeça, um sorriso satisfeito nos lábios mesmo dormindo. A lembrança veio em flashes. Os beijos. Os toques. Os corpos entrelaçados. As vozes roucas sussurrando meu nome e suas promessas profanas e pecaminosas. Fechei os olhos, tentando acalmar a respiração. Oh meu Deus, o que eu fiz? Meu coração martelava, o pânico começando a se infiltrar em meu peito. Aquilo foi um erro. Tinha que ser. Mas, então… Os arrepios na minha pele diziam o contrário. Eu gostei. Eu quis! Eu... eu quis. Me sentia em choque, isso era real. E o problema? é que eu tinha gostado. .... Sentei na cama tentando sair sorrateira, mas senti o movimento na cama e o colchão afundar ao meu lado. Fechei os olhos com pressão rapidamente. Merda! Mateu se mexeu, os olhos escuros se abrindo devagar, ele me olhou em silêncio, avaliando minha expressão. E então, sua voz saiu baixa, rouca da noite passada: — Está fugindo? Engoli em seco, sem saber o que responder. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Lorenzo riu baixinho. — Se arrependeu bonequinha? Se estiver, pode nós dizer. Ele abriu os olhos preguiçosamente. — Mas acho que seu corpo não concorda com isso. Senti o rubor subir pelo meu rosto. Ele se quer se moveu, ainda com seus braços em baixo da cabeça confortavelmente. — Eu… Me levantei rápido, puxando o lençol contra o corpo. — Eu preciso ir. Mateu se sentou devagar, se apoiando nos cotovelos. — Não tão rápido. Lorenzo ergueu uma sobrancelha, observando a cena com diversão. — Está querendo fugir, bonequinha? Evitei olhar para os dois. Eu precisava sair dali. Não sabia onde enfiar a cara. Meu Deus, eu dormir com dois homens... com meus dois chefes e eles... Eu deixei eles juntos me penetrarem... Precisava digerir aquela noite, entender o que eu fiz com minha vida. o que aquilo significava. Me inclinei pra catar minhas peças soltas pelo chão, mas antes que eu pudesse apanhar minhas roupas, Mateu segurou meu pulso. — Isso não acabou, Jasmine. Minha respiração falhou. Não conseguir pensar, não conseguir falar. Eu só catei tudo que achei no caminho e entrei naquele banheiro, trancando a porta. Não importa quanto eles chamem eu não iria abrir.. Por sorte ou por experiência eles não me interromperam. Conferi peça por peça das minhas roupas. — Ha não.. eu não esqueci logo... duas batidas toca na porta, olho rápido assustada e escuto a voz de Lorenzo abafada. — Você esqueceu uma coisinha aqui. fechei os olhos com força, pressionando os lábios me repreendendo. — Ha menos que queira que guardemos como lembrança, não precisa pegar. Abrir a porta rápido ainda segurando o lençol em meu corpo e peguei da mão dele fechando a porta de novo. ouvir sua risada de satisfação e sua voz dizer: — Não precisa disso bonequinha, não há nada aí que já não tenhamos visto... ou tocado. Aí meu Deus! meu coração disparou, minha boca secou de tanta vergonha. vesti a calcinha e o resto da roupa rápido, me olhei no espelho organizando os cabelos bagunçados e suspirei criando coragem. Eu ainda podia sentir a sensibilidade em meus lábios, ainda podia sentir seus beijos... seus toques. Sair dos meus devaneios. Por Deus eu ainda estava com roupa de trabalho. sair daquele banheiro tentando fingir naturalidade. Que i****a, eles já devem ter feito isso muitas vezes. Mateu estava sentado em uma poltrona com o copo de uma bebida em mãos. Pra minha sorte já vestido. Lorenzo estava abotoando a camisa. — Vamos te levar pra casa. — Não! respondi rápido. — Não precisa, eu... vou pedir um carro de aplicativo. Lorenzo negou. — Te trouxemos, não vamos deixar você ir sozinha. neguei novamente. — Eu sei me cuidar! me afastei pra porta quase correndo. — Jasmine! não dei ouvidos, sai dali como uma louca. pegando o odiando táxi que vi na frente, e finum alívio quando entrei e o carro deu partida. me joguei no banco e fechei os olhos, meu corpo todo sensível, conseguia sentir minhas partes doloridas... .... Entrei no meu apartamento e assim que a porta se fechou atrás de mim, soltei um sopro pesado. Meu Deus eu não acredito que fiz isso. Naquele instante, o mundo inteiro sumiu. Não havia mais música. Não havia mais toques. Não havia mais aqueles dois homens consumindo cada pedaço do meu corpo. Só