Eu sabia que você era encrenca assim que apareceu
(I knew you were – Taylor Swift)
Quando Belinda abre a porta, o som está tão alto que é capaz de deixar alguém s***o. Pessoas tumultuando no espaço da sala, que é tão grande que cabe minha casa tranquilamente. E não estou exagerando.
Sofás pretos enormes de couro sendo bastante disputado, uma escada, que leva ao segundo andar, corrimões dos dois lados em tons de dourados.
Garotas que mais parecem estar em um comercial de TV, circulam pelo ambiente segurando copos de bebidas.
— Vocês conhecem alguém aqui? — pergunto curiosa.
— Alguns. A maioria são novatos ou amigos de veteranos— Belinda responde.
— Parece que elas já estão "altas" — falo.
— Estão só começando. Isso sempre acontece. Então quando uma vomitar nos seus, é só ignorar. — Belinda fala com desdém.
— Vamos procurar algo para beber — diz Ivy.
— Vocês vão beber. Alguém tem que ficar sóbria para levá-las pra casa. Levem Nanda para conhecer a casa e a piscina. Vou ao banheiro rapidinho.
— Vai lá. Encontramos você na piscina — Jessye pega minha mão e me conduz pela casa.
Observo tudo por onde passamos até chegar na piscina. A casa é muito maior do que eu imaginava. Jessye anda com facilidade pela casa e Ivy acena para todos, como se os conhecesse.
— Vamos procurar um lugar para guardar nossas bolsas e depois vamos nos divertir — disse Jessye.
A casa está lotada de pessoas que nunca vi na minha vida, parecendo aquelas festas que acontecem naquele seriado policial, o CSI, só que sem os assassinatos. Jogos de luzes, bebidas liberadas, música alta, homens e mulheres bonitos.
— Não estou vendo Kadu.
— Ivy, ele só vai entrar quando isso aqui tiver mega lotado. Vamos beber alguma coisa? Olha ali o garçom.
As duas saem em busca de bebidas, e eu fico parada feito uma estátua, olhando para aquele amontoado de pessoas.
— Um copo de vodca pelos seus pensamentos.
Viro-me rápido para dar de cara com Nick, ainda mais bonito, vestindo uma camisa baby look azul marinho e uma bermuda preta. Cabelos desalinhados como se tivesse acabado de acordar, segurando um copo de bebida e um sorriso espetacular.
— Eu troco meus pensamentos por um copo de refrigerante. Eu não bebo. Não mais.
— Por quê?
— Uma vez exagerei na bebida.
— Não imagino você fazendo isso.
— Eu também não me imaginava. Resolveu vir aqui e encher a cara como os outros?
— Mais ou menos...
— Olá senhor Nick, porque não estou surpresa em vê-lo aqui?
— Adoro o seu senso de humor Belinda.
Fico ali parada vendo os dois travar uma guerra de olhares. Algo aconteceu ou estava acontecendo entre eles. Pigarreio tentando chamar a atenção e falho.
— Vou procurar um banheiro e deixar vocês continuarem nessa disputa. Volto — falo dando um tapinha mo ombro dos dois e seguindo para a casa.
De volta à sala, procuro por algum banheiro, mas não encontro nada. Olho para a escada, talvez os banheiros fiquem no segundo andar.
Na parte de cima, o ambiente mantém a mesma cor da sala, branco. Além de ser clássico, dá a impressão de ser maior. As portas em que toquei estavam trancadas. Quando chego ao final do corredor, encontro uma porta destrancada. Olho para os lados e não vejo ninguém. Bato e espero uma resposta. Como não recebo nenhuma, abro a porta e entro.
É um quarto. Apenas a luz do abajur deixa o ambiente claro. Sigo para outra porta onde imagino ser o banheiro. Douuma olhada no meu visual no espelho que vai até o teto.
Quando me preparo para sair, ouço vozes no quarto. Abro a porta para ver quem são as pessoas, mas não reconheço nenhum dos dois. Volto a fechar a porta, esperando que eles não resolvam ficar no quarto por muito tempo.
— Kadu, é sua festa, os convidados estão lhe esperando.
Santo Deus, Kadu está no quarto com sua namorada. Ferrou tudo.
— Eu sou o dono da festa. Posso aparecer quando quiser. Agora eu estou interessado em outra coisa.
— O que Babi pensará se nos encontrar aqui?
— Está preocupada com a Babi?
— Nós somos amigas...
— Se considerasse a Babi realmente sua amiga, não estaria aqui comigo. Não acha? E se não veio ficar comigo, por que veio a minha festa então? Não me lembro de tê-lá convidado.
