A subida pro topo da coroa do Cruzeiro nunca pareceu tão silenciosa, um bagulho fúnebre, de cemitério mesmo. O barulho ensurdecedor daquele temporal tava perdendo a força, a chuva pesada virando só uma garoa fina, cortante e gelada, daquelas que lava a fumaça da pólvora grudada na minha pele e o suor da adrenalina. Deixei o caos absoluto do beco da Caixa d'Água pra trás, no retrovisor da minha mente. O sangue quente dos alemão já tava escorrendo, engrossando a água barrenta e descendo direto pro esgoto a céu aberto, e o meu bonde cuidava da faxina suja pra mandar os pedaços de carne embalados pra porta da delegacia do Carvalho. Eu marchava no sapatinho, passos firmes e cadenciados, o fuzil M4A1 modificado pendurado na bandoleira batendo no peito nu, a bota tática pesando uma tonelada com a

