Anthony
Seguimos em direção ao elevador, vejo que está desligado, vou até uma janela e me surpreendo com uma tempestade, voltamos para desligar os equipamentos eletrônicos, vejo que estamos sem internet, celulares sem sinal, Natasha pega o rádio e se comunica com a sede, mamãe aflita pergunta por mim, ela informa que estou ao seu lado, avisa que não saia da sede.
Seguimos pelas escadas, vamos até o térreo, ao chegar num corredor com várias salas ela se encaminha a uma porta, abre, entra, pega dois pacotes, me entrega um e fica com o outro, rasga a embalagem retira uma capa longa de chuva, me entrega para vestir, pega a minha e faz o mesmo processo, após vestidos, seguimos até galpão suíno de engorda, onde permaneço ao seu lado vendo ela trabalhar com o seu lindo sorriso no rosto, a chuva não ameniza Natasha me chama para ir para casa, mas estou em dúvida de como conseguiremos chegar nessa tempestade.
Natasha – Anthony, se não conseguirmos voltar para sede, podemos dormir aqui, tenho chave de alguns dormitórios. Não se preocupe, me segue que vamos pegar o nosso “carro” para voltar para casa.
Anthony – Juro que pela primeira vez senti medo de uma mulher, esse jeitinho que ela falou o NOSSO carro fez a minha espinha gelar, mas realmente sentir o meu ar faltar quando a vejo subindo num Jeep estilo Segunda Guerra Mundial, e me chama para entrar, o carro é uma lata velha ambulante, numa entrei em algo tão pré histórico assim, vejo um sorriso travesso nos seus lábios, me convida a entrar, estou incrédulo, mas entro no tiranossauro rex, ela está séria, dá partida no carro, seguimos até que sinto jogar a traseira escorregando na lama, ela acelera jogando lama para o alto, passamos por vários atoleiros, já rezei para todos os santos, melhor tomar um tiro que viver essa penitência desgraçada, derrapamos, ela perde o controle do carro, rodamos na pista, ela reduz marcha, acelera, consegue sair, o meu coração só falta sair pela boca, eu quero matar essa mulher, ela joga o carro sentido pista contraria, ficamos com duas rodas laterais altas, sensação de andar de lado, passo a mão na minha pistola para me acalmar, ela consegue colocar as quatro rodas no solo, car@lho, já troquei tiro com máfia rival, miliciano, traficante, policia internacional e nunca tive o pavor que estou tendo andando de carona com essa mulher, rodamos novamente na pista, e vejo a reta da sede da fazenda, agradeço a Deus mentalmente, solto o ar que nem sabia que estava preso, desço do carro e digo:
- DEMITIDA!
VOCÊ ESTÁ DEMITIDA SENHORITA NATASHA HURST!
Vejo dona Ray me olhando incrédula, estou todo lameado, nem eu acredito nisso!
Natasha
– Reizinho mandão! Poderia ao menos me agradecer por ter te trazido em segurança! Grosso! Merecia que te deixasse passar a noite no dormitório dos peões.
- Você é muito m@l agradecido, eu vivo isso todos os dias de tempestade e nem por isso trato ninguém aqui m@l, agradeço a Deus diariamente esse emprego, através dele ajudo a minha família, enfrento perigos, estou no meio de peão, dirijo constantemente essa estrada sem reclamar, sabe qual o motivo? Vocês negaram asfaltar a estrada alegando falta de verba, eu continuo aqui, feliz enfrentando chuva, tempestade, as vezes falta material de trabalho e nem por isso sou grossa com ninguém, se te faz tão bem assim me demitir, não tem problemas, pega o seu emprego e enfia onde quiser que eu vou arrumar as minhas coisas e amanhã cedo deixo a sua propriedade, ah quer saber mais?
- VAI PRO INFERNO ANTHONY BENÍTEZ!
Passar bem!
Anthony
Pelo olhar que recebo da minha mãe, estou duplamente fodid0.
Vou atrás da encrenqueira que passou feito um foguete para o seu quarto. Entro de vez e a vejo tirando a roupa com os olhinhos vermelhos chorando, me sinto m@l por vê-la assim, ela percebe a minha presença, não diz nada, está nua, coloca a banheira para encher, vai para o chuveiro tirar a lama, olho o seu corpo hipnotizante, me aproximo e digo que também vou tomar banho e depois do jantar conversaremos, ela permanece sem expressão, e isso me incomoda muito.
Sigo para o meu quarto, tomo um banho demorado, a minha vontade é de ir para banheira da Natasha e faze-la minha.
Espanto esse pensamento, pego uma toalha, me seco, visto um moletom e me jogo na cama esperando mamãe me chamar para jantar, verifico o meu celular, ainda estamos incomunicáveis. Certamente dom Pietro está preocupado, terei que fazer adequações nessa fazenda, começando pelas estradas.
Mamãe invade meu quarto, me chamando para o jantar, já sei o que ela quer me dizer, para adiantar pergunto logo?
- Toda essa preocupação é porque estamos incomunicáveis?
Ray – Estou preocupada com as meninas e você sabe que o seu pai está preocupado e sem notícias, e também não estou gostando da forma como você trata a Natasha, uma menina de ouro, profissional dedicada, competente, delicada, merece respeito meu filho e também condições adequadas, uma moça sozinha, no meio desse mato, no mínimo merece se sentir acolhida por nossa família. Providencie um carro adequado para ela e resolva essa estrada, veja também fechaduras com digitais, converse com Andrew, em cada galpão ou fazenda lugares seguros para ela dormir, precisamos preservar essa menina filho, nessa idade não faz parte da máfia e é virgem, ela precisa está segura e aqui temos muitos homens que nem sempre sabemos a origem, essa fazenda emprega mais de 300 funcionários e foi um projeto totalmente desenvolvido e implantado por você, tudo que acontece aqui é sua inteira responsabilidade, não sei pelo fato de ser uma geração boa de dinheiro em um meio rural você não deu a devida atenção a segurança, mas saiba que precisa fazer isso com urgência. Resolva com Andrew!