Ouço um barulho. Parece um... Uau, o play boy acabou de levar um t**a.
— Seu i****a, vai se ferrar.
As vozes ficam mais longe e tenho certeza de que estou sozinha novamente. Destranco a porta do banheiro e caminho rápido para fora do quarto. Quando toco na maçaneta, a porta é empurrada com raiva, chocando-se com meu nariz.
— Ai.
— O que está fazendo no meu quarto?
Ele vai até o interruptor e ascende a luz. Ainda estou segurando meu nariz, quando reconheço Nick.
— Como mudou de roupa tão rápido?
— Do que você está falando? Eu estou com essa roupa desde que cheguei. Eu te fiz uma pergunta. O que estava fazendo aqui?
Nick parece estar bem zangado e mesmo assim continua lindo. Em toda minha vida, eu nunca tinha conheci um garoto tão lindo quanto ele. Sinto algo inexplicável como nunca senti antes. Nem mesmo quando conheci Bernardo.
Ele dá uma olhada rápida pelo quarto, até seus olhos encontrarem os meus novamente. São hipnotizantes. Acho que estou em transe.
— Vou ter que te sacudir? — ele estala os dedos diante dos meus olhos me trazendo de volta à realidade.
— Você quase quebrou meu nariz Nick. Eu precisava ir ao banheiro, e esse foi o único quarto que encontrei aberto. Não sabia que era seu quarto — respondo ao seu olhar desafiador.
— Tem banheiro na ala da piscina. Claro, Novata! — fala dando as costas pra mim e seguindo para o banheiro — você veio com quem?
— Que pergunta i****a, Nick. Você sabe que estou as meninas — respondo — por que está olhando o banheiro? Quer saber, estou indo embora.
Quando estou me aproximando da escada, sinto uma mão apertando meu braço.
— Escute aqui, eu não sei o que você viu, mas não...
— Nanda, você está ai — Belinda vem ao meu encontro — Ivy e Jessye já estão no terceiro copo, preciso de ajuda com elas. Se escondendo aqui em cima, Kadu?
Arregalo meus olhos para o garoto que está na minha frente.
— Kadu? — indago sem entender o que está acontecendo.
— Estava cuidando de uma invasão ao meu quarto — diz soltando meu braço.
— Vejo que conheceu minha amiga — Belinda estreita os olhos para ele.
— Acabamos de nos conhecer.
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?
— Desculpa amiga, esqueci de contar que esse i****a aqui é o irmão gêmeo do Nick.
— Você está na minha casa de penetra e ainda me chama de i****a?
— Nick tem um irmão gêmeo?
— Vem Nanda, vamos socorrer aquelas duas antes que resolvam se jogar na piscina de roupa. Se elas fizerem isso, vão a pé pra casa — disse ela me tirando do lado de Nick/Kadu.
— Claro... — falo ainda totalmente confusa.
— Vejo vocês lá embaixo.
— Não tenho dúvida — responde Belinda.
Quando nos distanciamos, Belinda para e me encara.
— Ele te fez alguma coisa?
— Não. Quando você ia me contar que Nick tinha um irmão? E ainda mais gêmeo?
— Eu realmente esqueci. Kadu é só um i****a mimado que acha que pode ter tudo. Matenha distância dele.
— Relaxa, eu tenho um belo gancho de direita.
— Certo. Vamos encontrar aquelas malucas.
Quando chegamos à piscina, encontramos Ivy e Jessye sentadas em duas cadeiras, segurando copos com um líquido verde em uma conversa animada com uma roda de garotos. Vejo Nick entre eles.
— Meninas, sentem -se aqui, Nick está contando piadas hilárias. Sentem aqui com a gente — Ivy fala liberando espaço para nós duas.
— Quantos copos vocês já beberam? — pergunta Belinda.
— Não lembro, só sei que quero mais um — Jessye ergue o copo.
— Vão com calma ou vamos ter que ir pra casa mais cedo — Belinda tenta frear Jessye.
— Sim senhora — Jessye faz sinal imitando um soldado deixando o copo de lado.
Minutos depois, Kadu resolve aparecer na piscina acompanhado de uma garota loira que parece ter saído das passarelas.
— Boa noite, estão se divertindo?
Alguns respondem erguendo os copos.
— Bom, aos novatos eu sou Kadu — ele falou enquanto encontra meu olhar — bem vindos a minha festa. Sintam-se a vontade.
