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❀11.02.2008, segunda-feira.❀
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Faltam vinte minutos para as cinco horas da manhã e eu já estou de pé. Acho que sou até responsável demais para uma menina de quinze anos de idade. Que adolescente nessa faixa etária se levanta antes de um g**o cantar para poder arrumar as coisas para o colégio?
Eu, eu mesma. Ontem eu discuti com o meu padrasto, e você sabe muito bem por quê.
É, é, ele diz que não há necessidade de eu ir estudar tão longe sendo que existe uma escola bem perto aqui de casa, que não é justo a minha mãe pagar o ónibus para a escola e blá-blá-blá, que esse dinheiro a gente poderia comprar comida. Eu virei bem para ele aqui na cozinha e disse: querido, quando você conheceu a minha mãe, eu já havia nascido. E enquanto eu for menor de idade, ela vai ter que arcar com os custos dos meus estudos. Eu não pedi para nascer.
A discussão foi longe e eu não gosto nem de ficar lembrando, pois não quero estragar o meu primeiro dia nesse colégio com uma véspera h******l* de discussão como foi essa com o meu padrasto.
Aí você e pergunta: Ah, mas e a sua mãe? Cadê ela nessas horas?
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(._.)
?????
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Olha, eu amo muito ela de verdade, mas mamãe não tem boca para nada. E tem sido assim desde que ela descobriu uma certa traição do meu padrasto.
Ficou apática e sem voz para nada, apesar de eu ainda ser a menina dela e termos um relacionamento saudável. Eu já cansei de dizer: caraca, dá um pé na b***a* desse cara. E ela nunca faz nada a respeito. Parece até que tem medo.
Mas acho que tem muita dependência emocional envolvida ali, então o troço fica difícil de desenrolar. Por isso procuro nem pressionar mais ela. Apenas finjo demência.
A questão que ficou é a seguinte: por que eu escolhi um colégio tão longe para estudar?
É que não se trata de qualquer colégio. Eu fiz um processo seletivo sofrido para poder conseguir uma vaga nessa escola particular. Esse outro colégio que tem aqui perto de casa (e que o meu padrasto insiste que seria melhor eu me matricular lá) é deplorável. Até a metade do ano passado eu fazia o fim do fundamental em uma escola pública muito boa para os padrões públicos. Mas quando nos mudamos para esta cidade, as coisas descambaram e nem professor eu tive.
Então, eu pensei com meus botões: gente, preciso sair disso aqui. Senão, qual vai ser meu destino? Fazer um ensino médio porco* e não conseguir passar em nenhuma universidade boa?
Não, eu não nasci para ter uma vida medíocre como a minha mãe escolheu ter ao lado do meu padrasto.
Arrogante*? Eu?
Nada disso. Não confunda arrogância com determinação. ?
Voltando...
Eu estudei sozinha para esse processo seletivo (já que a minha escola não tinha nem professor) e de dez vagas em fiquei na décima primeira posição Eu quase infartei* pensando na possibilidade de ninguém desistir. A esperança estava acesa e eu seria a primeira a ser chamada da lista de espera quando algum zé mane finalmente desistisse. Ate achei que fosse morrer* de ansiedade aguardando o telefonema do colégio. O dia m*l* tinha amanhecido e lá estava eu sentada en frente ao telefone torcendo para que ele tocasse. Era a data que divulgariam a lista de segunda chamada.
Aí, numa linda quarta-feira de janeiro passado (linda em sentimento, porque o céu tava cheio de nuvem) o telefone tocou. O meu coração quase saltava pela boca. Eu já fazia ideia do que era (que ligação além do colégio uma nerd feito eu poderia receber? Namoradinho? Não, eu não tenho namoradinho).
"Parabéns, você foi classificada na lista de espera."
Eu nem sabia o que dizer.
"Certo, certo., obrigada. Caramba... Digo, caramba não, que bom" eu já começava falando errado com o diretor.
Ele riu.
"Tá tudo bem. Já ouvi expressões bem piores de alguns alunos hoje."
Mamãe até fez bolinho de chuva para comemorarmos, mas a celebração foi interrompida quando o meu padrasto chegou. É sempre assim, quando ele chega tudo fica nebuloso, chato e sombrio. Aquele cara tem uma energia negativa que eu sou incapaz de descrever.
Por hora é isso, diário. Vou aproveitar para rever todo o meu material e estar pronta exatamente as cinco e meia para as seis ja estar no ponto de ónibus. Ansiedade me define. O que esperar desse primeiro dia de aula??
Atualizando 09:37 h, estou aqui perto do refeitório e estamos no intervalo.
Acho que algo que eu não mencionei, diário, é que este colégio e é abarrotado de gente rica. A maioria tem dinheiro para pagar a mensalidade e ainda ter dinheiro para o lanche e sair depois do colégio para comemorar em alguma sorveteria. Tem outros bolsistas como eu, mas até nesse nicho eu descobri que talvez eu seja uma das mais pobres*.
Isso me intimidou um pouco, afinal, todo mundo está muito bem vestido. Eu não estou uma mendiga em situação de rua ou coisa do tipo, mas as roupas são visivelmente gastas. De qualquer jeito, dane-se, eu sou pobre*, mas sou limpinha.
Hoje fiz dois amigos: Shonda e o Dope.
"Oi, você é a nova bolsista?" Eu estava sentada na primeira mesa perto da porta. Ergui os meus olhos e vi uma menina de cabelo tingido quase que de laranja e com a raiz de quatro dedos gritando por retoque.
"Tá tão na cara assim?" eu ri.
"Não, não está. É que todo mundo está aqui desde a quita série e você é novata. Calculei que fosse bolsista. Prazer, o meu nome é Shonda." Depois ela assoviou e chamou uma garoto "Dope, vem cá conhecer a..." ela olhou para mim.
"Susan" disse a ela.
"Corre, ela parece ser legal."
Dope estava entretido desenhando alguma coisa. Ele se ergueu e vi que se existia alguém com mau gosto para se vestir, esse era definitivamente o Dope. Ele vestia um moletom muito largo (que era grande até para ele que é super alto), Dope tem cabelos loiros na altura dos ombros e usa um óculos de armação redonda. O seu rosto é cheio de espinhas vermelhas. Fora as cicatrizes de espinhas antigas salpicando todo o rosto dele com pequeninas crateras.
"Susan, seja bem-vinda. Eu sou Dope. Dope significa "d***a*" em inglês. É que eu acho a minha vida uma d***a, aí achei interessante me chamarem de Dope.
Ficou aquele som de grilo pairando no ar com Shonda, Dope e olhando uns aos outros. Com certeza saber que o apelido dele significava d***a* não era uma informação relevante naquele momento.
"No intervalo agente pode te atualizar sobre quem é quem nessa escola. Acredite, você vai precisar saber dessas informações" Shonda parecia uma ótima garota. Dope Tambem, ao modo dele.
"Sim, cada um tem um grupo* aqui. Talvez você possa fazer parte do nosso. Você parece ser do nosso grupo*, na verdade. Quero dizer, nós somos uma dupla excluída e esquisita, mas agora, com você podemos ser um trio".
Dope me chamou de esquisita e esxcluida de um modo muito sutil.
Gostei.
"Certo, eu aceito. Uma recepção com apresentações s dos outros alunos será bem-vinda"
A primeira aula era de matemática. Com certeza exatas não é meu ponto forte, e se dependesse dela, eu jamais teria sido aprovada nesse processo. Mas o negócio é agradecer por estar aqui e ter um professor…
"Vamos flar sobre equaçãodo segundo grau"
Eu detesto equação do segundo grau.