NARRADO LÍVIA CARVALHO O som do barzinho abafava o caos do mundo lá fora, mas a energia na mesa do fundo tava pegando fogo. A garrafa de tequila já tava na metade, os limões espremidos se acumulavam no prato e o papo corria solto entre risadas altas e deboches pesados contra o sistema. A Camila e a Beatriz tavam rindo de alguma história absurda que eu contei sobre o escofio do juiz Medeiros, quando a caixa de som do Bar do Léo trocou a trilha sonora. Passou do jazz melancólico pra um ritmo latino pesado, uma batida envolvente que subia direto pra cabeça. — Ah, quer saber? f**a-se o plantão, f**a-se a OAB e f**a-se o meu irmão! — a Beatriz levantou da cadeira balançando os quadris, puxando a Camila pelo braço. — Vamos pra pista, suas vacas! Ninguém é de ferro! Eu joguei a cabeça pra trás