Ele passa ao meu lado, e não faz questão de disfarçar o seu olhar. Senti meu rosto queimar.
— Estou surpreso em vê-lo aqui — Kadu direciona seu olhar para Nick.
— Até onde eu sei essa também é minha casa.
— Então divirta-se um pouco. Está precisando.
Kadu fala a última frase sem desviar o olhar do meu. Dá um tapinha no ombro de Nick e sai de mãos dadas com a garota loira. A semelhança entre os irmão é gritante. Como alguém conseguia diferenciá-los?
— Está tudo bem? — pergunta Nick chamando minha atenção.
— Estou bem — minto — não sabia que tinha um irmão. E que era gêmeo — falo confusa.
— Não saio contando para todos que tenho um irmão tão i****a.
— São idênticos.
— Meus olhos são mais bonitos.
Olho novamente para Kadu e me sinto ridícula por ter deixado ele me afetar.
Mais cedo fiquei encantada pelo Nick, e agora Kadu. Dois caras iguais na aparência, mas diferentes no modo de agir.
— Preciso ir meninas. Boa diversão. Bebam com moderação — Nick fala enquanto mexe no celular — nos encontramos na segunda-feira.
— Algum problema? — pergunto.
— Treino extra para as regionais. É uma pena não poder ficar. Tinha a intenção de conversar um pouco mais com você.
Ele sabe como me deixar sem palavras. Ele devolve seu celular para o bolso, se aproxima me dando um beijo na bochecha e vai embora.
— Ok, vamos comer alguma coisa — Belinda fala em tom estranho — principalmente vocês duas. Não quero ninguém vomitando no meu carro.
Enquanto as meninas escolhem o que vão comer, fico olhando ao redor procurando por Kadu. Não entendo a necessidade de vê-lo novamente.
Encontro-o perto da entrada da casa, conversando com alguns garotos e eu não consigo tirar os olhos dele.
— É melhor disfarçar...
— O quê? — pergunto sem entender.
— Você está secando o Kadu. Daqui a pouco, todos vão perceber — diz Belinda — eu sei que ele é lindo de morrer, mas na boa, não vale um centavo.
— Eu só estava comparando ele com Nick — minto.
— Ainda bem que eles têm personalidades diferentes. Eu não conseguiria conviver com dois Kadus. A garota com ele é a Babi. Faz moda no Braz Cunha. Estão juntos desde a última festa no ano passado.
Ela é realmente linda e a maneira que se comporta ao lado de Kadu, não resta dúvida que os dois fazem o casal perfeito.
Ele pareceu perceber que eu estou lhe observando, e quando nossos olhos se encontraram, desvio, como se eu estivesse cometido algum crime.
— Bem, vamos beber alguma coisa — Belinda pega minha mão e me leva para o buffet enquanto Jessye e Ivy decidem fazer um showzinho particular.
— O que os pais de Ivy vão achar quando ela chegar em casa assim?
— Eles estão viajando, então, ela vai dormir na minha casa. Nas condições em que ela está não conseguirá chegar nem ao quarto — Belinda ri.
Às duas da manhã, já não aguento ficar na festa, enquanto os outros não parece sentir o cansaço. Jessye desapareceu à meia hora e Ivy está no banheiro vomitando a alma depois que fazer uma mistura louca de bebidas.
— Belinda, vamos procurar as meninas, estou exausta.
— Vamos. Essa festa já deu o que tinha que dar. Vou atrás da Ivy e você procura Jessye. Nos encontramos em dez minutos.
— Ok.
Levei vinte minutos para encontrar Jessye. Atravesso a ala da piscina, e entroem outra parte da propriedade. O lugar estava vazio, perfeito para uns amassos.
— Indo a algum lugar?
Nem preciso olhar para trás para saber quem é. Quando viro-me, Kadu está com as mãos enfiadas nos bolsos. Ele trocou de camisa e agora está vestindo uma baby look vermelha. Seus cabelos estavam molhados. Mas não me lembro de tê-lo visto na piscina. Ou então... É melhor não pensar na segunda opção.
— O que está fazendo aqui sozinha?
— Procurando minha amiga. E você, não deveria estar na piscina? — tento não parecer que estou nervosa com sua presença.
— Deveria. Mas vi uma garota aqui sozinha, então...
— Então o quê?
— Pode baixar a guarda Nanda. Eu preciso falar com você longe de todos. Sabe como é, casa cheia de pessoas, algumas enxeridas...
— Está falando da Belinda? — pergunto estreitando o meu olhar.
— A questão é que eu preciso falar com você.
