Até que um dia, o meu velho fez uma merda colossal. Um bagulho imperdoável no tribunal do crime. A fissura da pedra bateu tão forte, tão alucinada, que o verme perdeu o restinho de cérebro que a fumaça de crack ainda não tinha corroído. Ele roubou uma carga de pó e maconha prensada da firma da época, do antigo dono do morro, pra tentar trocar tudo por pedra numa boca de outra favela. A burrice do nóia foi tão grande, mas tão amadora, que os cria da contenção descobriram o desfalque em menos de doze horas. Eu tava encolhido no canto do barraco, fazendo carinho na orelha do Fiel, escutando a chuva bater na telha de zinco, quando a cobrança bateu na porta. Não teve aviso prévio. Não teve ideia. A porta de madeira podre foi arrombada numa bica só, estilhaçando e voando cavaco pro meio da sal

