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❀15.02.2008, Sexta-feira.❀
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"Isso é péssimo" Disse Shonda na hora do intervalo.
"Ou não. As vezes é melhor manter os seus inimigos por perto" Disse Dope estendendo a sua bandeja para a tia da cantina encher com alguma coisa que parecia risoto.
"Não se eu quiser sufocar o meu inimigo até a morte*, Dope" Eu disse comendo a minha barrinha de cereal.
Aquele risoto não me desceria bem.
"E quando começa?" Shonda caminhava para uma das mesas perto da parede, bem longe de onde o Squad das Burras ficava.
"Hoje de tarde."
"E será que o Lobo já sabe que você será a tutora dele?" Dope comia o risoto com vontade*. Argh!
"Sei lá. Deveremos nos encontrar as 13 h na biblioteca e os alunos da detenção terão acesso à lista com as relações de tutor e tutorado"
"Boa sorte" Disse shonda.
"É, eu sei que vou precisar".
A última aula foi de história do Brasil. Guardava as minhas coisas na mochila e vi o Lobo passar por mim abraçado a Katrina. Atrás deles ia o Squad das burras. Fui completamente ignorada. Ao menos eu poderia ter uma hora para me preparar mentalmente até ter que passar duas horas com Lobo ‘Hacker’.
Mas o tempo voou, na verdade. O tempo de comer a minha marmita e escovar os dentes passou muito rápido e quando olhei em meu relógio de pulso, já era hora de voltar a biblioteca.
Havia um pequeno grupo amontoado em frente ao painel onde a lista estava sendo fixada pelo diretor do colégio. Ele pedia calma aos alunos. Era um burburinho e gente se empurrando para encontrar os seus nomes no papel. Eu suspirei enfadada pondo a minha mochila pesada na mesa ao lado.
"Atenção, tutores, não se esqueçam de fazer o tutorado assinar a lista de presença ao final do período. Isso contará como parte do programa. E ah, não sei se mencionei, mas os dois juntos deverão desenvolver uma atividade extracurricular que deverá ser apresentada a todo o corpo estudantil no final do bimestre. Sortearemos semana que vem o que cada dupla deverá fazer. Boa sorte"
Eu podia jurar que ao dizer "boa sorte" o diretor sorriu de maneira diabólica como se dissesse: "Boa sorte, vocês vão precisar".
E não existe nada de r**m* que não possa ficar pior. O diretor acabava de dizer que eu SOZINHA faria a tal atividade a ser apresentada no final do bimestre, pois acho bem pouco provável que Lobo Hacker vá se esforçar para que dê certo. Melhor até eu já me preparar mentalmente para isso.
Mas eu não estava encontrando Lobo Hacker em meio aos outros alunos que se debruçavam sobre o painel checando seus respectivos tutores. Talvez eu fosse ficar livre pela tarde. Mas caso Lobo se ausentasse, eu ficaria ali na bilbioteca, estudando. Não iria embora para ele não ter a chance de dizer que eu sumi e ele não conseguiu me encontrar. Diante de pessoas ricas como Lobo Hcaker, eu preciso estar dois passos a frente.
Saltei da mesa proxima a porta e me esparramei na que ficava mais perto dos pufes aos fundos, onde a iluminação natural vinda do jardim de inverno era mais intensa. Eu decidia sobre qual a assunto revisar após ter certeza de que ele não apareceria. Talvez história do Brasil.
"Graças a Deus" pensei "Talvez, se ele faltar com frequência, posso pedir ao diretor para me deixar com outro aluno". Abria a mochila a procura do livro de História.
Porém, os meus olhos foram desviados do livro que eu abria em direção a porta que fazia um barulho de dobradiças rangendo ao ser aberta.
Lobo Hacker chegava com a mochila suspensa em uma alça só nas costas e caminhou em direção ao quadro de avisos. Ele levou um tempo até encontrar o seu nome. Em seguida olhou para os lados e me encarou, parecendo nada satisfeito. Mas abriu um sorriso patético no canto dos lábios ao se aproximar de mim. Ele acha que me intimida com aquela postura de cara popular do colégio. i*****l*.
'Que azar, hein, ratinha"
"Não se queixe, Lobo, poderia ser pior"
"Não, não tô falando de mim. O azar é seu. Ter você por perto será mais fácil de fazê-la cair fora do colégio. Aliás, já falei com os meus pais. Acho melhor arrumar as suas coisas para a partida"
Eu então sorri e voltei os meus olhos para o livro, a minha frente, usando todo eu sarcasmo encubado.
"Pode sonhar, Lobo Hacker" disse o nome inteiro dele para irritá-lo. "Mas não é só você que tem cartas na manga"
O meu gostinho de triunfo momentâneo era ótimo.
"Do que tá falando, ratinha?" o sorriso presunçoso dele continuava lá.
"Será que não se passou pela sua cabeça o porquê de ter me voluntariado a ser tutora?"
Ele ficou um tempo pensando até perder o sorriso. Eu via pela visão periférica enquanto fingia ler o meu livro.
"Talvez por que você seja uma nerd otária?" ele riu.
Eu ri também e desviei os meus olhos em sua direção. A intenção era ficar a altura do Lobo, mas não era possível competir com os quase um metro e noventa dele.
"Ah, Lobo" eu disse com deboche ''Como tutora eu estou resguardada por um contrato que me deixa blindada de ser desligada do colégio a menos que haja um motivo muito incontestável, tipo... " Eu pensava com ironia" Tipo um assassinato" falei arregalando os olhos em direção a ele. Eu gostaria de empurrá-lo de um prédio de mil andares.
Lobo recuou um passo. É, eu estava sendo a ratinha raivosa, e daí?
"Não conte Vitória antes do tempo, ratinha. Eu já disse para não cruzar o meu caminho" Ele estufou o peito outra vez e o porte físico dele intimidava para um c****e*
"Não estou contando, querido. São fatos. Agora, se eu fosse você, começava a andar na linha, porque eu sou sua tutora e se você acha que vai deixar a minha vida um inferno*, devo dizer que a sua também não será nada fácil"
Lobo apoiou os punhos sobre a mesa e ficou a centímetros do meu rosto. Ele respirava como um Lobo feroz prestes a atacar. Eu sentia o aroma fresco do halito dele, era pasta de dente, de menta. Ao menos ele é limpinho.
"Corajosa, ratinha. Vamos ver quem vai ganhar!"
Lobo me encarava com os seus olhos repletos de revolta e acredito que ele teria torcido o meu lindo pescocinho ali se pudesse.
Não seriam dias fáceis.