Desci a escada de concreto cru que levava pro subsolo, pra carceragem da 9ª DP, com o barulho da sola do meu salto agulha estalando e ecoando pesado nas paredes descascadas, tomadas por infiltração e lodo escuro. O cheiro ali embaixo não era r**m, era a p***a de um soco no estômago. Era mil vezes pior do que o futum da recepção lotada. Aquele buraco era o puro suco do inferno engarrafado: mijo azedo secando na quina da parede, suor frio de vagabundo apavorado, fezes acumuladas no ralo entupido e aquele desespero cru, palpável, impregnado no cimento gelado e na ferrugem das grades. A verdadeira masmorra particular do meu irmão. No final do corredor m*l iluminado por uma lâmpada fluorescente que piscava feito estrobo de baile de favela, sentado folgadão atrás de uma mesa de ferro amassada e