havia eu. E as lembranças, as malditas lembranças. ... Me joguei na cama, puxando os lençóis ao redor do corpo, mas o cheiro deles ainda estava na minha pele. Minhas coxas estavam doloridas, minha pele ainda queimava onde as mãos deles passaram. Fechei os olhos e os flashbacks me atingiram como um raio. Os beijos intensos. As mãos me segurando, me explorando. Os sussurros em meus ouvidos, me quebrando aos poucos. E então, a voz de Mateu ecoou na minha cabeça: "Você não vai esquecer essa noite, vamos fazer questão disso." Um arrepio percorreu minha espinha. Meus dedos apertaram os lençóis. O que eu fiz? Cobri o rosto com as mãos, tentando afastar as sensações, mas era impossível. Meu corpo gostou daquilo. Quis aquilo. Meu Deus, eu me toquei pensando nisso, eu alimentei esse desejo... Bebi, bebi de mais foi isso! Tudo era culpa da bebida. Minha mente gritava que eu tinha cometido um erro enorme. Eu nunca tinha feito nada parecido antes. E agora? Agora, eu não sabia como encarar o dia seguinte. A única certeza que eu tinha era que eu não podia ir trabalhar, não podia mesmo! .... MATEU Senti na hora que algo estava errado. Desde o instante em que cheguei na empresa, não a vi em lugar nenhum. Jasmine nunca faltava. Isso não era coincidência. Chamei Luana até minha sala. Ela entrou com um semblante normal. — Me chamou? você não tem feito muito isso ultimamente. Nem olhei pra ela, fui direto ao ponto. — Jasmine! ela suspirou. — Onde está ela? Sua expressão mudou, mas ela se conteve mantendo o profissional. — Ela ligou cedo. Disse que estava doente. Minha mandíbula travou. Doente. Ou… arrependida. Não pensei duas vezes. Fui direto até a sala de Lorenzo, passando por ela que acompanhou cada passo meu até a sala dele. ..... Sala de Lorenzo - 09h15 Ele estava jogado na poltrona, tranquilo demais, bebendo relaxado com um maldito sorriso presunçoso no rosto ao meu ver. O oposto do que eu sentia. — Jasmine não veio trabalhar. Ele diminuiu o sorriso, deixando um preguiçoso. — Talvez esteja se recuperando da noite insana que teve. Meu sangue ferveu. — Isso foi longe demais! Lorenzo riu, se apoiando no braço da poltrona. — Relaxa, cara. Não é todo dia que uma garota como ela dá conta de dois. A frase explodiu dentro de mim. Atravessei a sala em dois passos, agarrando o colarinho da camisa dele e puxando ele para perto. — Você está se ouvindo, p***a?! Era a primeira vez dela nisso. E você embriagou a garota. Lorenzo revirou os olhos. — Eu? Você gostou bastante quando ela estava toda liberta! Soltei ele bruscamente, passando a mão pelos cabelos, ele caiu novamente sobre a poltrona. Isso podia dar merda. Muita merda. — Ela pode alegar assédio no trabalho. Lorenzo negou, mais sério dessa vez. — Ela não vai fazer isso. Cruzei os braços. — Como tem tanta certeza? Ele deu de ombros. — Esse trabalho é importante para ela. Ela mesma disse, e ela quis cara, ela gostou! Minha respiração ficou pesada. Essa era a questão. Nós passamos de todos os limites. E Jasmine não era qualquer mulher. — As mulheres não são iguais, Lorenzo. Ela não é igual. Dessa vez, Lorenzo ficou calado por um segundo. Então, suspirou. — Relaxa, beleza? Ela vai voltar. Mas eu não conseguia relaxar. E o silêncio dela me incomodava mais do que qualquer coisa. Porque ele não tá entendendo em tudo que isso pode dar. .... O dia passou arrastado. A cada hora que se passava e ela não aparecia, minha inquietação só aumentava. Esperei pacientemente. .... No outro dia no escritório, aguardava ansioso pra que ela aparecesse, Lorenzo sabia disso, sabia que eu não ia tirar isso da cabeça. Quando o relógio bateu 09h00 da manhã, Luana entrou na minha sala. — Senhor Mateu… Meu olhar subiu imediatamente. — Ela ligou de novo? Luana hesitou. — Ela não apareceu. Nem ligou desta vez. Meu estômago revirou. Isso foi o suficiente para me tirar do sério. — Cancele todas as minhas reuniões. levantei pegando a chave do meu carro. — O quê? questionou em choque. — Agora. Eu não ia esperar mais. Fui direto ao sistema, abri o currículo de Jasmine e peguei seu endereço. Ela não ia se esconder de mim. Eu ia até ela. E ela ia ter que me ouvir. ....
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