Conrado sabia que pecisaria de muita paciência para que Pillar confiasse novamente nele. Isto incluía também conquistar o amor e confiança de seu filho. E de sua filha também.
Após uma conversa com os dois, Pillar marcou o encontro deles para um sábado de tarde. Ela teria uma semana ocupada, e as aulas teriam início em breve.
Conrado concordou ao receber o recado numa segunda-feira por meio de Fred que olhava para ele com desconfiança.
- Obrigado Fred. Diga por favor à Pillar que lá estarei na hora certa.
- Claro Senhor Conrado.
- Espere. Porque você não gosta de mim?
- Porque eu vi o que a minha senhora passou por sua causa. Ela me contou tudo, e antes mesmo de o conhecer pessoalmente, já não gostei de si.
- Eu me arrependo de verdade pelo que fiz. Espero que um dia ela possa me perdoar.
- Com certeza perdoará, mas não significa que deve voltar a confiar em si.
- Eu sei. Mas eu juro que não volto a magoar a Pillar. E espero conquistar também a sua confiança e respeito.
Mas, eu não sou o único errado em tudo isso, e você já percebeu.
- Prove o que me disse e veremos. Até mais Senhor Conrado.
Os desafios de Conrado eram cada vez maiores e ele sabia disso.
Decidiu ocupar a sua cabeça com o trabalho, e assim não ficava ansioso para rever Pillar e conhecer os seus filhosm
O sábado finalmente chegou e Conrado decidiu usar algo informal, afinal seria um almoço ao ar livre.
Ao estacionar o seu carro, viu Pillar sorrindo para seus filhos, e reconheceu a garota que o tinha conquistado sem ele perceber.
Aproximou - se com duas sacolas e um ramo de rosas amarelas nas mãos.... - Fred e mais dois seguranças os observavam de longe.
- Boa tarde Pillar!
- Ah! Olá Conrado.
- Olá! Você está bem?
- Estou óptima. Estás pronto?
- Sinceramente não sei. Estas rosas são para ti.
- Obrigada. São lindas.
Bia aproximou-se com as crianças. Pillar a apresentou para Conrado, e ela disse em seguida para Andressa.
- Aninha! Você me ajuda a preparar o almoço?
- Sim! Vamos lá.
Quando ficaram os 3, Pillar levantou-se e pegou na mão de seu filho.
- Querido. Lembras da conversa que tivemos?
- Sim mamã. Sobre o meu Pai biológico?
- Essa mesma. Este é o Conrado.
O teu pai. Conrado este é o Víctor Rafael. Nosso filho.
- Nossa! É uma grande alegria te conhecer filho.
- O meu nome é Víctor Rafael como o meu pai.
- Tudo bem Víctor Rafael. Podes me chamar de Conrado.
- Tudo bem. Você gosta de desporto?
- Adoro. E tenho uma PlayStation enorme em casa para praticar.
- A sério!? Eu tenho uma na nossa outra casa. Foi meu pai quem me deu... Você é destro ou canhoto Conrado?
- Canhoto. E adoro ser assim.
- Eu também. E adoro bolo de chocolate com..
- Cobertura de Canela e Baunilha?
- Sim. Como sabes?
- É o meu favorito até hoje. Minha mãe a sua Avó sempre fazia só para mim.
Pillar percebeu que tinha sido excluída da conversa e afastou-se.
Conrado contou ao menino sobre a sua infância e família.
- Você tem dois tios e 2 primos. Eles vão adorar te conhecer
- Eu vou se a mamãe deixar.
- Claro que ela deixa. E posso fazer pipoca com cobertura de doce de Morangos.
- Você também gosta Conrado? A mamãe não me deixa comer muito.
- Ela está certa. Já vi que temos muito em comum.
A conversa entre os dois seguiu calma e sem nenhum tipo de pressão.
Almoçaram e algumas horas depois foram andar de bicicleta seguidos de perto pelos seguranças.
Víctor via Conrado como um novo melhor amigo, e ele decidiu não decepcionar o menino, dando a ele tempo para se acostumar com a ideia de ter um novo pai.
Algumas horas mais tarde ao ir embora, Conrado lembrou-se dos presentes.
- Você gostou do seu presente Víctor?
- Gostei muito. Obrigado Conrado. Vem cá Aninha.
- O que foi?
- Este é o meu amigo Conrado.
A menina lembrou-se também da conversa com a mãe. Sabia exactamente quem ele era.
- O nosso pai de verdade?
- Sim.... Ele mesmo.
- Então não gostas mais do papai Víctor?
- Claro que gosto. Ele era o nosso pai.
- O Conrado é meu amigo. E queria falar com você.
- Olá Victória. Eu não quero tirar o lugar de seu pai.
- Você jura?
- Claro que sim. Quero apenas conhecer melhor você o seu irmão. Tudo bem?
- Está bem. Se ele gosta de você, então eu gosto também.
- Obrigado querida. Este presente é para você.
- Muito obrigada. É linda... Ela disse ao ver a linda boneca da pano e seus imensos acessórios e roupas.
Eles tiveram também uma conversa à sós. Mais tarde, Conrado foi ter com Pillar para se despedir.
- Bem! Tenho que ir. Até mais Pillar. Foi um dia inesquecível.
Obrigado por isso.
- Com certeza. Podes ver o Víctor e a Andressa sempre que quiseres. Só me avisa antes de apareceres.
- Tudo bem. A minha mãe está a pensar numa festa para eles.
Só para a família.
- Diga a ela para ligar e acertamos.
- Combinado. Até mais.
- Até mais Conrado.
Pillar o deixou ir e respirou fundo.
- Vamos Bia? Precisamos todos de descansar.
Voltaram para casa onde Isadora estava com a filha e ansiosa pelas novidades.
Após todos passarem por um banho e um delicioso jantar, elas ficaram sozinhas para conversar.
- Isa eu te conheço. O que escondes de mim?
- Nada amiga.
- Isadora. Por favor.
- Tudo bem. Eu conheci alguém na festa. Vamos jantar amanhã.
- Quem é ele?
- Pode ser coincidência, mas o nome dele é Luís Carlos. Luís Carlos Valente.
- O Quê?
Pillar não teve dúvidas de quem se tratava... Só podia ser ele... O irmão de Conrado e Tio dos seus filhos.
Será que devia dizer à sua melhor amiga que não era uma coincidência, mas que ela sabia exactamente de quem se tratava?
- Você o conhece?
- Sim. Quero dizer, o Conrado tem um irmão com esse nome. Será a mesma pessoa?
- Não sei. Vou cancelar e..
- De jeito nenhum. Eles são irmão.
E não significa que sejam iguais. Vai jantar com ele e aproveita bastante.
- Tens a certeza?
- Claro que sim. Queres mesmo desistir antes de tentar?
- Não. É claro que não.
- Óptimo. Esquece isso. Ficarás linda e maravilhosa. Vamos dormir. Amanhã será um novo dia.
Pillar estava feliz por sua amiga.
Será que ela voltaria a ver o lindo sorriso de Conrado?
Este era o mais profundo desejo do seu coração. Assim como Vítor foi um bom pai para os gêmeos, Pillar sabia que Conrado também seria um bom pai pra a sua filha.
Ele não faria nenhuma distinção entre as crianças e amaria todas exatamente do mesmo jeito.
Pillar estava com medo de perder novamente Conrado. Ela sabia que desta vez poderia ser para sempre.
Não tinha o direito de o julgar.
Só precisava de ter muita paciência.