— Sobre?
— Sobre o que você viu naquele quarto.
— Então foi por isso que esteve de olho em mim o tempo todo? Estava com medo que eu falasse para as minhas amigas sobre seu breve encontro no quarto?
— Você também estava me observando.
— Acha mesmo que eu estava olhando pra você? Muito convencido. Tem garotos muito mais interessantes do que você aqui.
— Concordo com você, tem muitos garotos, mas nenhum seria capaz de paralisar sua respiração. Vai desmaiar se continuar prendendo.
Só então me dou conta de que estou segurando minha respiração. Faço menção de sair, mas ele não deixa.
— Não precisa ficar envergonhada, eu sei muito bem o efeito que causo nas garotas. Já estou acostumado — diz ele me dando um sorriso tão encantador, que o oxigênio foge do cérebro.
— Uau, você é bem modesto. O que realmente quer comigo?
— Direta e objetiva. Gosto disso.
Sinto meu rosto queimar. Mais uma gracinha e ele irá sentir o carinho da minha mão em seu rosto também.
— Quero que esqueça o que viu lá no quarto.
— Está me pedindo, por favor?
— Eu nunca peço, por favor.
— Então é um bom momento para começar.
Espero uma reação sua e nada vem.
— Ok. Tenha uma boa noite.
Passo por ele, voltando para o lado da piscina. Sinto sua mão novamente segurando meu braço. Nossas bocas estão tão próximas que posso sentir o cheiro de vodka e energético.
— Você tem uma boca linda e carnuda. Deve ser muito gostosa.
— Uma pena que nunca vai ter a oportunidade.
— Não existe nada que eu não possa ter — Kadu coloca sua mão na minha cintura juntando nossos corpos.
— É aí que você se engana. Nem sempre se pode ter tudo — falo empurrando ele com força e me apressando para ficar longe dele.
Ouço uma gargalhada, o que me deixa ainda mais furiosa. Quando voltopara a piscina, meu coração parece que vai sair pela boca. Meu corpo ainda está sentindo o efeito das mãos de Kadu. Jessye está abraçada com um garoto n***o que tem quase o dobro do seu tamanho.
— Onde você estava? Eu e Belinda queremos ir embora.
— Estava por aí. Nanda deixa eu te apresentar, esse é Rafael, faz direito, quarto período. Rafael, essa é Nanda, começa semana que vem, vai fazer jornalismo.
— Oi Nanda. Vamos nos encontrar muitas vezes — ele me cumprimenta com um beijo no rosto.
— Prazer Rafael. Odeio ter que atrapalhar alguma coisa, mas estou caindo de sono, vamos pra casa?
— Eu sei como é. Tenho que estar as oito no meu trabalho.
— E como ainda consegue estar aqui?
— Muito energético — ele ri.
Belinda logo aparece acompanhada de Ivy e ela não parecia nada bem.
— Ivy, você está bem? — pergunto.
— Podemos ir embora?
— Ivy não tem mais nada no estômago para colocar para fora — Belinda responde por ela — vamos embora.
Nos despedimos rapidamente de Rafael e seguimos para o estacionamento. Ajudamos a colocar Ivy no banco do carona e depois Belinda assume a direção, enquanto eu e Jessye entramos no banco de trás.
— Ivy, tem uma sacola no porta-volume. Se for vomitar, usa a sacola. Ou vai ter que limpar meu carro amanhã estando com ressaca ou não — ela ri.
— Será que muita gente viu meu vexame?
— Todos estavam muito ocupados enchendo a cara para notar o seu show. Relaxa, ninguém vai lembrar disso na segunda-feira — Belinda responde enquanto dá partida no carro — Nanda, você quer ir lá para casa também?
— Obrigada pelo convite, mas vou dormir em casa. Minha mãe com certeza deve estar acordada me esperando.
— Ok. Vou te deixar em casa, depois levar essas mocinhas para dormirem.
Quando chegamos ao meu bairro, peço para Belinda estacionar perto do ponto, longe dos olheiros dos traficantes. Despeço-me e desço do carro.
— Me avisa se Ivy vai ficar bem.
— Não se preocupe. Banho e cama vão deixá-la ótima.
Quando chego em casa, minha mãe está adormecida no sofá com a TV ligada.
— Mãe, que tal trocar esse sofá duro por uma cama macia?
— Que horas são?
— Quase quatro da manhã. Rodrigo está na cama?
— Foi o primeiro a apagar. Está com fome?
— Não. A única coisa que estou precisando é de um banho e cama.