Wallace narrando O vento batia no meu rosto enquanto eu acelerava a moto, com a Bia firme atrás de mim. As luzes da cidade lá embaixo brilhavam, mas pra mim tava tudo escuro. A cabeça latejava, o coração tava pesado. E era dessa adrenalina que a velocidade me trazia que eu precisava naquele momento A gente atravessou as ruas estreitas, desviando das crianças que ainda corriam pra lá e pra cá, mesmo com o clima pesado que o morro tinha ficado depois da última operação. Quando a gente finalmente chegou na casa da Bia, parei a moto e desliguei o motor. Os seguranças abriram o portão e eu passei com a moto dela. Ela desceu primeiro, tirou o capacete e balançou o cabelo. — Bora entrar, Wallace. Tu tá com uma cara péssima. — Ela falou, olhando direto nos meus olhos. Eu assenti e segui ela.

